São Vicente: Jovens apostam na agricultura como alternativa de emprego e abastecem casas comerciais

25-02-2024 15:47

Mindelo, 25 Fev (Inforpress) – Os irmãos Kevin Rocha, 30 anos, e Jefferson Rocha, 33, da zona de Ribeira do Calhau deixaram o liceu para trabalhar na agricultura e depois de adquirir experiência criaram uma empresa que abastece casas comerciais com produtos hortícolas. 

À Inforpress, contaram que a agricultura sempre esteve presente nas suas vidas, desde muito cedo, porque muitos dos seus familiares são agricultores. E quando decidiram abandonar o Ensino Secundário foram convidados por um tio para trabalhar nessa área, mas mal sabiam que isso seria uma oportunidade de empreender.

“Estudei até ao 10º ano e saí do liceu com 17 anos e o nosso tio António Fortes (Toy d´Rosara) nos colocou a trabalhar com ele na agricultura para não ficarmos a andar à toa. Eu estive cerca de 10 anos a trabalhar com ele, depois eu e o meu irmão resolvemos lançar o nosso projecto. Primeiro começamos por alugar uma horta para trabalhar”, explicou Jefferson Rocha.

Segundo Jefferson Rocha, foi uma feliz decisão alugar uma horta para trabalhar por conta própria porque conquistaram vários clientes e tiveram algum rendimento. Mas, explicou, a ideia de criar a própria empresa, a Garrocha, surgiu há cerca de dois anos, aconselhados por amigos e clientes que apreciam os seus produtos.

“Criamos a nossa microempresa e fornecemos hortaliças para alguns estabelecimentos de São Vicente e algumas vendedeiras.  Um ex-professor nosso indicou-nos um contabilista que nos explicou como criar empresa e emitir facturas e a partir daí fomos crescendo no mercado”, afirmou.

Conforme esses dois jovens agricultores, fizeram investimento próprio para fazer crescer o projecto porque a parcela agrícola onde trabalham não lhes pertence e uma das exigências para conseguir financiamento através da linha de crédito agrícola é que o terreno seja do próprio agricultor.

“Se não tiver posse da parcela não há financiamento. Eles colocam logo esta entrave, e por isso para apostar na agricultura temos que ter força de vontade, porque encontramos muitas barreias”, acrescentou Kevin Rocha, para quem, nessa zona “é muito difícil os jovens apostarem na agricultura” por causa das dificuldades que enfrentam com o financiamento, com a falta de sementes, com a escassez de água, pragas e falta de apoio do próprio Estado.

“Contamos com ajuda de familiares, principalmente do nosso tio que trabalha na agricultura, e do nosso pai que vive em Portugal, que nos envia sementes”, ajuntou a mesma fonte.

Graças a essa “força de vontade e ajuda familiar” o projecto tem crescido o que também tem tornado possível abastecer o mercado com produtos frescos desde cebola, alface, rúcula, coentro, salsa, nabo, beterraba, hortelã entre outros. A título de exemplo, Kevin Rocha explicou que conseguem colocar mais 70 quilos de alface, 50 de coentros e outros 50 quilos de cebola semanalmente nas lojas para os clientes.

“Temos vários projectos em mente que poderão empregar mais jovens. Temos quatro pessoas a trabalhar connosco diariamente e a nossa vontade era, em vez de quatro, ter oito ou dez mas não conseguimos porque pagamos impostos ao Estado. Não conseguimos nos aproximar de uma instituição bancária porque não há uma aposta séria do Governo na agricultura em São Vicente, infelizmente”, acrescentou, realçando que “a agricultura é uma área bastante dispendiosa mas se for bem organizada é rentável”.

CD/ZS

Inforpress/Fim

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