Situação na Guiné-Bissau é "delicada e preocupante" - MNE de Timor-Leste

06-02-2024 8:01

Lisboa, 06 Fev (Inforpress) – O chefe da diplomacia de Timor-Leste, Bendito dos Santos Freitas, disse hoje, em Lisboa, que a situação na Guiné-Bissau é “preocupante” e expressou o desejo de que haja uma evolução no “sentido da normalidade e da paz”.

“Para Timor-Leste e também para a comunidade [dos Países de Língua Portuguesa] é uma situação preocupante. Nós queremos que haja uma situação que torne à normalidade em que haverá paz e respeito pelos direitos do Estado de Direito Democrático e o funcionamento das instituições democráticas”, defendeu.

Bendito dos Santos Freitas, que falava à Lusa no final de uma visita à sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP, que integra Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Princípe e Timor-Leste), manifestou a disponibilidade de Timor-Leste e da organização lusófona para um “esforço conjunto” para apoiar a Guiné-Bissau.

Esse “esforço conjunto” passa por ver as “soluções possíveis” para o que se passa na Guiné-Bissau.

“É uma situação delicada e preocupante. Todos nós estamos a seguir as notícias. Nós todos temos que pensar também numa ideia, numa saída. Como é que nós todos podemos apoiar em conjunto a trazer uma solução à situação da Guiné-Bissau”, concluiu.

O Presidente da República da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, dissolveu o parlamento, em dezembro, e substituiu o Governo da maioria PAI-Terra Ranka por um de iniciativa presidencial, apesar de a Constituição impedir a dissolução nos 12 meses posteriores às eleições legislativas, que decorreram em junho de 2023.

Quando decretou a dissolução do parlamento, Umaro Sissoco Embaló considerou que houve uma tentativa de subversão da ordem constitucional com o patrocínio da Assembleia Nacional Popular por, na sua interpretação, falhar nas funções de escrutínio ao Governo.

Em seguida, o Presidente demitiu o primeiro-ministro, Geraldo Martins, depois de este recusar formar um Governo de iniciativa presidencial, e nomeou, em substituição, Rui Duarte de Barros, episódios de uma crise que começou a ser desenhada na sequência de confrontos entre militares, nos passados dias 30 de novembro e 01 de dezembro.

O diferendo entre o Presidente guineense e Domingos Simões Pereira, que é presidente do parlamento e também líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC, que lidera a coligação PAI-Terra Ranka), arrasta-se desde as eleições presidenciais de 2019, cuja segunda volta foi disputada por ambos.

A coligação Plataforma Aliança Inclusiva (PAI) – Terra Ranka, liderada pelo PAIGC, venceu as eleições legislativas de junho com maioria absoluta.

No passado mês de janeiro, o Ministério do Interior proibiu quaisquer manifestações ou comícios públicos em toda a Guiné-Bissau, em decorrência de operações de busca e apreensão de armas de fogo no país.

Os líderes dos partidos PRS, Madem-G15 e APU-PDGB, que fazem parte do Governo de iniciativa presidencial atualmente no poder, questionam a proibição, dando nos últimos dias sinais de desentendimentos políticos com Umaro Sissoco Embaló.

Inforpress/Lusa

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