REPORTAGEM: Pescadores apontam falta de infra-estruturas de apoio à pesca como um dos “imensos desafios” para o sector

04-02-2024 1:42

Porto Novo, 04 Fev (Inforpress) – A pesca no concelho do Porto Novo depara-se com “imensos desafios”, desde logo, a falta de infra-estruturas de apoio à actividade pesqueira e dificuldades no acesso a créditos para a aquisição de equipamentos de pesca. 

Esse é o entendimento dos operadores de pesca neste município que, entre os muitos desafios que se colocam ao sector, apontam a necessidade de o Governo avançar com a construção do prometido porto de pesca, uma infra-estrutura “estruturante” para a pesca no Porto Novo e Santo Antão, em geral.

Para o presidente da Associação dos Pescadores do Porto Novo, Atlermiro Neves, não tem dúvidas de que o cais de pesca é um “investimento estratégico” para toda a ilha de Santo Antão, lamentando que este projecto esteja a ser adiado pelo Governo, o que pode desancorar os operadores que pretendem investir neste domínio.

“A construção de um cais de pesca representa um dos imensos desafios que se colocam ao sector pesqueiro na ilha de Santo Antão. É um investimento estratégico para esta ilha, pela dimensão que este sector está a ganhar nesta ilha”, notou.

Este responsável recorre ao facto de Santo Antão dispor de “uma das maiores frotas de pesca a nível semi-industrial” para argumentar que esta ilha já merece um porto de pesca, localizado na cidade do Porto Novo, para servir todos operadores santantonenses.

Para Atlermiro Neves, “os pescadores não aceitam o adiamento do projecto do porto de pesca”, exortando o Governo a avançar com esta infra-estrutura, tanto ansiada pelos homens do mar, considerando que o adiamento deste investimento pode “desmobilizar” os operadores.

Além do cais de pesca, os pescadores nas diferentes comunidades desejam a construção de arrastadouros de botes e de casas de apoio à classe, além de melhorias a nível da conservação do pescado.

Isaías Pires, da Associação dos pescadores do Tarrafal de Monte Trigo, defende a construção de “um pequeno cais de pesca” nessa zona, onde se situa um dos maiores bancos de pesca da região Norte do País, o banco do Noroeste.

Este pescador disse que a classe espera “há vários anos” pelos investimentos prometidos pelo Governo nas pescas, designadamente na construção do pequeno cais de pesca, de um complexo de pesca e de apoio aos operadores na aquisição de melhores embarcações para poder tirar proveito do banco de pesca.

O problema de conservação do pescado não se coloca na cidade do Porto Novo e em Monte Trigo, ao contrário do que se verifica no Tarrafal, onde as dificuldades de conservação estão a tirar o sono aos operadores, avisou o representante Carlos Pires.

A associação local dos pescadores está à procura de parceiros para a compra de uma máquina de produção de gelo de uma tonelada para atender às necessidades da classe, avançou a mesma fonte, defendendo ainda a necessidade de criar melhores condições no tratamento do pescado.

A transformação do pescado é uma outra aspiração da classe, que aguarda pela pelos investimentos prometidos, designadamente no âmbito do projecto Terra Azul.

Trata-se de um projecto promovido pela Associação dos Amigados da Natureza (AAN) e Centro de Estudos Rurais e Agricultura Internacional (CERAI), co-financiado pela cooperação espanhola e pelo Ministério do Mar, que prevê um investimento de 70 mil contos nas pescas nas ilhas de Santo Antão e São Vicente nos próximos dois anos.

O projecto, a que a Inforpress teve acesso, propõe, entre outros investimentos no município do Porto Novo, a conclusão do equipamento da unidade de transformação do pescado na cidade do Porto Novo, um projecto muito aguardado pelos operadores de pesca porto-novenses.

Além da conclusão das obras da unidade de transformação, o projecto prevê ainda a criação de plataformas de secagem do pescado nas comunidades piscatórias de Santo Antão, visando a melhoria das condições de higiene e de valorização do produto.

Um outro desafio que se coloca às pescas no concelho do Porto Novo tem a ver com dificuldades no acesso ao crédito para aquisição de equipamentos de pesca, apontando a necessidade de as instituições de crédito atenuarem as exigências e de se reforçar o montante destinado a empréstimos.

Nos últimos anos, o Ministério do Mar, através do Fundo Autónomo das Pescas, colocou à disposição dos operadores em todo o país, um montante de 18 mil contos, valor que se revelou insuficiente para as necessidades dos pescadores, tendo o ministro do Mar, durante a sua visita a Santo Antão, prometido “reforçar” essa verba.

Em relação ao cais de pesca, o ministro do Mar, na sua mais recente visita a Santo Antão, foi confrontado com esta preocupação, da qual disse ter tomado “boa nota”, prometendo que “a partir do momento em que houver o alargamento do porto do Porto Novo, uma parte será destinada à pesca”.

O Governo já submeteu o projecto de cais de pesca do Porto Novo ao Banco Europeu de Investimentos para financiamento, mas o ministro do Mar admitiu que a concretização do projecto pode demorar, prometendo que, até lá, parte do porto será destinada à actividade pesqueira.

Em relação à construção de desembarcadouros, o Ministério do Mar tem à sua disposição um pacote de financiamento de 20 milhões de euros (mais de dois milhões de contos) para, entre outros projectos, construir desembarcadouros em todas as comunidades piscatórias do País, uma informação avançada, esta semana, em Santo Antão pelo ministro Abraão Vicente.

Quanto à ampliação do porto do Porto Novo, o Banco Europeu de Investimentos já deu as garantias ao Governo de que o financiamento para a expansão desta infra-estrutura portuária vai ser disponibilizado, conforme o ministro do Mar.

No Orçamento do Estado para 2024, o Governo inscreveu uma verba à volta de 3.6 milhões de euros (cerca de 400 mil contos) para ampliação do porto do Porto Novo, dotando-o de mais 270 metros de comprimento e mais dez metros de profundidade.

O Dia Nacional do Pescador, que se celebra segunda-feira, 05 de Fevereiro, foi assinalado no concelho do Porto Novo com a entrega de algumas embarcações artesanais fibradas e com a realização de várias actividades desportivas, além da homenagem aos operadores. 

JM/CP

Inforpress/Fim

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