cultura


21-02-2024 20:18

Mindelo, 21 Fev (Inforpress) – O Centro Cultural do Mindelo acolhe no próximo dia 08 de Março o concerto de lançamento do segundo álbum do artista Romeu Di Lurdis,  “Kurason Abertu”,  que retrata de “forma sentimental e romântica” aventuras amorosas.

Conforme informações do centro, o espectáculo acontece no Grande Luís Morais Auditório e está enquadrado na rubrica Jazz Verde.

O evento dará a oportunidade dos mindelenses conhecer este segundo disco de originais de Romeu Di Lurdis, gravado em 2023 e produzido totalmente por Kim Alves, nos Estados Unidos da América.

“Korason Abertu é um álbum sentimental, romântico, que retrata profundamente as nossas aventuras amorosas e as nossas dimensões afectivas e familiares na língua cabo-verdiana”, lê-se no comunicado do Centro Cultural do Mindelo (CCM)
Este trabalho, com 12 faixas musicais, traz, segundo a mesma fonte, um Romeu Di Lurdis com “uma visão de composição mais aberta relativamente à sensibilidade dos temas e os seus arranjos musicais atravessam oceanos e passam pela América Latina e faz uma forte paragem no Brasil”.

O músico e compositor Romeu Di Lurdis gravou as suas primeiras canções na Cidade da Praia em 2008/2009, e desde então as suas letras têm retratado o amor e a tradição do quotidiano crioulo.

Os seus temas, “Dja n Rastora, “Fera na Sukupira”, “Vistu Merka”, “Pon di Fonga” já foram interpretados por artistas como Sara Tavares, Ceuzany, Neuza de Pina e o grupo Ferro Gaita.
Tem vindo a actuar em diferentes palcos da África, Europa e Américas.

Amoransa, com 14 temas, foi o seu primeiro disco de originais e que contou com produção de Ivan Medina e Yuri da Graça e participação de Princezito, Ineida Moniz e Victor Duarte. Este foi gravado e lançado em 2018, na Cidade da Praia.

LN/JMV
Inforpress/Fim

21-02-2024 19:53

Cidade da Praia, 21 Fev (Inforpress) – O director da produtora e organizadora do Kriol Jazz Festival Harmonia mostrou-se hoje satisfeito com os preparativos do evento, que estão fechados em 80 por cento (%) e com uma avaliação muito positiva dos anos anteriores.

José da Silva fez estas afirmações à imprensa, durante a assinatura do protocolo entre o Ministério da Cultura e a produtora Harmonia, que é a organizadora do Kriol Jazz Festival, realizada esta tarde na Cidade da Praia.

De acordo com o organizador, o ponto de situação dos preparativos para a realização da 13ª edição do referido evento é muito melhor do que o registado nos anos anteriores, tendo garantido que tudo está a correr bem.

“Como sabem, anunciamos o cartaz do Krol Jazz Festival no passado mês de Janeiro e temos tido alguma dificuldade em anunciar o cartaz devido a problemas ligados a parcerias, mas este ano tentamos adiantar e anunciar o cartaz no mês de janeiro, o que nos levou a trabalhar nas questões ligadas com viagens dos artistas e actualmente 80% do festival já está fechado antes mesmo do habitual”, declarou.

Após três anos de tentativas e com contrato assinado antes da pandemia, é desta vez que a organização do Kriol Jazz Festival vai trazer o artista maliano Salif Keita, “um dos maiores nomes da música mundial”, a Cabo Verde.

A 13.ª edição do Kriol Jazz Festival acontece nos dias 4, 5 e 6 de Abril na Praia e a abertura está a cargo dos artistas Jorge Pardo & Armando Orbón (Espanha) e do cabo-verdiano Soren Araújo, que se apresenta em trio acompanhado do guitarrista santantonense Pelada e do percussionista santiaguense Ndu.

No dia 5, sobe ao palco o artista cabo-verdiano Tibau Tavares,  acompanhado da Munganga Band (Áustria), que em conjunto já pisaram vários palcos internacionais e que trazem pela primeira vez o show ao país.

A abertura do último dia do festival (dia 6) está a cargo da banda cabo-verdiana Pret e Bronk e da artista Jenifer Solidade, que vai actuar pela primeira vez no KJF.

Depois sobe ao palco Hermeto Pascoal, que “é um monumento de jazz” no Brasil. 

“Há muito anos que estávamos a tentar trazer o artista e desta vez conseguimos. Com ele tudo é possível, nunca os seus shows são iguais e esperamos ter um Hermeto (Pascoal) em forma para ter um show de grande qualidade”, perspectivou Djô da Silva

Ainda no último dia está programada a atuação do Kriolatino, que é um projeto composto por cinco músicos cabo-verdianos e cinco , cubanos que durante uma semana vão ensaiar para apresentar um show de mistura crioula e latina. Zubikilla Spencer, Fábio Ramos, Hernani Almeida, Toninho e Khaly Angel são alguns dos artistas que fazem parte deste projeto.

Esta edição do KJF está orçada em 28 mil contos, sendo que a Câmara Municipal contribuiu com 10 mil contos. A organização ainda conta com o apoio do Fundo do Turismo e do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas.
 
CM/JMV
Inforpress/Fim.
 

21-02-2024 14:57

Ribeira Grande, 21 Fev (Inforpress) – A professora de Língua Cabo-verdiana na escola secundaria Suzete Delgado, Ribeira Grande, Santo Antão, Maria Assunção defendeu hoje a necessidade de se “valorizar” língua materna justificando que é através dela que se manifesta a identidade e cultura.

A educadora explicou que há dois anos lecciona a disciplina experimental de Língua Cabo-verdiana e até então o único “problema” está na padronização e oficialização da mesma.

Mesmo com esse “constrangimento” a docente sublinhou que a disciplina é um “sucesso” e os alunos têm tido uma avaliação positiva nas notas finais.

“Trata-se de uma disciplina opcional, ou seja, são os alunos que a escolhem e por isso esta motivação. Eles abraçaram a causa e tem sido muito interessante lecionar a Língua Cabo-verdiana. O sistema de avaliação diferente pois, no âmbito da reforma do ensino o teste conta como 50 por cento (%) e temos outros elementos que complementam os outros 50 por cento (%)”, explicou.

São nove variantes da Língua Cabo-verdiana, que, segundo Maria Assunção, não “interferem” no ensino e aprendizagem dos estudantes, pois, segundo a mesma fonte, através do Alfabeto Unificado para a Escrita do Cabo-Verdiano (ALUPEC) os alunos escrevem e leem em qualquer das variantes.

Cada ilha, segundo a professora, ensina a sua variante e exemplificou o caso dela que é de Santo Antão e leciona na variante da sua ilha.

“Tem uma gramática rica e a variante de Santo Antão em particular tem várias obras na variante da ilha e por exemplo temos o texto que já trabalhamos que é a historia de Ti Lobo e Ti Pede escrito na variante de Santo Antão no tempo do alfabeto etiológico. Tivemos uma evolução no nosso alfabeto tendo em conta que a Língua Cabo-verdiana é estudada desde o seculo XIX”, salientou.

Outrossim, Maria Assunção avaliou a implementação da disciplina de Língua Portuguesa de forma positiva e justificou que ela é a “nossa língua materna e a língua de afecto” em que as pessoas se sentem “à vontade” em expressar.

“Também podemos servir da nossa língua materna como estratégia para aprender outras disciplinas. É importante aprender a língua materna porque ela nos ajuda a aprender e ter conhecimento noutras áreas”, pontuou.

Por sua vez, a aluna da disciplina de Língua Cabo-verdiana Djanaina Silva disse que que escolheu a matéria porque queria “aprofundar e entender” mais sobre a língua materna.

“Não me arrependo desta escolha, pois nem imaginava que a nossa língua era tão rica”, enfatizou.

O Dia Internacional da Língua Materna é uma comemoração mundial anula realizada em 21 de Fevereiro para promover a conscientização sobre a diversidade linguística, cultural e multilinguismo.

Este foi anunciado pela primeira vez pela Unesco em 17 de Novembro de 1999, e foi formalmente reconhecido pela Assembleia Geral da Nações Unidas com a adoção da resolução 56/262 d ONU em 2002.

O Dia da Língua Materna faz parte de uma iniciativa mais ampla "para promover a preservação e proteção de todas as línguas usadas pelos povos do mundo", conforme adotado pela Assembleia Geral da ONU em 16 de Maio de 2007 na resolução 61/266 da ONU, que também estabeleceu 2008 como o Ano Internacional das Línguas. 

A ideia de comemorar o Dia Internacional da Língua Materna foi iniciativa de Bangladesh.

Ali, 21 de Fevereiro é o aniversário do dia em que o povo de Bangladesh então Paquistão Oriental lutou pelo reconhecimento da língua bengali. Também é comemorado em West Bengal, Índia.

LFS/AA

Inforpress/Fim

21-02-2024 14:55

Cidade da Praia, 21 Fev (Inforpress) – O Festival Azores Burning Summer, que acontece nos dias 30 e 31 de Agosto nos Açores, Portugal, celebra este ano o 10º aniversário com a cantora cabo-verdiana Mayra Andrade e uma noite dedicada inteiramente a Cabo Verde.

“Temos a imensa felicidade de partilhar contigo as primeiras novidades daquela que será a grande festa de celebração dos 10 anos do “Burning”. Mayra Andrade e Moullinex  LIVE são os nossos convidados especiais e a primeira noite do festival será inteiramente dedicada a Cabo Verde”, lê-se na página oficial do Festival Azores Burning Summer.

Mayra Andrade irá presentear o grande público com o seu mais recente trabalho “reEncanto”, acompanhada pelo compatriota Djodje Almeida na guitarra acústica.

O Azores Burning Summer nasceu com o propósito de celebrar a mítica Praia dos Moinhos e deixar um contributo positivo na sociedade através da promoção da sustentabilidade.

O “Burning” cresceu sem desvirtuar a sua identidade nem penalizar o lugar onde acontece, muito pelo contrário.

O festival apresenta um programa alternativo onde a qualidade e a diversidade das propostas são prioridade. Apostamos nas músicas do mundo como forma de unir as pessoas em torno de causas comuns.

TC/ZS

Inforpress/Fim

21-02-2024 13:31
21-02-2024 13:05

Cidade da Praia, 21 Fev (Inforpress) – O estudioso de Língua Cabo-verdiana Marciano Moreira considerou hoje, na cidade da Praia, que 50% das palavras em crioulo são faladas da mesma maneira em todas as variantes, e propõe um estudo “exaustivo” para padronização do crioulo.

Marciano Moreira falava à imprensa à margem do Webinar -Valor Patrimonial do Crioulo Cabo-verdiano, promovido pelo Instituto do Património Cultural (IPC) para celebrar o Dia Internacional da Língua Materna, assinalado anualmente a 21 de Fevereiro.

Para este ano, o lema versa sobre "Educação Multilingue - um pilar da aprendizagem intergeracional" e o linguista foi convidado a palestrar sobre o "Valor Patrimonial da Língua Materna em Cabo Verde e na Diáspora".

"No meu ponto de vista o caminho apropriado que se conjuga com o nosso sistema democrático, onde cada pessoa tem o mesmo valor e um voto, é aquele que parte da representatividade de cada realização lexical ou sintática e verifica a sua abrangência. Isso pressupõe estudar e realizar um levantamento exaustivo de todas as variantes, identificando primeiro as realizações que são comuns, ou seja, palavras faladas da mesma maneira, e o nosso fundo lexical atinge 50%, significando que metade das palavras em Cabo Verde é falada da mesma maneira”, enfatizou.

Posto isto, acrescentou, há que analisar as diferenças e determinar as outras realizações que podem não ter a maioria dos usuários, mas pode ser tomado como exemplo as duas realizações que têm mais usuários.

Por outro lado, debruçando sobre o valor patrimonial da língua crioula na diáspora, Marciano Moreira sublinhou que a diáspora cabo-verdiana só o é se apresentar as características de Cabo Verde que tem como um dos elementos a língua materna.

"Se a diáspora perder nossa língua, perderá um dos elementos principais. Para evitar essa perda, é importante que toda a diáspora, com o apoio do próprio Estado, tenha a consciência de que a língua cabo-verdiana é o principal elemento que nos une, que carrega nossa cultura e nos permite vivenciá-la", frisou o especialista.

Por seu turno, a directora do Património Imaterial, Carla Semedo, explicou que o lema 'Educação Multilingue - um pilar da aprendizagem intergeracional', escolhido para celebrar o Dia Internacional da Língua Materna este ano, consiste em perceber como, em todas as faixas etárias, a apropriação da língua está a ser vivenciada.

Afiançou ser necessário compreender as variações e alternativas quando se pensa nas variantes de línguas e como as pessoas criam alternativas além do oficial, tendo vincando que na diáspora percebe-se que há toda uma apropriação dependendo de cada realidade e que o crioulo está presente na Europa, América e África.

Quanto às variantes do crioulo, referiu que não é um impedimento para a oficialização da língua, mas há que ser gerido e trabalhar para que realmente possa ser criado uma uniformidade apesar das variações.

Ainda relativamente aos trabalhos desenvolvidos para a oficialização do crioulo, foram realizadas várias experiências piloto nas escolas primárias para o ensino do crioulo. Segundo Carla Semedo, o caminho é promissor para a implementação do crioulo em várias outras escolas.

TC/ZS

Inforpress/Fim

21-02-2024 12:49

Lisboa, 21 Fev (Inforpress) – O linguista e investigador alemão Hans-Peter Heilmair apontou os desafios enfrentados na preservação do crioulo como língua materna em Cabo Verde e indicou as iniciativas necessárias para promover seu reconhecimento e desenvolvimento contínuo.

Em declarações à Inforpress, em Lisboa, no âmbito do Dia Internacional da Língua Materna, hoje assinalado, Peter destacou a importância de integrar o crioulo no sistema educacional do país desde as etapas iniciais da escolarização.

O investigador enfatizou a necessidade, não apenas de ensinar a disciplina Crioulo, mas também de permitir que o ensino seja conduzido na própria língua crioula, uma abordagem que, segundo ele, reduziria os constrangimentos enfrentados por alunos e professores ao lidar exclusivamente com o português.

“Foi introduzido a disciplina Crioulo no 10º ano, agora está no 11º ano, mas não é só isso. Onde se deve a atacar é logo no início da escolarização, ensinado matérias em crioulo, mas também ensinar em crioulo para tirar todo esse constrangimento que existe junto dos alunos, e até dos professores, quando tudo tem que ser em português”, explicou.

Neste sentido, o linguista partilhou os objectivos do projecto bilíngue liderado por sua colega Ana Josefa, que demonstrou os benefícios de permitir que os alunos se expressem em crioulo, “aumentando sua autoestima e facilitando o aprendizado”, mas lamentou a falta de continuidade desse projecto devido à escassez de recursos financeiros.

“Isto é um trabalho que implica a criação de materiais didácticos e dinheiro, ou seja, um investimento que depois vale a pena, porque terá retorno, não nos primeiros dias, é claro, até porque o crioulo faz parte da identidade cultural e da coesão social das pessoas (…). Por isso que acho que dizer que temos que impedir que haja mais descriolização é mesmo defender a identidade cabo-verdiana e a coesão social”, defendeu.

Em relação à oficialização do crioulo, Peter argumentou que isso abriria novas oportunidades de desenvolvimento socioeconómico e cultural para Cabo Verde, tendo enfatizado que a oficialização não implicaria a exclusão do português, mas sim na garantia de que ambas as línguas fossem valorizadas e ensinadas de forma sistemática.

“Isso é muito complicado porque nós temos que primeiro chegar à conclusão qual vai ser o crioulo padrão, por causa das variantes. É uma questão que tem que ser atacada. Houve uma primeira tentativa, pouco depois da independência, durante o Colóquio do Mindelo, em 1979, em que se decidiu que o crioulo padrão seria a variedade de Santiago, o que causou celeuma (…). Temos que passar por um período em que haja pelo menos duas variedades principais, para satisfazermos o barlavento e o sotavento e todas as contingências culturais”, considerou.

Para o investigador, neste momento as pessoas deslocam-se, por exemplo, de São Vicente e outras ilhas, para a ilha de Santiago, devido à necessidade, resultando, lentamente, em um “intercâmbio linguístico entre as variedades, sem menosprezar a identidade muito forte, dessas variedades”.

Hans Peter, que há dois anos lançou o livro “Crioulo e Português em Cabo Verde – Um repto entre diluição e afirmação”, comparou a situação de Cabo Verde ao processo de uniformização, de forma rápida, da língua tétum, falada e escrita, em Timor-Leste.

Por isso, destacou a necessidade de se avançar com medidas concretas para promover o crioulo sem desconsiderar a importância do português como língua de comunicação internacional.

O Dia Internacional da Língua Materna é uma comemoração mundial anual realizada a 21 de Fevereiro, para promover a conscientização sobre a diversidade linguística e cultural e para promover o multilinguismo.

DR/ZS

Inforpress/Fim

21-02-2024 8:22

Ribeira Brava, 21 Fev (Inforpress) – A Câmara Municipal do Tarrafal de São Nicolau procedeu terça-feira, 20, ao lançamento da primeira pedra da obra de requalificação da Rotcha Scribida, uma das sete maravilhas do concelho.

O projeto enquadra-se no âmbito do programa de valorização turística e ambiental do vale de Ribeira Prata e Fragata, está orçado em dois mil contos e om um prazo de execução de seis meses.

Segundo o presidente da câmara do Tarrafal, José Freitas de Brito, trata-se de uma obra que terá “grande impacto” na comunidade, mas também é um “acto simbólico” que visa valorizar a história da localidade de Ribeira Prata.

“É um atrativo nacionalmente conhecido através da música Rotcha Scribida, mas também Ribeira Prata tem uma história única e, portanto, a valorização de este espaço será um atrativo turístico e não só”, concretizou a mesma fonte.

O autarca realçou ainda que no âmbito do programa de valorização das aldeias turísticas outras acções serão desenvolvidas na localidade, como a transformação da lavandaria local num centro de transformação de produtos.

O lançamento da obra foi presidido pelo ministro de Educação, Amadeu Cruz, que considerou o acto de valorização das tradições da localidade e da ilha.

“Por detrás de Rotcha Scribida há um conjunto de mitos e lendas que precisam ser valorizados na óptica de qualificação da oferta turística, na perspectiva de inclusão de valores identitários e culturais nesta oferta”, realçou.

A requalificação Rotcha Scribida está orçada em 2 mil contos, com um prazo de execução de seis meses, cujas obras estão a cargo da empresa Rotex.

WM/AA

Inforpress/Fim

21-02-2024 1:53

Cidade da Praia, 21 Fev (Inforpress) – A Associação da Língua Materna Cabo-verdiana (ALMA-CV) promove este sábado, 24, um debate alargado com especialistas estrangeiros e nacionais sobre a valorização da língua materna cabo-verdiana.

O fórum, de acordo com uma nota de imprensa, é realizado com a Universidade de Cabo Verde e visa promover um debate alargado, com a colaboração de especialistas nacionais e estrangeiros, que se têm dedicado a esta matéria, no âmbito do Dia Internacional da Língua Materna, que se assinala hoje, 21 de Fevereiro.

Segundo a nota, a conferência inaugural será proferida pelo linguista ganês Kofi Yakpo, que é professor de Linguística na Universidade de Hong Kong, salientando que a sua pesquisa versa a evolução das línguas em sociedades multilingues, com enfoque no continente africano e na diáspora africana.

A mesma fonte adianta ainda que o evento conta igualmente com a presença do Presidente da República, José Maria Neves, que também proferirá uma conferência na ocasião.

Durante o evento serão abordados temas como a institucionalização da língua crioula- perpectivas, política linguística actual e as suas consequências, desconstrução de ideias erradas- mitos sobre a língua cabo-verdiana.

A ALMA-CV foi criada em 2022 e é uma associação que visa “impulsionar a mudança de política linguística” no país e tem como membros linguistas, investigadores e profissionais de várias áreas, personalidades ligadas à promoção da língua cabo-verdiana, historiadores, artistas, entre outros.
O Dia Internacional da Língua Materna é celebrado anualmente em 21 de Fevereiro em todo o planeta.
Criada pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, em 17 de Novembro de 1999, o Dia Internacional da Língua Materna tem o objetivo de promover a diversidade linguística e cultura entre as diferentes nações.

Além disso, esta data também convida a todos os países membros da UNESCO e suas matrizes a refletirem sobre a preservação das particularidades linguísticas e culturais de cada sociedade.
 
CM/JMV
Inforpress/Fim

21-02-2024 1:40

Cidade da Praia, 21 Fev (Inforpress) – O poeta cabo-verdiano José Luiz Tavares insurgiu-se hoje contra o ressurgimento do “velho tropicalismo” à volta do crioulo cabo-verdiano, apesar de existir “uma vontade soberana popular e nacional forte” em prol da dignificação da língua cabo-verdiana.

“Não vai ser um processo fácil tudo o que é necessário fazer-se em termos institucionais e práticos pela língua cabo-verdiana, porquanto ao mesmo tempo que vemos uma vontade soberana popular e nacional forte em prol da dignificação da língua cabo-verdiana, vemos o ressurgimento do velho luso-tropicalismo”, afirmou o escritor em declarações à Inforpress, a propósito do Dia Internacional da Língua Materna, hoje assinalado.

“Um fantasma derrotado pela história, se bem que nestes dias nas bocas do mundo por via de um livro indigente, metódica e consteudisticamente, que não apresenta tese nenhuma, como quer o seu autor, mas limita-se a reafirmar marketeiramente uma conhecida doxa cultural com relação ao entendimento duma cabo-verdianidade plena e assumidamente descomplexada”, criticou.

Para José Luiz Tavares, esse “velho luso-tropicalismo” manifestou-se, tempo atrás, “através duma barriga de aluguer (pois todos conhecem a mão que engendrou o nascituro, ainda que fosse outra a parturiente) e que consistiu nessa aberração legislativa que foi a pseudo-aprovação do estatuto de património cultural nacional para a língua portuguesa de Cabo Verde”.

Sublinhando que a língua portuguesa em Cabo Verde é uma assinalável herança cultural derivada do processo histórico do arquipélago, o poeta diz, porém, que “não consentimos, não consentiremos, que velhos ou novos supremacistas linguísticos a venham brandir como estratégia ou factor de menorização da língua cabo-verdiana, língua do território, como a define a Declaração Universal dos Direitos Linguísticos, traduzida por ele para a língua cabo-verdiana.

“Com essa atitude provocatória e desesperada, os supremacistas linguísticos fomentam na mente dos jovens conscientes do processo histórico cabo-verdiano, orgulhosos das raízes e alicerces da sua identidade, um menosprezo e desafecto, a todos os títulos pernicioso, pela língua portuguesa”, disse, considerando que o efeito provocado por esses supremacistas linguísticos é “exactamente o oposto do pretendido” e que tem dado conta disso nos seus contactos locais com jovens e menos jovens.

O escritor defendeu que o “declínio da língua portuguesa em Cabo Verde” é uma perda cultural e civilizacional que não pode ser combatida com “atitudes supremacistas”.

“Oxalá essas atitudes supremacistas, nuns casos, e neocoloniais, noutros, não venham a redundar no que tem acontecido nalguns países da nossa sub-região africana, em países como o Mali e o Burkina Faso, onde a língua francesa passou de oficial a simples língua de trabalho. Não é desejável que isso venha a acontecer em Cabo Verde, pois seria uma perda irreparável e que nos empobreceria enquanto agregado civilizacional e humano”, vincou.

Contudo, disse que isso seja dito com toda a frontalidade: "os cabo-verdianos conscientes não fraquejarão no combate pela paridade constitucional, educacional e civilizacional entre a língua natural dos cabo-verdianos destas ilhas e a língua oficializada portuguesa, língua da administração e, por ora, a única dos actos e dos negócios do Estado".

JMV/HF

Inforpress/fim

21-02-2024 1:06

Cidade da Praia, 21 Fev (Inforpress) - O escritor cabo-verdiano José Luiz Tavares denunciou hoje, em entrevista à Inforpress, o que considera ser um “simulacro” e uma “fraude” no processo de introdução no ensino da língua cabo-verdiana.

“O processo de introdução no ensino é um simulacro e uma fraude à Constituição. Como é que é possível dignificar a língua cabo-verdiana colocando o seu ensino nos últimos anos do secundário, como matéria opcional, sem professores formados para tal?”, questionou o poeta e tradutor de Camões, Fernando Pessoa e da Declaração Universal dos Direito Humanos para a língua cabo-verdiana.

Para José Luiz Tavares, ao proceder-se dessa forma, dá-se a ideia que há um intuito de fazer com que os resultados alcançados não sejam satisfatórios e, desse modo, com base nisso, encontrar-se um “alibi para postergar para um futuro incerto a sua introdução plena no ensino”.

Em declarações hoje à Inforpress, Dia Internacional da Língua Materna, o mais premiado poeta cabo-verdiano considerou que em termos institucionais Cabo Verde não deu um único passo em frente.

“Pudera! se um dos conselheiros do primeiro-ministro é um dos maiores reacionários linguísticos em matéria da língua materna cabo-verdiana”, ironizou.

E prosseguiu: “Não se pode perguntar a um ser humano se ele quer aprender a sua língua, ou se ele quer ser livre: é uma pergunta ilegítima, porque o homem nasce livre, e a primeira manifestação dessa liberdade é capacidade de ele exprimir a sua mundividência por escrito ou oralmente na sua língua natural”.

O processo do ensino massivo da língua materna, acrescentou, tem que começar com a formação de professores e investigadores, e com a introdução em todos os cursos das universidades públicas cabo-verdianas uma disciplina de introdução aos estudos da língua cabo-verdiana ou cabo-verdiano elementar, e negociar com as universidades privadas também a sua introdução.

Defendeu que nos concursos para lecionação nas universidades devia haver o quesito do domínio formal escrito da língua cabo-verdiana, “que é uma forma de incentivar os professores” a aprender formalmente a língua cabo-verdiana.

“Aliás, a Universidade de Cabo Verde devia ter cursos de língua cabo-verdiana em horário pós-laboral para os seus docentes, cuja esmagadora maioria não domina formalmente a sua língua natural”, observou.

JMV/CP

Inforpress/fim

20-02-2024 12:52

Cidade da Praia, 20 Fev (Inforpress) –  O diretor-geral do Atlantic Music Expo (AME), Gugas Veiga, anunciou hoje, na cidade da Praia, que a organização desta feira mundial de música já está sediada no Palácio da Cultura Ildo Lobo.

Gugas Veiga falava à Inforpress sobre os preparativos do AME 2024, que acontece de 01 a 04 de Abril, na capital cabo-verdiana, e está orçado em cerca de 20 mil contos.

No ano passado, a organização do AME solicitou ao Ministério da Cultura um espaço próprio para incubação, visando aprimorar os preparativos deste evento, considerado hoje um “marco” cultural de Cabo Verde e possibilitar uma abordagem “mais” profissional.

O evento que está em sua 10ª edição tem tomado uma proporção “gigante”, tendo já passado, segundo o director-geral, mais de 700 músicos, mais de 200 bandas e artistas, mais de 200 jornalistas nacionais e internacionais, daí a necessidade de aperfeiçoar a cada ano.

"Já estamos incubados, recebemos a chave do espaço há cerca de duas semanas e neste momento estamos mobiliando o local. O espaço será de grande valia, pois teremos um local fixo para trabalhar durante o ano inteiro. É algo que nunca tivemos antes, sempre fizemos nosso trabalho a partir das nossas casas ou dos escritórios de cada membro da organização", enfatizou Gugas Veiga.

Normalmente, explicou, uma semana antes do evento, os membros do AME reuniam-se no Palácio da Cultura Ildo Lobo, para ultimar os preparativos, e dividiam o escritório com outros funcionários, uma situação um pouco complicada”, como caracterizou.

Agora poderão desenvolver um trabalho mostrando maior profissionalismo, podendo contratar profissional em tempo integral para gerenciar o escritório e lidar com os assuntos burocráticos do dia-a-dia.

“Ter o nosso próprio espaço nos dá outro tipo de autonomia e permite-nos, com alguma antecedência e durante todo ano, ter um local de trabalho adequado e vai nos permitir contratar uma pessoa para trabalhar a nível de secretariado o que nos vai ajudar, e muito, no nosso trabalho”, vincou Gugas Veiga para quem o cartaz do AME 2024 está a ser concluído.

Ressalva-se que, na 9ª edição do AME, participaram 515 delegados entre os quais 80 músicos nacionais e internacionais, 120 artistas em 26 actuações de 15 nacionalidades, 50 jornalistas nacionais e internacionais de 23 nacionalidades e 60 profissionais da área musical que foram convidados pela organização.

TC/HF

Inforpress/Fim

20-02-2024 11:27

Cidade da Praia, 20 Fev (Inforpress) – O Palácio da Cultura Ildo Lobo, cidade da Praia, acolhe este sábado, 24, pelas 19:00, o concerto do Cachupa Psicadélica – alter ego artístico de Lula´s, que é um dos integrantes do grupo.

Numa produção da InSulada, Cachupa Psicadélica tem habituado o público com momentos de “clara vanguarda e enorme visão alternativa” da música de Cabo Verde.

 “Criador de experiências musicais, é experimental na medida certa – o que faz com que consigamos criar em nós os ambientes necessários”, notou a Insulada sobre Lula´s numa nota enviada à Inforpress.

Conforme a mesma fonte, tudo é feito com base em informações sonoras de origem múltipla, que passam pelo som de Seattle e incorporam elementos do rico oásis de guitarras da África - os sons do Mali. Contudo, tudo isso é fundamentado em uma tela produzida em Cabo Verde e forma o som - Cachupa Psicadélica - que o próprio define como: “música para fazer fotossíntese”.

As cordas que darão som ao “Patio Txon di Morgado” serão marcantes, pelo que todos estão convidados a uma viagem baseada no ambiental-electro, no dia 24 de Fevereiro.

Em Portugal o nome de Cachupa Psicadélica é a marca de uma geração que se foi impondo e propondo fusões musicais e que por tal ganhou vários palcos portugueses e Festivais dos mais renomados.

TC/ZS

Inforpress/Fim

20-02-2024 9:44

Lisboa, 20 Fev (Inforpress) – O linguista alemão Hans-Peter Heilmair, um entusiasta da cultura e língua cabo-verdianas, destacou a importância da língua materna de Cabo Verde, indicando que é preciso promover e preservar a mesma dentro e fora do país.

Em declarações à Inforpress, em Lisboa, no âmbito das comemorações do Dia Internacional da Língua Materna, assinalado a 21 de Fevereiro, Hans-Peter explicou que se envolve activamente na cena cultural de Cabo Verde, combinando suas habilidades como guia turístico com seu profundo interesse pela língua crioula.

“O que mais gosto de fazer e onde me empenho mais é a promoção da língua cabo-verdiana. E como é que faço isso? Eu dou aulas aqui na Associação Cabo-verdiana de Lisboa [ACV] há oito anos. E depois faço pesquisa sobre a situação do crioulo frente ao português em Cabo Verde, ou seja, o lugar que cada uma das línguas ocupa e os problemas que as duas línguas enfrentam”, explicou.

Hans Peter disse que é com o objectivo de promover uma compreensão mais profunda do crioulo entre os originários da Alemanha, Suíça e Áustria que oferece visitas guiadas para esses turistas em Cabo Verde, proporcionando-lhes uma experiência autêntica e enriquecedora.

No entanto, o linguista garantiu que é no campo da educação e pesquisa linguística que se esforça, nomeadamente nas aulas que ministra na ACV, buscando não apenas ensinar o crioulo, mas também analisar sua posição em relação ao português em Cabo Verde.

Hans Peter indicou que a sua pesquisa abrange uma variedade de tópicos, desde a dinâmica linguística até os desafios enfrentados pelo crioulo no contexto actual, tendo esclarecido que o seu livro que lançou com o título “Crioulo e Português em Cabo Verde – Um repto entre diluição e afirmação”, aborda a interacção entre o crioulo e o português, demonstrando seu compromisso em contribuir para a preservação e promoção do crioulo.

“Há dois anos publiquei um livro sobre a temática do crioulo e o português, e tenciono, através de várias actividades, sobretudo em Cabo Verde, chegar a uma conclusão e poder contribuir para travar o processo da descriolização (…). Quero contribuir para que seja possível dar espaço a cada língua e para que elas estejam em condições de serem distinguidas”, disse.

Segundo o investigador, muitas vezes, as pessoas, sobretudo na área formal, como na comunicação social, têm a tendência, quando falam ou escrevem em crioulo que fiquem muito próximas do português, ou seja, “há a tendência é colar o crioulo ao português”, o que, na sua opinião, “faz com que o crioulo perca muito da sua plasticidade da sua potencialidade e criatividade”.

Neste sentido, explicou que os seus esforços não se limitam ao ensino e à pesquisa, já que também trabalha com jornalistas e estudantes de jornalismo em Cabo Verde para sensibilizá-los sobre a importância de preservar a identidade linguística do arquipélago e incentivando-os a explorar a riqueza e a diversidade do crioulo nas suas práticas profissionais.

O investigador destacou a importância de manter a distinção entre o crioulo e o português, “desafiando a tendência de marginalização do crioulo na comunicação formal”, reiterando a necessidade de preservar o crioulo face à crescente “ameaça de descriolização”, enfatizando a sua importância como parte integrante da identidade nacional de Cabo Verde.

Além de suas actividades educacionais e de pesquisa, com os turistas alemães, Hans Peter tem promovido o crioulo, organizando programas de formação cultural que oferecem uma visão abrangente da vida e da cultura em Cabo Verde, assegurando que essas experiências têm “impactado positivamente” os participantes, ampliando a sua compreensão e apreciação da cultura e língua crioulas.

O Dia Internacional da Língua Materna é uma comemoração mundial anual realizada para promover a conscientização sobre a diversidade linguística e cultural e para promover o multilinguismo.

DR/ZS

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20-02-2024 8:10

Cidade da Praia, 20 Fev (Inforpress) - Os escritores Germano Alameda e Joaquim Arena são os cabo-verdianos convidados para participar na edição deste ano do Festival Correntes d’Escritas, que decorre na Póvoa de Varzim (Portugal), até o dia 25.

A liberdade, a democracia e a importância da escrita enquanto arma de luta e resistência são, este ano, o mote para o Correntes d’Escritas – Encontro de Escritores de Expressão Ibérica, que recebe mais de 120 figuras literárias, de 16 nacionalidades, entre autores, tradutores, ilustradores, editores, artistas visuais e pensadores, dos quais 31 se juntam ao evento pela primeira vez.

De acordo com a organização, esta será uma edição comemorativa, “não só pelos 25 anos de Correntes d’Escritas, mas também pelos 50 anos da elevação da Póvoa de Varzim a cidade e do 25 de Abril, motivo pelo qual o programa está centrado na liberdade e na escrita enquanto veículo de resistência e luta”, temática que irá refletir-se nas 11 Mesas. 

A agenda divulgada contempla ainda cerca de 70 autores, 40 lançamentos de livros, de entre os quais um do cabo-verdiano José Luiz Tavares, e o 1º Encontro de Tradutores, além da formação de professores, visitas dos escritores às escolas, concertos, residências literárias, performances, exposições, itinerâncias pelas juntas de freguesia, cinema, intervenções nas montras do comércio local e a tradicional feira do livro.

A abertura oficial do evento será, como habitualmente, no Casino da Póvoa, às 11:00 de quarta-feira, 21, momento em que serão anunciados os vencedores dos prémios literários, com destaque para o Prémio Literário Casino da Póvoa, este ano no valor de 25 mil euros.

Nesse mesmo dia, às 15:00, na sala principal do Cine-Teatro Garrett, decorrerá a conferência de abertura sobre “Literatura e Filosofia”, pelo orador convidado José Gil.

Haverá também, este ano, a 5ª edição do Curso de Formação para Professores, Educadores e Professores Bibliotecários – Correntes em Rede.

Esta iniciativa, que conta com a colaboração da Rede de Bibliotecas Escolares e do Centro de Formação de Professores dos concelhos da Póvoa de Varzim e Vila do Conde, decorrerá entre os dias 20 e 24 de Fevereiro e será dedicada ao tema “Verbos de criação e colheita: ler, aprender e compreender, colaborar, semear e deixar crescer”.

O vice-presidente da Câmara Municipal de Póvoa de Varzim, Luís Diamantino, fez um balanço destes últimos anos: “mais de 200 mil pessoas, mil escritores e 500 livros lançados neste que é o maior evento literário da Península Ibérica, curiosamente (ou não) realizado na Póvoa de Varzim”.

JMV/AA

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19-02-2024 20:02

Cidade da Praia, 19 Fev (Inforpress) – A artista cabo-verdiana Nancy Vieira lança no dia 15 de Março o álbum “Gente” com estreia num concerto agendado para o dia 08 de Março, no Teatro São Luís, em Lisboa, Portugal.

De acordo com uma nota enviada à Inforpress, Acácia Maior, Fogo Fogo, Remna, Mário Lúcio, Paulo Flores e Amélia Muge são alguns dos nomes confirmados que vão subir ao palco com Nancy Vieira na data marcada.

“Com os pilares da música tradicional de Cabo Verde, mas a respirar contemporaneidade, ‘Gente’ conta com um conjunto de participações especiais onde o nível máximo de simbiose nos conduz ao prazer de nos deixarmos perder numa noite estrelada com a garantia de que a voz de Nancy Vieira é a estrela polar que nos aponta o norte” lê-se na nota.

O tema, com letra e música do também artista Mário Lúcio, faz uma “declaração de amor” à volta dos 14 temas que envolveram a produção entre Nancy Vieira, Amélia Muge e José Martins.

Gente, o seu novo álbum, sucede a Manhã Florida, trabalho que já data de 2018, e traduz uma "assinalável ambição artística", cujo título é um trabalho de encontros, de histórias, ideias, balanços e, sobretudo, de pessoas.

Nancy Vieira nasceu na Guiné-Bissau, em 1975, é filha de pais cabo-verdianos, tendo crescido em Cabo Verde desde os 3 anos, antes de emigrar para Portugal onde continua a residir.

LT/HF

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19-02-2024 17:10

Porto Novo, 19 Fev (Inforpress) – O espaço da Aldeia Cultural “Nós Raiz”, na cidade do Porto Novo, em Santo Antão, é um dos palcos que vão receber espectáculos de Fantcha no âmbito das comemorações dos 40 anos de carreira desta cantora cabo-verdiana.

A Sociedade Cabo-verdiana de Autores e a Câmara Municipal do Porto Novo anunciaram hoje que Fantcha estará sábado, 24, na Aldeia Cultural “Nós Raiz” para o espectáculo, em que vai ser acompanhada do músico Bau e banda.

Através de um convite a que a Inforpress teve acesso, as duas entidades incitam os porto-novenses a presenciar o concerto que está a ser preparado para levar as pessoas “a viajar no tempo e deliciar uma das vozes que muito contribui para o enriquecimento da nossa cultura”.

Fantcha, de seu nome Francelina Durão de Almeida, nasceu em 1965, no Mindelo, sendo uma das mais prestigiadas cantoras cabo-verdianas de mornas e coladeiras.

JM/HF

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19-02-2024 16:48

Mindelo, 19 Fev (Inforpress) – O antropólogo Manuel Brito Semedo desafiou os investigadores a apresentarem outras hipóteses sobre a origem da identidade cabo-verdiana e reiterou que não há uma monogénese, mas sim dois caldeirões que contribuíram para a formação da cabo-verdianidade.

Manuel Brito Semedo lançou este desafio, no último fim-de-semana, em São Vicente, durante a apresentação do seu livro “Cabo Verde Ilhas Crioulas – Da Cidade Porto ao Porto Cidade (Séc. XV-XIX)”.

Conforme a mesma fonte, passados 20 anos do seu doutoramento e perante a conjuntura actual com uma série de questões, nomeadamente, com a nova tese de pós-doutoramento de António Correia e Silva, “Noite Escravocrata - Madrugada Camponesa”, e alguns programas de televisão, viu que era chegada a altura de fazer essa reflexão sobre a identidade cabo-verdiana. Isto, explicou, olhando para a geração futura e para a geração dos seus netos. 

Segundo o antropólogo a identidade é algo que não pode ser decretada, não pode ser determinada, mas é uma construção e vai-se alterando. E reforçou que a noção de que há uma única génese, há um berço, há um tipo de pessoa que deu origem às outras pessoas em Cabo Verde “não é bem assim”.

Manuel Brito Semedo, que disse que já tinha manifestado a sua discordância com a tese de António Correia e Silva aquando da apresentação do recente livro do historiador no Fogo, voltou a defender que o processo da história de Cabo Verde dá-lhe para perceber que houve dois momentos marcantes.

O primeiro, explicou, foi quando Cabo Verde se ligou ao mundo na era da Cidade Velha e o segundo com o Porto Grande.

“São esses dois momentos que fazem com que haja dois caldeirões que fazem formar a nossa cabo-verdianidade e a nossa identidade. Não são as mesmas pessoas. Veio gente de Santiago sim, veio gente do Fogo, mas nós tivemos outras pessoas, sobretudo no séc. XIX, quando as últimas ilhas (São Vicente e Sal) foram povoadas numa ocasião em que ainda nem existia o canal de Suez porque o canal de Suez foi inaugurado em 1869. Mas nós já tínhamos o porto”, defendeu.

No entender de Manuel Brito Semedo, a passagem de gente e misturas, de sotaques e gentes das outras ilhas recomeçou com um outro tipo de povoamento, a partir da falência da Ribeira Grande, mostrando um outro quadro.

“É isso que nós precisamos entender. Porque quando chegamos ao séc. XIX, que é um período riquíssimo para a história de Cabo Verde e a história geral de Cabo Verde, o documento só vai até o séc. XVIII, deixar esse espaço para se investigar.  E tem havido alguma investigação por temas e eu achei que dava para nós percebermos isso e darmos um contributo”, afirmou.

Conforme o antropólogo, quando se chegou à altura da independência, o que se fez foi anunciar, declarar e decretar que “os cabo-verdianos escolheram livremente o seu destino africano pelo que, a partir desse momento, “começou-se a implementar a reafricanização dos espíritos”.

“E existe um discurso único, uma orientação única e a história tem sido defendida desta forma. Esta é a questão. Eu tenho uma hipótese. Há dois caldeirões da formação da sociedade cabo-verdiana. E a tese é que nós somos uma sociedade crioula. As ilhas são-tomenses são ilhas africanas, mas nós não somos ilhas africanas. E eu não estou a falar no sentido geográfico. Estou a falar no sentido antropológico para explicar que a nossa identidade é uma identidade crioula”, reiterou, acrescentando que é preciso deixar a ideia de que houve um berço, um momento, umas pessoas, um grupo porque, não é verdade.

“Nós temos uma diversidade. Isto é que é a riqueza de Cabo Verde”, defendeu Manuel Brito Semedo, acrescentando ainda que, na segunda parte do livro, procura mostrar vários aspectos, nomeadamente, o pano de terra tomado como símbolo da cabo-verdianidade.

“Não é verdade isso. Nós sempre tivemos o xaile, porque é que foi apagado o xaile? Porque é português, porque é europeu”, argumentou, acrescentando que Darwin, aquando da sua passagem em 1832 em Santiago e em São Domingos, descreve um batuque, na visão de quem vem de fora, como é que as pessoas estavam vestidas.

“Estou a dar um exemplo, entre outras coisas. Esta é a minha tese. Agora podem atirar pedradas, mas não acertam em mim. Escrevam e apresentem outras teses e outras hipóteses. Este livro é um grande contributo que eu estou a dar a Cabo Verde, a São Vicente e às minhas netas que são crioulas, americanas, argentinas.  Se as pessoas não perceberam isso fico com pena”, arrematou o antropólogo iniciou o seu livro a destacar as letras da coladeira “Nôs Raça, escrita em 1978 por Manuel d´Novas”.

CD/HF

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19-02-2024 12:31

Lisboa, 19 Fev (Inforpress) – A artista cabo-verdiana residente nos Estados Unidos da América (EUA) Maribel Veiga lançou o seu primeiro single “Mi Só” (sozinha, em português) com “grande emoção e significado” pessoal em homenagem ao pai falecido.

Em entrevista à Inforpress, Maribel Veiga explicou como foi criar esse trabalho e expressou a sua alegria por finalmente lançar seu primeiro single, já disponível em todas as plataformas digitais.

“Estou muito feliz por lançar o meu primeiro single. Lançar uma música é o concretizar de um sonho que tenho desde criança, e estou certo que a pequena Maribel ficaria muito orgulhosa de mim neste momento”, revelou a cantora.

Segundo a cabo-verdiana natural de Santa Catarina, interior da ilha de Santiago, a motivação para este projecto específico veio de um “lugar profundo” do seu coração, frisando que a música, intitulada “Mi Só”, transmite uma “mensagem tocante” sobre a efemeridade da vida e a importância de se valorizar os entes queridos enquanto se pode.

“Quem me inspirou a trabalhar neste projecto foi o meu pai, por isso trata-se de uma homenagem a ele e o lançamento foi no dia 30 de Janeiro, data do seu falecimento”, explicou, partilhando história “dolorosa” da batalha de seu pai contra o cancro e como essa experiência moldou essa música.

Conforme Maribel Veiga, apesar dos desafios emocionais enfrentados durante a criação da música, ela perseverou, indicando que “foi desafiador abordar os momentos dolorosos” referentes à perda do meu pai que faleceu em 2015, aos 51 anos.

“Por vezes, tive que fazer pausas e, posteriormente, retomar o processo de escrita. No entanto, finalmente, penso que obtive um bom resultado (…). A mensagem da música é alertar as pessoas de que a vida é bastante curta, e que num instante a pessoa com quem nos importamos pode partir, deixando-nos apenas com as memórias partilhadas", explicou Maribel Veiga.

Para a artista, a música não serve apenas como uma expressão pessoal da sua perda, mas também como uma forma de transmitir lições de vida para as pessoas.

“Há uma sensação de desejar ter passado mais tempo com o meu pai e de ter feito perguntas que hoje nunca poderei fazer. Assim, esta música serve como uma forma de transmitir para os outros as lições e aprendizados que esta experiência me proporcionou”, afirmou.

Ao ser questionada sobre suas influências musicais, o artista destacou Kim Alves e Nancy Vieira, ambos “importantes figuras” na cena musical cabo-verdiana, tendo expressado a sua gratidão por ter tido a oportunidade de colaborar com Kim Alves e compartilhar a música de Nancy Vieira foi uma inspiração para ela, especialmente em relação à perda paterna.

“Eu espero que o público aprecie a música em todos os aspectos, especialmente que a mensagem da canção toque os seus corações”, manifestou.

Quanto ao futuro, a artista revelou planos de continuar lançando músicas, participar em eventos musicais e colaborar com outros artistas.

“Quero continuar a criar músicas que inspirem e encorajem outras pessoas. Além disso, adoraria colaborar com outros artistas e pisar os grandes palcos de Cabo Verde e do mundo”, concluiu.

DR/AA

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19-02-2024 10:42

Cidade da Praia 19 Fev (Inforpress) – O artista e compositor cabo-verdiano Djodje tem já nas plataformas digitais o seu mais novo single intitulado “Tentason” (tentação em português).

Informação avançada hoje pela assessoria do cantor explica que “Tentason” captura a essência da tentação, exaltando o elemento do fogo como uma metáfora poderosa para o perigo e a atração.

Com uma batida “pulsante e letras envolventes”, o single promete envolver os ouvintes em uma jornada sonora única, onde o calor da paixão se mistura com a electricidade do ritmo, realça a mesma fonte.

Djodje é conhecido por sua “habilidade” em criar hits que transcendem fronteiras culturais, une influências diversas neste novo lançamento, resultando em uma sonoridade “fresca e inovadora” que já está a conquistar uma ampla audiência global.

Conhecido por sucessos como “Txukinha”, “Namora Comigo” “Beijam”, “Bu Ka Speraba” entre muitos outros, Djodje mais uma vez demonstra sua habilidade em criar uma fusão irresistível de sonoridades, desta vez, combinando elementos Afro, R&B e Pop em uma produção verdadeiramente cativante.

“Djodje mais uma vez prova ser um mestre na arte de criar experiências sonoras que transcendem o convencional, prometendo mais um sucesso inesquecível com este novo lançamento”, acrescentou a assessoria do músico.

“Tentason” lançado há dois dias, conta com mais de 78 mil visualizações no youtube.

TC/ZS

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