Porto Novo, 05 Nov (Inforpress) – O projecto Terras Vivas prevê a realização na ilha de Santo Antão de um curso profissionalizante em ecoturismo e gestão dos espaços rurais, ministrado pelo Instituto das Ciências e Tecnologias Agrárias, soube-se hoje junto dos promotores.
O projecto Terras Vivas, financiado pela União Europeia e pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO, é promovido pelas organizações não-governamentais Centro de Estudos Rurais e Agrícolas Internacional (CERAI) e Associação dos Amigos da Natureza (AAN), que garantiram a realização do curso profissionalizante.
O coordenador do CERAI, Adriano Palma confirmou que o curso vai ser implementado no âmbito do projecto Terras Vivas e ministrado pelo Instituto das Ciências e Tecnologias Agrárias de Santo Antão.
A presidente deste instituto, Isaurinda Baptista, explicou recentemente que já estão em marcha os preparativos para a realização deste curso para “formar técnicos que possam desenvolver serviços para os turistas em áreas de elevado valor natural e paisagístico”.
No quadro ainda deste projecto, está a ser preparada a candidatura de Santo Antão aos Sistemas Importantes do Património Agrícola Mundial (SIPAM), cujo dossiê ficará pronto em 2027.
Este projecto tem estado, ultimamente, a realizar diagnósticos participativos nos três parques naturais de Santo Antão e respectivas zonas de amortecimento, no âmbito do processo de identificação do sistema agrícola Santo Antão.
O projecto Terras Vivas incide as acções na promoção e valorização do património natural, agrícola e comunitário desta ilha, contribuindo para a conservação ambiental e a criação de novas oportunidades, através do turismo sustentável.
O processo de candidatura de Santo Antão aos SIPAM, que conta com o apoio técnico e financeiro da FAO, estará concluído em 2027, segundo promotores desta iniciativa.
Esta candidatura está a ser preparada por fases, passando pela realização dos diagnósticos participativos do sistema agrícola, levantamento e análise de dados, a capacitação institucional e comunitária e pela elaboração e consolidação do dossiê de candidatura.
Os SIPAM são paisagens esteticamente deslumbrantes que combinam a biodiversidade agrícola com ecossistemas resilientes e património cultural valioso.
A FAO acredita que a ilha de Santo Antão, que é caracterizada por sistemas agrícolas em terraços atlânticos, com culturas de sequeiro como milho e feijão, e culturas irrigadas como cana-de-açúcar, banana, frutas, tubérculos e hortícolas, reúne as condições para ser um SIPAM.
No mundo, há 95 SIPAM em 28 países, sendo que apenas quatro pertencem a países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (Brasil, São Tomé e Príncipe e Portugal).
JM/ZS
Inforpress/Fim