internacional


25-05-2024 11:44

Telaviv, 25 Mai (Inforpress) – O Egipto anunciou ter concordado enviar ajuda humanitária das Nações Unidas para Gaza, através da principal passagem de Israel, numa altura em que a ofensiva tem vindo a escalar.

Este acordo tinha sido divulgado, na sexta-feira, pela Casa Branca e, entretanto, foi confirmado pelo próprio Egipto.

Os camiões com a ajuda humanitária vão atravessar a passagem de Kerem Shalom, no sul de Israel.

A Organização das Nações Unidas (ONU) já admitiu que a ajuda humanitária, nomeadamente alimentos, tem vindo a cair drasticamente desde que a ofensiva de Israel em Rafah teve início.

Na sexta-feira, o Tribunal Internacional de Justiça ordenou que Israel suspendesse a ofensiva em Rafah.

Antes do início da intervenção militar, cerca de 300 camiões de ajuda humanitária passavam, diariamente, por Rafah e Kerem Shalom.

As tropas israelitas controlaram a passagem de Rafah para o Egipto, que está inoperacional desde então.

Já a passagem de Kerem Shalim, entre Israel e Gaza, permanece aberta.

A ONU disse não poder estar em Kerem Shalom a recolher a ajuda, uma vez que esta se tornou demasiado perigosa, à medida que os combates foram aumentando.

Esta organização referiu que, nos últimos 19 dias, 143 camiões efectuaram a travessia.

De acordo com as autoridades israelitas, outras centenas de camiões estão paradas em Gaza.

O conflito em curso na Faixa de Gaza foi desencadeado pelo ataque do grupo islamita Hamas em solo israelita de 07 de Outubro de 2023, que causou cerca de 1.200 mortos, na maioria civis, segundo dados oficiais israelitas.

Nesse dia, 252 pessoas também foram feitas reféns e enviadas para o território palestiniano. Actualmente, 121 pessoas permanecem retidas em Gaza, das quais 37 já estarão mortas, segundo o Exército de Telavive.

Em resposta, as forças militares israelitas desencadearam uma ofensiva devastadora na Faixa de Gaza, onde o Hamas, classificado como “organização terrorista” por Israel, União Europeia e Estados Unidos, assumiu o poder em 2007.

Inforpress/Lusa

Fim

24-05-2024 17:38

Nações Unidas, 24 Mai (Inforpress) - O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, sublinhou hoje que as decisões do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) "são vinculativas", após a principal instância judicial da ONU ordenar a Israel que cesse a ofensiva no sul de Gaza.

"O secretário-geral recorda que, nos termos da Carta e do Estatuto do Tribunal, as decisões do Tribunal são vinculativas e confia que as partes cumprirão devidamente a ordem do Tribunal", indicou o gabinete do porta-voz de Guterres em comunicado.

O TIJ ordenou hoje a Israel que suspenda de imediato as operações militares em Rafah, no sul da Faixa de Gaza.

Israel deve "suspender imediatamente a ofensiva militar, bem como qualquer outra ação" em Rafah "que possa infligir ao grupo palestiniano em Gaza condições de vida suscetíveis de provocar a sua destruição física total ou parcial", segundo o TIJ.

O tribunal com sede em Haia citou as obrigações que incumbem a Israel "por força da Convenção sobre a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio, e tendo em conta o agravamento das condições de vida dos civis" em Rafah.

O TIJ declarou também que Israel deve manter a passagem de Rafah aberta para permitir a entrada de ajuda humanitária em Gaza "sem restrições".

Inforpress/Lusa

Fim

24-05-2024 10:33

Pequim, 24 Mai (Inforpress) – Pelo menos oito pessoas morreram e outra ficou ferida, na quinta-feira, na sequência de um ataque com faca no centro da China, onde recentemente se registaram vários incidentes semelhantes, informou hoje a imprensa oficial.

O incidente ocorreu na cidade de Xiaogan, na província central de Hubei, detalhou a Xinhua.

O alegado agressor, que foi detido pela polícia, é um homem de 53 anos de idade, de apelido Lu, que sofre de doença mental, acrescentou a mesma fonte.

Os motivos ou as circunstâncias do incidente não são ainda conhecidos.

A vida da pessoa ferida não corre perigo, detalhou a agência.

Dois casos semelhantes ocorreram no centro da China na segunda-feira.

Pelo menos três pessoas foram mortas e duas ficaram feridas após um ataque com faca num parque na cidade de Chenzhou, enquanto outras duas foram mortas e quatro ficaram feridas após uma mulher as ter atacado da mesma forma, numa escola primária, na cidade de Guixi.

Em 07 de Maio, várias pessoas morreram depois de um homem ter atacado pessoas com uma faca num hospital da província de Yunnan, no sul do país.

Em Abril passado, um homem também esfaqueou transeuntes numa rua da cidade central de Chengdu, matando uma pessoa e ferindo outra.

Embora a China seja geralmente um país seguro, os ataques em locais públicos - como escolas - são relativamente comuns. A lei chinesa proíbe rigorosamente a venda e posse de armas de fogo, pelo que os ataques são geralmente feitos com facas, explosivos de fabrico artesanal ou por atropelamento.

Nas redes sociais do país asiático, os internautas têm manifestado preocupação com o número crescente de crimes deste tipo.

A imprensa chinesa refere-se frequentemente a estes incidentes como "actos de vingança contra a sociedade".

Inforpress/Lusa

Fim

23-05-2024 15:35

Nações Unidas, 23 Mai (Inforpress) - O secretário-geral da ONU defendeu hoje a "correção da falta de representação africana permanente" no Conselho de Segurança das Nações Unidas, frisando que África "merece uma voz" na arquitetura global de paz e segurança.

Num debate convocado por Moçambique para abordar o reforço do papel dos Estados africanos em desafios de segurança e desenvolvimento, António Guterres sublinhou que o fortalecimento da voz de África só poderá acontecer se os países africanos puderem participar "em pé de igualdade" nas estruturas de governação global.

"Isto deve incluir a correção da falta de representação africana permanente neste Conselho. E deve incluir a reforma da arquitetura financeira global — especialmente a gestão da dívida — para que os países africanos tenham o apoio de que necessitam para subir na escada do desenvolvimento", insistiu.

Frequentemente considerado obsoleto, o Conselho de Segurança já é alvo de pedidos de reforma e expansão há décadas, com países emergentes como a Índia, África do Sul e Brasil a pretenderem juntar-se aos cinco membros permanentes - Rússia, China, Estados Unidos, França e Reino Unido.

Em geral, quase todos os países da ONU consideram necessário reformar o Conselho de Segurança, mas não há acordo sobre como fazê-lo, com diferentes propostas na mesa há anos, sendo que algumas englobam uma representação africana permanente no Conselho, um pedido a que António Guterres também se tem associado.

Inforpress/Lusa

Fim

23-05-2024 7:52

Seul, 23 Mai (Inforpress) – Líderes da Coreia do Sul, China e Japão vão reunir-se a partir de segunda-feira, em Seul, para as primeiras negociações trilaterais desde 2019, avançou hoje a agência de notícias pública sul-coreana Yonhap.

A cimeira trilateral vai juntar o Presidente sul-coreano, Yoon Suk Yeol, o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, disse a Yonhap.

A notícia foi confirmada por outros meios de comunicação da Coreia do Sul, que citaram a Presidência do país.

A primeira cimeira trilateral aconteceu em 2008 e os três países asiáticos acordaram realizar uma reunião desse tipo entre os seus líderes todos os anos. Algo que não acontece desde 2019, sobretudo devido às restrições impostas pela China devido à pandemia de covid-19.

Os esforços para reforçar a cooperação entre os vizinhos asiáticos têm enfrentado obstáculos como as disputas históricas em torno das ocupações japonesas durante a Segunda Guerra Mundial e a competição estratégica entre a China e os Estados Unidos, aliados tanto de Seul como de Tóquio.

Em 14 de maio, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul, Cho Tae-yu, visitou Pequim, onde se encontrou com o homólogo chinês, Wang Yi, que lamentou as "dificuldades e desafios" que afetam a relação entre os dois países.

Ressalvando que "não existem conflitos de interesse fundamentais" entre as duas partes, Wang sublinhou a importância de manter "intercâmbios regulares" entre os dois países vizinhos.

Segundo a mesma nota, Cho Tae-yul manifestou esperança de que esta visita constitua um "passo significativo" nas relações entre a Coreia do Sul e a China.

Os dois ministros trocaram igualmente pontos de vista sobre a cooperação trilateral entre a China, Japão e Coreia do Sul.

Inforpress/Lusa

Fim

22-05-2024 19:44

Washington, 22 Mai  (Inforpress) – O Presidente norte-americano, Joe Biden, opõe-se ao reconhecimento unilateral de um Estado palestiniano, indicou hoje fonte oficial da Casa Branca.

“[Joe Biden] acredita que um Estado palestiniano deve surgir através de negociações diretas entre as partes e não através de um reconhecimento unilateral”, afirmou Adrienne Watson, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional norte-americano.

“O Presidente [Biden] é um forte apoiante de uma solução de dois Estados e tem-no sido ao longo da sua carreira. Acredita que um Estado palestiniano deve ser criado através de negociações diretas entre as partes e não através de um reconhecimento unilateral", afirmou em reação à decisão de três países europeus de reconhecerem o Estado da Palestina.

A Espanha, a Irlanda e a Noruega anunciaram hoje que vão reconhecer o Estado da Palestina a 28 de maio, o que levou Israel a chamar os seus embaixadores nestes três países para consultas.

Os anúncios destes três países, aplaudidos pela Arábia Saudita, Jordânia e Egito, elevam para 146 o número de Estados-membros das Nações Unidas que reconhecem o Estado da Palestina.

Malta e a Eslovénia também afirmaram que poderiam dar este passo em breve, enquanto Israel criticou todas estas decisões e afirmou que terão um impacto negativo na região.

Por outro lado, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, da extrema-direita, reiterou que Israel não permitirá a declaração da Palestina como Estado.
 
Inforpress/Lusa/Fim

22-05-2024 11:26

Ramallah, Palestina, 22 Mai (Inforpress) – O Presidente da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP), Mahmoud Abbas, congratulou-se hoje com o reconhecimento do Estado palestiniano por Espanha, Irlanda e Noruega, uma decisão que será formalizada em 28 de maio.

A decisão contribui para a “consagração do direito do povo palestiniano à autodeterminação na sua terra”, disse a presidência da ANP num comunicado.

Contribui também “para a adoção de medidas reais de apoio à implementação da solução de dois Estados”, acrescentou, segundo a agência espanhola EFE.

Irlanda, Espanha e Noruega anunciaram hoje que vão reconhecer o Estado da Palestina em 28 de maio.

O anúncio ocorre em plena guerra entre Israel e o grupo extremista palestiniano Hamas na Faixa de Gaza.

O Hamas controla Gaza desde 2007, depois de ter expulsado do território o partido Fatah, de Abbas, que governa a Cisjordânia.

Para Abbas, a decisão hoje anunciada “é um contributo dos países que acreditam que a solução dos dois Estados é uma opção que representa a vontade e a legitimidade internacional”.

“É consistente com os princípios do direito internacional, que reconhece o direito dos povos a libertarem-se do colonialismo e da opressão e a viverem em liberdade, justiça e independência”, defendeu, segundo a agência noticiosa palestiniana WAFA.

O secretário-geral da Organização de Libertação da Palestina (OLP), Husein al-Sheikh, também considerou tratar-se de “um momento histórico após longas décadas de luta nacional palestiniana, sofrimento, dor, ocupação, racismo, assassínio, opressão, abuso e destruição”.

“Agradecemos aos países do mundo que reconheceram e reconhecerão o Estado independente da Palestina. Afirmamos que este é o caminho para a estabilidade, a segurança e a paz na região”, afirmou.

Fundada em 1964 e liderada por Yasser Arafat de 1968 até à sua morte, em 2004, a OLP agregou diferentes movimentos palestinianos, incluindo o partido Fatah, do próprio Arafat.

Na sequência do acordo de paz israelo-palestiniano de 1993, foi criada a Autoridade Nacional Palestiniana, com sede em Rammallah, na Cisjordânia.

Mahmoud Abbas, atualmente com 89 anos, é presidente da ANP desde janeiro de 2005, depois de um breve período em que o cargo foi exercido interinamente por Rawhi Fattouh, após a morte de Arafat, em novembro do ano anterior.

O anúncio de hoje significa que a Palestina passará a ser reconhecida por 11 Estados-membros da União Europeia, dado que Espanha e Irlanda se juntarão a Bulgária, Chipre, República Checa, Hungria, Malta, Polónia, Roménia, Suécia e Eslováquia.

Nas Nações Unidas, já reconheceram unilateralmente o Estado da Palestina 137 dos 193 membros da organização, de acordo com a Autoridade Nacional Palestiniana.

Inforpress/Lusa

Fim

22-05-2024 8:09

Madrid, 22 Mai (Inforpress) - Espanha reconhecerá a Palestina como Estado na próxima terça-feira, dia 28 de Maio, com uma resolução do Conselho de Ministro, disse hoje o líder do Governo de Madrid, Pedro Sánchez.

Outros países farão o mesmo, igualmente na terça-feira, como já confirmou a Noruega.

Os primeiros-ministros de quatro países da União Europeia (da Irlanda, Eslovénia e Malta) divulgaram uma declaração, em Março, a comprometer-se com o reconhecimento do Estado da Palestina.

Em Abril, Sánchez fez um périplo europeu para tentar levar mais países a reconhecer a Palestina que incluiu também a Bélgica e um Estado que não faz parte da União Europeia (UE), a Noruega.  

Dentro da UE, nove Estados-membros reconhecem já a Palestina: Bulgária, Chipre, República Checa, Hungria, Malta, Polónia, Roménia e Eslováquia deram o passo em 1988, antes de aderirem ao bloco europeu, enquanto a Suécia o fez sozinha em 2014, cumprindo uma promessa eleitoral dos sociais-democratas então no poder.

Nas Nações Unidas, já reconheceram unilateralmente o Estado da Palestina cerca de 137 dos 193 membros da organização, de acordo com a Autoridade Palestiniana.

Inforpress/Lusa

Fim

21-05-2024 12:07

Banguecoque, 21 Mai (Inforpress) – Uma pessoa morreu e várias ficaram feridas quando um voo da Singapore Airlines proveniente de Londres sofreu fortes turbulências e teve de ser desviado para Banguecoque, anunciou a companhia aérea.

“Podemos confirmar que há feridos e uma morte a bordo”, declarou a companhia aérea nas redes sociais, segundo a agência francesa AFP.

O Boeing 777-300ER que fazia o voo SQ321 entre Londres e Singapura aterrou na capital da Tailândia durante a tarde (hora local), no aeroporto de Suvarnabhumi.

O avião transportava 211 passageiros e 18 tripulantes, segundo a companhia aérea, citada pela agência norte-americana AP.

As equipas de emergência locais do Hospital Samitivej Srinakarin estiveram no local para acolher os feridos.

Vídeos publicados numa plataforma de mensagens pelo aeroporto de Suvarnabhumi mostravam uma fila de ambulâncias a chegar ao local.

“A Singapore Airlines apresenta as mais profundas condolências à família do falecido”, disse a companhia aérea num comunicado citado pela agência espanhola Europa Press.

“A nossa prioridade é prestar toda a assistência possível aos passageiros e à tripulação a bordo”, acrescentou.

A companhia enviou uma equipa para a Tailândia para facilitar a assistência.

Não foi divulgada a nacionalidade da vítima mortal nem dos feridos.

Inforpress/Lusa

Fim

21-05-2024 7:57

Bissau, 21 Mai (Inforpress) – Várias forças políticas da Guiné-Bissau estão a condenar a actuação do Governo na desmobilização da manifestação pacífica de sábado, que resultou na detenção de 93 pessoas, a maioria das quais, entretanto, libertadas.

A coligação PAI-Terra Ranka, que governava o país até à dissolução do parlamento pelo Presidente da República, em Dezembro passado, disse, em comunicado, condenar e repudiar “a violência desproporcional” das forças de segurança contra “cidadãos indefesos".

A coligação liderada pelo presidente deposto da Assembleia Nacional Popular, Domingos Simões Pereira, também presidente do PAIGC, exige “o desmantelamento imediato” do que classifica como “milícias antirrepublicanas e demais forças do crime organizado que continuam a atentar impunemente”.

No comunicado, a coligação volta a exigir o “retorno à normalidade constitucional” e denuncia “a criminalidade reinante sob a capa do Estado sequestrado por gangues e carteis que transformaram a Guiné-Bissau numa rota de tráfico humano, de droga, de armas e branqueamento de capitais”.

Apela, ainda, à comunidade internacional para que acompanhe atentamente o evoluir da situação” e responsabiliza o Presidente, Umaro Sissoco Embaló, pelas "constantes e abusivas violações dos direitos humanos”.

O Partido Africano para a Independência da Guine e Cabo Verde (PAIGC) também condenou, em comunicado, “o acto brutal e desproporcional” contra a manifestação pacífica, solidariza-se com os detidos exige a libertação de todos.

O partido encoraja “os actores civis e políticos da sociedade guineense a continuarem com acções similares” e apela às forças de segurança e defesa que se abstenham “de actos que vão contra o seu papel”.

Alerta ainda a comunidade internacional e outras organizações defensoras dos direitos humanos e da democracia para “os recorrentes desmandos e violação dos direitos básicos e fundamentais praticados pelo actual regime ditatorial”.

O Madem G-15 considerou “brutal a reacção do Governo guineense, através do Ministério do Interior e da Ordem Pública, à manifestação pacífica e ordeira da sociedade civil, agrupada na Frente Popular”.

Em comunicado, o antigo partido do Presidente da República lembra que a ordem jurídica guineense consagra o direito à manifestação e exige "a imediata libertação de todos os detidos na sequência da marcha”.

Expressa solidariedade para com os detidos e exorta o Governo “a abster-se de actos e comportamentos que limitem o exercício dos direitos civis e políticos”.

Também o presidente interino do  Partido de Renovação Social (PRS), Fernando Dias, condenou, em conferência de imprensa, “qualquer acto de tortura” contra quem reclama o que é correcto.

O dirigente frisou que “a sociedade civil organizou uma marcha para o Governo corrigir a trajectória” e lamentou que seja “o próprio Governo a provocar a instabilidade da Guiné-Bissau”.

Fernando Dias responsabilizou o Governo de iniciativa presidencial pela violência e lembrou que na Constituição da República está plasmado que o cidadão tem direito e liberdade de expressão e de manifestação.

A manifestação de sábado foi convocada pela Frente Popular, que agrupa várias organizações da sociedade civil, com o lema “contra a fome, violência e destruição da democracia”.

Nas primeiras horas da manhã, as forças policiais dispersaram qualquer aglomeração de pessoas com os cartazes da manifestação e prenderam 93 manifestantes, número avançado pelos promotores.

Segundo estes, na noite de domingo, foram libertados 84 manifestantes e nove permanecem detidos, nomeadamente elementos da organização.

A Liga Guineense dos Direitos Humanos acompanhou o processo e manteve conversações com as autoridades do país para a libertação dos detidos, segundo divulgou na sua página oficial.

Em declarações atribuídas ao presidente da organização, Bubacar Turé, é revelado que conversaram directamente com o chefe de Estado, Umaro Sissoco Embaló, e que “certamente ele exerceu a sua influência para a resolução deste problema”.

Acrescenta que devem também ser levadas em consideração “as intervenções do ministro [da Economia] Soares Sambu e de Lesmes Monteiro, presidente do Partido Luz”.

“Não interessa revelar aqui o que cada um deles fez, mas posso assegurar a todos que foram bastante úteis ao trabalho da Liga para que os detidos fossem libertados. E, permitam-me agradecer o papel que desempenharam ao longo desses dias”, afirmou Bubacar Turé.

O Governo da Guiné-Bissau ainda não se pronunciou sobre o assunto.

Inforpress/Lusa

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21-05-2024 7:50

Nações Unidas, 21 Mai (Inforpress) – O Conselho de Segurança da ONU rejeitou uma resolução da Rússia para proibir a colocação de armas no espaço, com Washington a acusar Moscovo de ter lançado na semana passada um satélite com capacidade bélica.

A votação realizada na segunda-feira terminou com um empate a sete votos, numa divisão entre os aliados dos Estados Unidos, que votaram contra, e os apoiantes da Rússia, que votaram a favor, sendo que a Suíça se absteve.

A resolução foi assim rejeitada, uma vez que não obteve os nove votos necessários, tal como tinha acontecido a uma proposta semelhante, apresentada por Washington e Tóquio no mês passado, que pretendia banir armas de destruição em massa no espaço.

“O ponto culminante da campanha russa de desinformação e dissimulação diplomática é o texto que temos diante de nós”, disse o vice-embaixador dos EUA junto das Nações Unidas, Robert Wood.

Os Estados Unidos acusaram a Rússia de quererem colocar armas no espaço e disseram que, de acordo com informações confidenciais, Moscovo lançou na semana passada um satélite com capacidade bélica.

O embaixador da Rússia na ONU negou que o país esteja a tentar enganar o mundo. Apoiado por vários países, incluindo a China, Vassily Nebenzia classificou a votação como “um momento único de verdade para os nossos colegas ocidentais”.

“Se não conseguirem apoiar isto, então mostrarão claramente que a sua principal prioridade continua a ser manter o caminho livre para acelerarem a militarização do espaço exterior”, disse o diplomata russo.

Em 1967, seis anos depois da União Soviética e os Estados Unidos enviarem pessoas para o espaço, os dois países e o Reino Unido assinaram um tratado a declarar o espaço exterior como um bem comum global que só poderia ser usado para fins pacíficos.

“Essa medida foi importante para a prevenção de conflitos”, disse Paul Meyer, antigo embaixador do Canadá para o desarmamento e membro do Outer Space Institute, com sede em Vancouver.

O tratado tornou-se ainda mais importante, defendeu Meyer, à medida que um número crescente de nações atingiu o espaço. Cerca de uma dezena de países tem capacidade para lançar naves espaciais e cerca de 80 têm satélites próprios, assim como empresas privadas.

Tudo isto poderá estar em risco em caso de um conflito militar no espaço, que poderia desativar os sistemas vitais dos quais dependem milhões de pessoas em todo o mundo, alertou o ex-diplomata.

“Temos esta atitude negativa e conflituosa entre as principais potências espaciais que parecem mais interessadas em ganhar pontos aos seus adversários em vez de se envolverem num diálogo construtivo”, lamentou Meyer.

Inforpress/Lusa

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20-05-2024 18:20

Lisboa, 20 Mai (Inforpress) – Os principais especialistas mundiais em Inteligência Artificial (IA) alertaram hoje para a falta de regulação e controlo da tecnologia e pediram aos líderes mundiais uma maior intervenção, sob pena de um "risco catastrófico" para a humanidade.

“A cibercriminalidade em grande escala, a manipulação social e outros danos podem aumentar rapidamente” e, em “caso de conflito aberto, os sistemas de IA poderiam utilizar de forma autónoma uma série de armas, incluindo armas biológicas”, acrescentam, admitindo uma “possibilidade muito real de que o avanço incontrolado da IA possa culminar numa perda de vidas e da biosfera em grande escala e na marginalização ou extinção da humanidade”, afirmam 25 autores de renome em IA, num documento hoje publicado na revista Science.

Os autores salientam que “é imperativo que os líderes mundiais levem a sério a possibilidade de sistemas de IA generalistas altamente potentes - que superem as capacidades humanas em muitos domínios críticos - virem a ser desenvolvidos na presente década ou na próxima” e as “tentativas para introduzir orientações iniciais” não estão a ser suficientes.

Falta de investigação sobre segurança nos sistemas é uma das principais preocupações dos peritos, que estimam em menos de 3% as publicações cientificas sobre o tema, a que se soma a ausência de “mecanismos para prevenir a utilização indevida e a imprudência, nomeadamente no que respeita à utilização de sistemas autónomos capazes de agir de forma independente”, referem os autores, uma lista que inclui galardoados Nobel, investigadores e vencedores do Prémio Turing.

No documento, intitulado “Gerir riscos extremos de IA no meio do rápido progresso”, os subscritores recomendam aos governos que “criem instituições especializadas e de ação rápida para a supervisão”, com um financiamento robusto, “exigência de avaliações de risco muito mais rigorosas e com consequências obrigatórias” e que as empresas “deem prioridade à segurança e demonstrem que os seus sistemas não podem causar danos”.

Nos casos dos sistemas de IA mais potentes, os autores defendem que os “governos devem estar preparados para assumir a liderança na regulamentação”, incluindo o licenciamento, “a restrição da sua autonomia em funções sociais fundamentais, a interrupção do seu desenvolvimento e implantação em resposta a capacidades preocupantes”, entre outras matérias.

Para os subscritores do documento, os riscos da IA são “catastróficos”, porque a tecnologia “já está a progredir rapidamente em domínios críticos como a pirataria informática, a manipulação social e o planeamento estratégico, e poderá em breve colocar desafios de controlo sem precedentes”.

Segundo Stuart Russell, da Universidade de Berkeley, este documento de consenso “apela para uma regulamentação rigorosa por parte dos governos e não códigos de conduta voluntários redigidos pela indústria”, porque os sistemas avançados de IA “não são brinquedos”.

“Aumentar as suas capacidades antes de sabermos como os tornar seguros é absolutamente imprudente. As empresas queixar-se-ão de que é demasiado difícil satisfazer os regulamentos - que ‘a regulamentação sufoca a inovação’”, disse, acrescentando que “há mais regulamentos para as lojas de sandes do que para as empresas de IA".

Para Philip Torr, da Universidade de Oxford, se existir cuidado, “os benefícios da IA superarão as desvantagens”, mas sem essa preocupação, existe o “risco de um futuro orwelliano com uma forma de estado totalitário que tenha controlo total" da humanidade.

Outro dos autores, o historiador Yuval Noah Harari, recorda que, com esta tecnologia, “a humanidade está a criar algo mais poderoso do que ela própria, que pode escapar ao controlo do ser humano”.

Inforpress/Lusa

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