II Encontro Internacional de Mulheres Autarcas marcado pela criação da Rede Cabo-verdiana

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II Encontro Internacional de Mulheres Autarcas marcado pela criação da Rede Cabo-verdiana
12/03/26 - 06:49 pm

Cidade da Praia, 12 Mar (Inforpress) – A criação da Rede de Mulheres Autarcas Cabo-verdianas e o reforço da participação feminina nos cargos de decisão marcam o II Encontro Internacional de Mulheres Autarcas de Cabo Verde, Moçambique e Galiza, que decorre hoje e sexta-feira, na Praia.

Em declarações à imprensa, Clara Marques destacou a importância do encontro, considerando que representa um momento histórico para o fortalecimento da participação das mulheres na política local, com a criação da rede de mulheres autarcas, que deverá servir de espaço de reflexão e articulação entre eleitas.

“O segundo encontro é muito importante, é um marco histórico para nós, porque realmente é pela primeira vez que a rede de mulheres autarcas é criada e foi nessa perspetiva que nós estamos a criar essa rede, que efetivamente vai apoiar-nos muito”, afirmou.

Para Clara Marques, esta rede permitirá promover o debate e definir estratégias que incentivem mais mulheres a assumirem cargos de liderança, sobretudo ao nível das autarquias.

A responsável defendeu ainda a necessidade de mobilizar mais mulheres para participarem ativamente na política, sublinhando que a união feminina pode contribuir para aumentar a presença de mulheres em posições de decisão.

“Temos de desmistificar essa situação e mostrar às mulheres que devem juntar-se às outras mulheres para poderem ocupar cargos de decisão”, afirmou, referindo-se à necessidade de maior confiança e apoio entre as mulheres na política.

O encontro reúne representantes de Cabo Verde, Moçambique e da Galiza, com o objetivo de partilhar experiências e promover uma maior participação feminina na governação local.

A representante do Fondo Galego de Cooperación e Solidariedade e vereadora da Câmara Municipal de Santiago de Compostela, Maria Rozas, manifestou a expectativa de que da iniciativa resulte uma rede forte de mulheres ativas na política.

“Espero que saia uma rede forte de mulheres empoderadas, de mulheres ativas na vida política, porque isso significará um maior desenvolvimento e um Cabo Verde ainda melhor”, declarou.

Maria Rozas sublinhou que, na Galiza, se tem apostado na promoção da perspetiva de género nas políticas públicas, sobretudo ao nível local, por ser nesse espaço que é possível transformar o quotidiano das comunidades.

Questionada sobre conselhos às mulheres cabo-verdianas interessadas na política, incentivou-as a manter firmeza e confiança.

Por sua vez, Helena Bandeira, presidente da Rede das Mulheres Autarcas de Moçambique e representante do Conselho Municipal da Ilha de Moçambique, partilhou a experiência do seu país no reforço da liderança feminina nas autarquias.

Segundo explicou, a rede moçambicana tem investido na formação de mulheres para incentivar a sua participação na política e nas estruturas municipais.

Helena Bandeira referiu que Moçambique registou progressos, passando de apenas uma mulher presidente de conselho municipal para seis entre as 65 autarquias existentes, além de contar atualmente com 19 mulheres presidentes de assembleias municipais.

“As mulheres são capazes de fazer muita coisa dentro das autarquias”, afirmou, deixando uma mensagem de encorajamento às mulheres cabo-verdianas para que não se sintam isoladas num ambiente político ainda dominado por homens.

Durante a entrevista, a responsável abordou igualmente a situação da província moçambicana de Cabo Delgado, referindo que a sua região foi afectada por ataques armados, mas que a segurança foi reforçada e que as autoridades trabalham atualmente na reconstrução das infraestruturas destruídas.

TC/JMV

 

Inforpress/Fim

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