União Africana alerta para vulnerabilidade dos países frágeis do continente enfrentar crises interligadas

13-03-2024 12:43

Cidade da Praia, 13 Mar. (Inforpress) - A comissária da União Africana alertou hoje, em Tóquio, para a vulnerabilidade da maioria dos Estados frágeis, que fazem parte do continente, para enfrentar uma série de crises interligadas relacionadas com energia, alimentação, dívida e alterações climáticas.

Josefa Correia Sacko, manifestou esta inquietação num simpósio intitulado “A economia global e a coordenação das políticas numa época de desafios globais cada vez mais complexos”, tendo assegurada que num mundo que enfrenta crises interligadas, a fragilidade agrava outros desafios globais, incluindo as alterações climáticas, as pandemias e a insegurança alimentar.

Reconheceu que os países afectados pela fragilidade são na maioria também marcados por conflitos e violência e que se encontram numa trajectória de desenvolvimento diferente da do resto do mundo, com níveis de pobreza persistentemente elevados e um capital humano em declínio.

“A África Subsaariana já alberga cerca de metade destes países na categoria de fragilidade, conflito e violência, golpes militares, o novo conflito Israel e Palestina em Gaza e a persistente guerra entre a Rússia e a Ucrânia estão a contribuir para sufocar um melhor crescimento em todo o continente”, sublinhou.

Aquela diplomata fez saber que como consequência destes factores no início do corrente ano nove estados africanos encontram-se em situação de endividamento, outros 15 estão em risco elevado e 14 em risco moderado, incluindo neste momento a Zâmbia e o Gana que fazem parte de países em incumprimento das suas dívidas, a que se juntou recentemente a Etiópia.

Para agravar a situação em 2023, apontou, a África Subsariana foi responsável por 48% das mortes causadas pelo terrorismo a nível mundial, tendo a situação dos ataques alastrado para além dos pontos críticos históricos, como o Sahel e o corno de África, para a África austral e as regiões costeiras da África ocidental.

Na sua óptica, a comunidade internacional deve apoiar os países sob pressão, mesmo nas situações mais difíceis, especialmente em locais como o Sahel e o corno de África, onde a sobreposição de crises de segurança, humanitárias e económicas ameaça minar as instituições dos países em risco de colapso.

Correia Sacko clama por uma nova cultura de multilateralismo, por considerar que, o actual sistema nascido das circunstâncias que se seguiram à segunda Guerra Mundial, já não é adequado aos seus objectivos e que seja inclusiva, e imbuído de mecanismos integrados de responsabilização e transparência.

SR/ZS

Inforpress/Fim

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