Santa Catarina: Oleiras de Fonte Lima trocam experiências com ceramista e oleiro francês

23-02-2024 16:47

Assomada, 23 Fev (Inforpress) - As oleiras de Fonte Lima tiveram momentos de partilha com o ceramista e oleiro francês Marc Vonder, onde além de mostrarem o dia-a-dia, tiveram a oportunidade de conhecer técnicas e ferramentas novas nesse processo.

Em declarações à imprensa, a oleira Domingas da Moura enalteceu a importância desta troca de experiência, pois, segundo a mesma, estão a transmitir ao oleiro francês as técnicas de produção que utilizam, mas também a receber e aprender formas mais sofisticadas e menos massacrantes de trabalhar com o barro.

Contou que o processo iniciou com a retirada do barro, um trabalho que teve de ser feito à mão, pois não conseguiram encontrar uma máquina para apoiá-las nesse trabalho.

Depois foram partilhadas as peças confeccionadas em Fonte Lima, desde porte, bindes, pratos, porquinho, entre outros e as peças que o ceramista francês faz, assim como os instrumentos que elas usam, à base da força dos braços, e os que o Marc Vonder utiliza em França, a base das tecnologias.

Ademais, esta oleira demonstrou grande satisfação pelos novos aprendizados, principalmente para a camada mais jovem que, segundo a mesma, não quer aprender por considerarem esta profissão como sendo muito cansativa, mas o desejo das oleiras é que aprendam e não deixem a tradição morrer com esta geração.

Igualmente, a oleira Angelina Varela fez uma avaliação “positiva” deste intercâmbio, que além de novas técnicas, avançou que conheceu novas peças que agora podem incluir nas suas produções.

Segundo a oleira, o ceramista comprometeu-se a apoiá-las em adquirir materiais, um apoio que já começou com a oferta de rodas e que agora já permite todas as quatro oleiras ainda envolvidas nesta prática a trabalharem nas rodas em simultâneo sem esperar uma terminar para outra se iniciar.

Angelina Varela lamentou o facto de neste momento o grupo ter o mínimo dos mínimos elementos (quatro mulheres), reforçando que a sua preocupação maior é a emigração dos jovens para o exterior, correndo o risco de mais dias não ter ninguém para trabalhar no barro, exemplificando com a sua situação que devido aos problemas de saúde a produção já não é como de antigamente.

Por seu turno, o ceramista e oleiro Marc Vonder destacou que teve a oportunidade de ver pessoalmente quais as condições de trabalho que as oleiras possuem, a energia que aplicam para fazerem as suas peças, acima de tudo, enalteceu a troca de ideias e de experiências.

Igualmente, avançou que teve a possibilidade de falar com elas sobre a modernização deste trabalho, nomeadamente na colheita do barro e no acto de pilar a argila para transformar em pastas cerâmicas.

Em França, considerou que o trabalho de argila é extremamente facilitado pelas ferramentas da industrialização e produção, tendo rodas de oleiro, máquinas para pilar argila, máquinas para fazer pratos de argila, e muitas outras técnicas que facilitam a vida do oleiro, mas em Fonte Lima é tudo à mão, considerando que é herança da mãe ou da avó, ou seja, uma tradição.

Para o futuro, avançou que já falou com o pessoal da Escola Técnica Grão-Duque Henri em Assomada, no sentido de fabricarem uma máquina para apoiar no processo de pilar o barro.

Mas, também, informou que pensa em regressar para ministrar algumas formações, acompanhado de outras pessoas que trabalham no barro em França, mas não quer impor nada a essas mulheres de Fonte Lima, para não correr o risco de perder a tradição e a cultura da cerâmica existente na África Ocidental, mas sim, será uma troca de experiência mais ampla.

MC/CP

Inforpress/Fim

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