ICIEG considera “inaceitável” casos contínuos de VBG e anuncia alargamento do funcionamento de linha de denúncia

05-03-2024 13:50

Cidade da Praia, 05 mar (Inforpress) – A presidente do ICIEG considerou hoje “inaceitável” o facto de as mulheres continuarem a ser vítimas VBG em Cabo Verde e anunciou que será aumentado o funcionamento da linha de denúncia SOS para 24 horas.

A presidente do Instituo Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG), Marisa Carvalho, fez estas afirmações à imprensa quando questionada sobre o posicionamento do instituto relativamente aos últimos casos de Violência Baseada no Género (VBG) que ocorreram no último fim de semana, nos concelhos de Porto Novo, em Santo Antão, e em São Filipe, na ilha do Fogo.

“A questão da VBG é comportamental, que tem a ver como nós gerimos as nossas emoções, como nós entendemos o outro. Portanto, o fracasso de uma relação ou acabar uma relação, não é uma derrota, as pessoas têm liberdade de estar com quem quiserem, como quiserem, e há que respeitar o outro”, referiu.

Segundo a presidente do ICIEG, estes crimes vêm manchar o mês de Março, que é o mês da mulher e o mês em que são promovidas e reforçadas as acções para alertar sobre os “graves problemas” de género que persistem em todo o mundo, lembrando relembrando que a VGB é um crime público.

“Infelizmente não é só em Cabo Verde que isto acontece, mas temos realmente de parar para pensar. Não é o que é que as instituições fazem, é o que é que cada um de nós faz ao educar os nossos filhos, o que é que cada um de nós faz ao permitir muitas vezes estas situações, porque por mais que se diga, há sinais que é possível ver o que é violência e o que é que não é violência”, frisou.

Marisa Carvalho lamentou, de igual modo, que além de casos com vitimas mortais, há situações em que o agressor comete o suicídio, deixando assim uma família totalmente destruída e com consequências negativas para o resto da vida dos filhos e da própria sociedade.

“Vamos aumentar a linha de denúncia SOS para 24 horas, para funcionar durante 24 horas, vamos aumentar também as condições de restrição até ao dia seguinte, que damos aos centros de apoio às vítimas dos municípios, mas infelizmente não conseguimos estar na casa de cada uma das pessoas, não conseguimos estar a controlar cada um dos cabo-verdianos e todas as pessoas que estão em Cabo Verde”, apontou.

Marisa Carvalho salientou ainda que cada vez que são anunciados casos de VBG e com vítimas mortais o sentimento do ICIEG é de frustração, referindo que que enquanto houver uma pessoa que sofre violência seja homem ou mulher “é sempre decepcionante”, isto porque, sustentou, “ninguém merece sofrer qualquer tipo de violência”.

Reconheceu que tem havido redução do número de casos de VBG em Cabo Verde e aumento de denúncias, tendo apelado às vítimas para denunciarem casos de violência e evitar que situações trágicas aconteçam.

“Temos também tido um aumento de denúncias, o que é bom, porque como eu digo, quando nós conhecemos os casos podemos atuar sobre eles. Os casos que nós actuamos, por exemplo, extremos, que obriga por exemplo, às vezes à retirada da vítima do seu contexto familiar, nunca nenhuma vítima que foi retirada desse contexto emergencial de perigo iminente felizmente terminou na morte, portanto, o que eu apelo mais uma vez é para esta questão da denúncia”, asseverou.

Um indivíduo de 38 anos suicidou-se na noite de domingo, 03 de Março, no município de São Filipe, ilha do Fogo, depois de ter agredido a ex-companheira com uma arma branca (faca) nos membros e na região abdominal.

O comandante regional da Polícia Nacional (PN), Fernando Tavares, disse que o incidente ocorreu por volta das 23:00 na comunidade de Luzia Nunes com o indivíduo a entrar na residência da ex-companheira para agredi-la e depois suicidou-se na mesma residência.

Por outro lado, uma mulher de 30 anos foi encontrada morta em casa na segunda-feira, 04, na cidade do Porto Novo, em Santo Antão, e as autoridades policiais dizem suspeitar de um crime passional.

As autoridades policiais e de saúde, presentes no local, confirmaram à imprensa que os indícios demonstram que Andira Dias, que residia no bairro de Berlim, na cidade do Porto Novo, foi morta e suspeitam do seu ex-namorado com quem tem um filho menor. 

CM/AA

Inforpress/Fim

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