Língua Materna: Professora diz que é preciso valorizar porque é através dela que se manifestam a identidade e cultura

21-02-2024 14:57

Ribeira Grande, 21 Fev (Inforpress) – A professora de Língua Cabo-verdiana na escola secundaria Suzete Delgado, Ribeira Grande, Santo Antão, Maria Assunção defendeu hoje a necessidade de se “valorizar” língua materna justificando que é através dela que se manifesta a identidade e cultura.

A educadora explicou que há dois anos lecciona a disciplina experimental de Língua Cabo-verdiana e até então o único “problema” está na padronização e oficialização da mesma.

Mesmo com esse “constrangimento” a docente sublinhou que a disciplina é um “sucesso” e os alunos têm tido uma avaliação positiva nas notas finais.

“Trata-se de uma disciplina opcional, ou seja, são os alunos que a escolhem e por isso esta motivação. Eles abraçaram a causa e tem sido muito interessante lecionar a Língua Cabo-verdiana. O sistema de avaliação diferente pois, no âmbito da reforma do ensino o teste conta como 50 por cento (%) e temos outros elementos que complementam os outros 50 por cento (%)”, explicou.

São nove variantes da Língua Cabo-verdiana, que, segundo Maria Assunção, não “interferem” no ensino e aprendizagem dos estudantes, pois, segundo a mesma fonte, através do Alfabeto Unificado para a Escrita do Cabo-Verdiano (ALUPEC) os alunos escrevem e leem em qualquer das variantes.

Cada ilha, segundo a professora, ensina a sua variante e exemplificou o caso dela que é de Santo Antão e leciona na variante da sua ilha.

“Tem uma gramática rica e a variante de Santo Antão em particular tem várias obras na variante da ilha e por exemplo temos o texto que já trabalhamos que é a historia de Ti Lobo e Ti Pede escrito na variante de Santo Antão no tempo do alfabeto etiológico. Tivemos uma evolução no nosso alfabeto tendo em conta que a Língua Cabo-verdiana é estudada desde o seculo XIX”, salientou.

Outrossim, Maria Assunção avaliou a implementação da disciplina de Língua Portuguesa de forma positiva e justificou que ela é a “nossa língua materna e a língua de afecto” em que as pessoas se sentem “à vontade” em expressar.

“Também podemos servir da nossa língua materna como estratégia para aprender outras disciplinas. É importante aprender a língua materna porque ela nos ajuda a aprender e ter conhecimento noutras áreas”, pontuou.

Por sua vez, a aluna da disciplina de Língua Cabo-verdiana Djanaina Silva disse que que escolheu a matéria porque queria “aprofundar e entender” mais sobre a língua materna.

“Não me arrependo desta escolha, pois nem imaginava que a nossa língua era tão rica”, enfatizou.

O Dia Internacional da Língua Materna é uma comemoração mundial anula realizada em 21 de Fevereiro para promover a conscientização sobre a diversidade linguística, cultural e multilinguismo.

Este foi anunciado pela primeira vez pela Unesco em 17 de Novembro de 1999, e foi formalmente reconhecido pela Assembleia Geral da Nações Unidas com a adoção da resolução 56/262 d ONU em 2002.

O Dia da Língua Materna faz parte de uma iniciativa mais ampla "para promover a preservação e proteção de todas as línguas usadas pelos povos do mundo", conforme adotado pela Assembleia Geral da ONU em 16 de Maio de 2007 na resolução 61/266 da ONU, que também estabeleceu 2008 como o Ano Internacional das Línguas. 

A ideia de comemorar o Dia Internacional da Língua Materna foi iniciativa de Bangladesh.

Ali, 21 de Fevereiro é o aniversário do dia em que o povo de Bangladesh então Paquistão Oriental lutou pelo reconhecimento da língua bengali. Também é comemorado em West Bengal, Índia.

LFS/AA

Inforpress/Fim

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