UNTC-CS pede que inquéritos ou avaliações aos leilões do INPS sejam feitos por peritos independentes

07-02-2024 20:09

Cidade da Praia, 07 Fev (Inforpress) - A secretária-geral da União Nacional dos Trabalhadores de Cabo Verde - Central Sindical (UNTC-CS), Joaquina Almeida, pediu hoje que caso haja inquéritos ou avaliações aos leilões do INPS sejam feitos por comissão de peritos independentes.

“Se há inquérito ou avaliações a fazer que sejam feitos por uma comissão de peritos independentes e não por quem tem interesses outros”, disse Joaquina Almeida em conferência de imprensa convocada para, segundo disse, “repor a verdade dos factos face à desinformação e falsidade publicada na comunicação social”.

Os leilões realizados pelo Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), com objectivo de rentabilizar os recursos foram suspensos pelo Banco de Cabo Verde (BCV), que, na sequência de uma relação interposta pelos bancos comerciais, liderados pelo Banco Cabo-verdiano de Negócios (BCN), decidiu parar o processo para fazer as averiguações necessárias.

Questionada se ao referir “quem tem interesses outros” está a referir-se ao BCV, Joaquina Almeida disse que sim, sustentando que o INPS apresentou uma queixa para obrigar o BCN a transferir os seus fundos de cerca de 150 mil contos, e o BCV até agora não disse nada.

“Algum interesse deve ter porque o contrato na abertura da conta diz que o dono fundo, o cliente, tem o direito de transferir ou fazer qualquer movimentação dos seus fundos em qualquer momento. Porque é que o BCV se mantém em silêncio sobre esse quesito”, questionou.

Joaquina Almeida, que é também membro do Conselho Directivo do INPS aproveitou para esclarecer que os leilões foram realizados cumprindo três princípios fundamentais da gestão dos recursos do instituto, designadamente a liquidez, a segurança e a rendibilidade.

Por outro lado, explicou que os critérios para a selecção da licitação vencedora foram primeiro a taxa de juro resultante da licitação com peso de 55% e segundo o rácio prudências e de risco com um peso de 45%.

Feitas as contas, os resultados colocaram o International Investiment Bank (iib) em primeiro lugar, quando foi o BCN, que apresentou a maior taxa de juro ficou em terceiro lugar, atrás do iib e do Banco Interatlântico.

Joaquina Almeida sustentou que, apesar do BCN ter apresentado maior taxa de juro, os seus dados financeiros auditados indicaram pior qualidade de balanço nomeadamente “um substancial menor rácio de solvência e uma sinistralidade de crédito mal parado substancialmente superior, que contribuem para aumentar o risco de balanço no mercado”.  

“É aquele que depois da Caixa Económica tem maior recursos do INPS à ordem e é aquele que menos paga por esses recursos”, disse acusando o presidente do conselho de administração do BNC de apresentar informações falsas quando diz que o banco paga de forma competitiva pelos depósitos do INPS.

Segundo Joaquina Almeida, os leilões foram agora instrumentalizados por interesses “mesquinhos e maléficos”, com o intuito de se desviar a discussão do tema fundamental que é a tendência para a insustentabilidade do INPS, se as coisas não mudarem.

“É crucial que os activos do INPS rendem entre 3,5 a 4% ao ano, em termos líquidos, mas as taxas pagas pelos bancos em termos médios estão longe desse valor. Os bancos comerciais cedem créditos a 8 -10% usando recursos do INPS que remuneram a uma taxa de 1,71%. São demasiados gulosos e nós, a UNTC-CS, queremos que a partilha seja menos desequilibrada”, sustentou.

A sindicalista aproveitou para também reagir à conferência de imprensa da Plataforma Sindical Unir e Resgatar a UNTC-CS, da semana passada, adiantando que os integrantes dessa “plataforma fantasma” estão preocupados com interesses mesquinhos que nada têm a ver com interesses e bem-estar dos trabalhadores.

Joaquina Almeida apelou aos representantes dos trabalhadores e a todos os trabalhadores e cidadãos a associarem-se à UNTC-CS na defesa dos interesses dos beneficiários do sistema de previdência social.

Por outro lado, pediu ao Governo que deixe a Comissão Executiva e o Conselho Directivo do INPS a fazerem o seu trabalho com toda liberdade.

MJB/CP

Inforpress/fim

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