Cidade da Praia, 27 Jun (Inforpress) – A rua pedonal da cidade da Praia transformou-se hoje num cenário de saúde e brincadeira, uma iniciativa organizada no âmbito do mês da criança com o objectivo de prevenir patologias e detectar problemas precoces.
Brincar aos médicos para perder o medo da “bata branca”, foi, segundo a pediatra Neusa Carvalho, uma das grandes atracções do evento em que o espaço interativo levou as crianças a inverter os papéis e assumir o papel de médicos e enfermeiros.
“As crianças consultaram as suas próprias bonecas e colegas de brincadeira e o objectivo pedagógico é eliminar o medo dos profissionais de saúde, muitas vezes alimentado pelos próprios pais”, explicou a pediatra.
Além do combate ao medo da “bata branca”, a feira ofereceu consultas, exames de rotina (como testes de glicemia, medição da tensão arterial e avaliação de peso e altura), actividades lúdicas de leitura, jogos e uma exposição de medicamentos.
A nível clínico, a feira funcionou como uma rede de rastreio crucial para a saúde pública local e ajudou a identificar problemas silenciosos do quotidiano.
Um dos principais focos foi a obesidade infantil em que as crianças identificadas com excesso de peso nos rastreios, segundo a pediatra, seriam encaminhadas para consultas da especialidade.
A equipa médica aproveitou ainda para sensibilizar as famílias sobre os cuidados sazonais necessários em Cabo Verde, especialmente no que toca às infecções dermatológicas, muito frequentes nas épocas de maior calor.
Neusa Carvalho lembrou que o perfil epidemiológico de Cabo Verde acompanha a tendência mundial com as infecções respiratórias agudas a lideram as estatísticas, seguidas pelas gastrointestinais e dermatológicas.
Perante este cenário, a especialista deixou um apelo aos pais para que façam uma melhor gestão das urgências hospitalares, informando que em caso de sintomas ligeiros, as famílias devem recorrer primeiro aos centros de saúde da sua área, evitando o congestionamento desnecessário do banco de urgência do hospital principal.
O evento serviu também de plataforma para alertar sobre a segurança em casa, uma vez que os acidentes domésticos continuam a ser uma das principais causas de admissão nas urgências pediátricas.
A pediatra apontou as quedas de varandas sem proteção e de escadas sem corrimão como as falhas de segurança mais graves.
Deixou ainda um alerta contra a falta de supervisão de menores e o hábito perigoso de armazenar produtos químicos, desinfetantes ou lixívia em garrafas de água.
“As crianças ingerem os líquidos por engano, resultando em intoxicações graves”, concluiu.
A Feira de Saúde Infantil foi promovida pelo Hospital Universitário Agostinho Neto, através do seu serviço de Pediatria.
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