Nova Sintra, 28 Ago (Inforpress) – A munícipe Marlice Andrade manifestou hoje o seu descontentamento face ao concurso público promovido pela autarquia para a exploração de espaços comerciais municipais, entre os quais a lanchonete situada na Praça Matilde, em Fajã d’Água.
Em declarações à Inforpress, Marlice Andrade defendeu que os jovens da ilha da Brava não estão a ser devidamente valorizados, apesar dos esforços feitos para obter formação e criar oportunidades de negócio na própria ilha.
“Sou privilegiada por ser formada na área de padaria e pastelaria. Mesmo sendo na nossa ilha, o curso não foi fácil, pois iniciámos cerca de 26 alunos, mas somente 12 terminaram. Por isso, penso que seria justo pôr em prática o que aprendemos, tendo negócios aqui, para fazer valer o nosso esforço e também desenvolver o município”, afirmou.
A munícipe explicou que viu na lanchonete da Praça Matilde, em Fajã d’Água, uma oportunidade para iniciar o seu próprio negócio e que chegou a entregar documentação à edilidade, com o objectivo de ser contactada quando o concurso fosse aberto.
No entanto, segundo a mesma fonte, o concurso foi aberto sem que lhe tivessem sido comunicados os procedimentos para o aluguer do referido estabelecimento.
“O concurso deveria ser esclarecedor e não deixar pesar a cor partidária. A autarquia não está a ter em conta o esforço de um jovem, mas sim a cor partidária. Isso já tenho provas suficientes”, afirmou.
A munícipe acrescentou que tentou obter informações junto de funcionários da instituição, mas, segundo disse, não conseguiu esclarecimentos sobre os procedimentos necessários para apresentar a candidatura.
Outro motivo de contestação apontado por Marlice Andrade prende-se com o facto de, segundo afirmou, o vencedor do concurso para a lanchonete de Fajã d’Água já possuir um estabelecimento comercial naquela localidade.
“O mais triste é que o vencedor do ‘concurso dito realizado’ já possui um estabelecimento comercial na referida localidade, e o correcto, penso, seria dar oportunidade a outros jovens que querem criar o seu negócio”, defendeu.
Para Andrade, a situação demonstra as dificuldades enfrentadas pelos jovens para encontrar oportunidades de investimento na ilha.
“É uma situação triste e lamentável. Nós, os jovens, temos como solução sair desta ilha e ir investir ou trabalhar nas outras ilhas vizinhas, uma vez que o poder local só funciona com a cor partidária”, lamentou.
Em resposta às acusações, o presidente da Câmara Municipal da Brava, Amândio Brito, esclareceu que o concurso público abrangeu três espaços comerciais municipais: a lanchonete do Polidesportivo, na localidade de Nossa Senhora do Monte, a lanchonete da Praça Matilde, em Fajã d’Água, e a lanchonete do Centro Comercial, em Nova Sintra.
Segundo o autarca, o concurso foi lançado com o objectivo de garantir transparência, seriedade e o cumprimento das normas legais.
Amândio Brito explicou que o concurso esteve aberto de 13 a 30 de Julho, tendo os respectivos editais sido afixados e a informação publicada na página oficial da Câmara Municipal.
“O concurso foi dado a conhecer publicamente. Demos tempo suficiente para que todos e qualquer um participassem no concurso, independentemente da cor política, seja ela branca ou preta, sem qualquer preferência”, assegurou.
De acordo com o presidente, no caso das lanchonetes de Fajã d’Água e de Nova Sintra foi apresentada apenas uma candidatura para cada espaço, enquanto para a lanchonete de Nossa Senhora do Monte foram apresentadas três candidaturas.
Brito salientou ainda que a avaliação das candidaturas foi realizada por um júri independente, sem ligação à instituição, tendo sido seleccionados os candidatos considerados mais qualificados.
“No caso da lanchonete de Fajã d’Água, com a apresentação de apenas um candidato, por via legal e de acordo com aquilo que a lei estabelece, é óbvio que o candidato que se apresentou venceu”, explicou.
O autarca rejeitou, assim, qualquer acusação de discriminação ou favorecimento político no processo.
“Definitivamente, que fique claro que não houve discriminação de ninguém, nem tentativa de privilegiar ninguém. Os três candidatos vencedores foram escolhidos por um júri isento da autarquia”, garantiu.
“Esta autarquia continuará a trabalhar com base na legalidade, transparência, verdade e seriedade. Nada fará esta equipa para se desfocar destes princípios”, afirmou.
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Inforpress/ Fim