Guterres apela ao investimento nas mulheres para acelerar o progresso

06-03-2024 19:04

Cidade da Praia, 06 Mar (inforpress) – O secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou esta quarta-feira a um maior investimento nas mulheres para acelerar o progresso, ressaltando que, apesar do progresso, a igualdade plena continua a anos-luz de distância.

Num artigo de opinião divulgado hoje, António Guterres, que realçou a luta das mulheres e meninas na demolição de barreiras, desmantelamento dos estereótipos e no impulsionamento do progresso rumo a um mundo mais justo e igualitário, reconheceu que, apesar de tudo isso, milhares de milhões de mulheres e meninas enfrentam marginalização, injustiça e discriminação, à medida que as sociedades continuam a ser moldadas por milénios de dominação masculina.

“A persistente epidemia de violência baseada no género é uma ignomínia para a humanidade. Estima-se que, todos os anos, mais de quatro milhões de meninas correm o risco de serem submetidas à mutilação genital feminina”, destacou, frisando que em alguns lugares a discriminação tem dificultado que as mulheres possam ser proprietárias, enquanto que noutros, permite que um homem viole a sua mulher com impunidade.

No artigo de opinião para assinalar o Dia das Mulheres, assinalado a 8 de Março, o secretário-geral da ONU sublinhou que as crises mundiais afectam de forma mais severa as mulheres e as meninas e que onde quer que haja conflitos, catástrofes climáticas, pobreza ou fome, são elas as que mais sofrem.

“As novas tecnologias, que têm um enorme potencial para desmantelar as desigualdades, agravam muitas vezes esta situação, seja pela desigualdade no acesso, por algoritmos com preconceitos enraizados ou pela violência misógina – que vai desde os deep fakes até ao assédio direcionado a mulheres específicas”, realçou.

Neste sentido, afirmou que a plena igualdade jurídica para as mulheres ainda estará a cerca de 300 anos de distância, ressaltando que o mesmo acontece com o fim do casamento infantil, considerando como “um verdadeiro insulto” que se avance a este ritmo.

“Não é possível que metade da humanidade tenha de esperar séculos para gozar os seus direitos. Tem que haver igualdade agora. Para tal, é necessário acelerar o passo, que depende da ambição política e do investimento, o tema do Dia Internacional da Mulher deste ano”, enfatizou.

Para que isso aconteça, António Guterres afirma que será necessário investimento público e privado em programas para acabar com a violência contra as mulheres, garantir o trabalho digno e impulsionar a inclusão e a liderança das mulheres nas tecnologias digitais, na construção da paz, na ação climática e em todos os setcores da economia.

Guterres insta às organizações de direitos das mulheres que lutam contra os estereótipos para fazer ouvir as vozes das mulheres e das meninas e que desafiem as tradições e as normas culturais.
 
Informa que as organizações recebem, actualmente, apenas 0,1% do financiamento internacional para o desenvolvimento e apela à mudança uma vez que considera ser necessário um maior investimento para que as alunas tenham as mesmas oportunidades que os alunos, oferecer-se educação digital e desenvolver competências.

“É necessário investimento para fornecer cuidados infantis que permitam aos cuidadores, que quase sempre são as mães, realizar trabalho remunerado fora de casa. E é necessário investimento para construir comunidades e sociedades inclusivas com a plena participação de mulheres e meninas de todas as origens”, disse.

Para a garantia do investimento, o Secretário-geral da ONU aponta medidas como aumento de disponibilidade de financiamento acessível e de longo prazo para o desenvolvimento sustentável, e combate à crise da dívida que asfixia muitas economias em desenvolvimento.

A longo prazo, propõe reformar a arquitetura financeira internacional visando torná-la mais receptiva às necessidades dos países em desenvolvimento; dar prioridade à igualdade para as mulheres e as meninas, reconhecendo que a igualdade não é apenas uma questão de direitos, mas também a base de sociedades pacíficas e prósperas.

Para isso, António Guterres diz que os governos têm de combater activamente a discriminação, financiando programas de apoio a mulheres e meninas e garantindo que as políticas, orçamentos e os investimentos respondem às suas necessidades.

No artigo pede igualmente a ampliação do número de mulheres em posições de liderança para poderem ajudar a impulsionar o investimento em políticas e programas que respondam às realidades das mulheres e das meninas.

“Estou particularmente orgulhoso de, desde o início do meu mandato, e pela primeira vez na história, termos um igual número de mulheres e de homens na gestão de topo em todo o sistema das Nações Unidas”, afirmou, salientando que para acabar com o patriarcado é necessário dinheiro em cima da mesa.

 PC/JMV
Inforpress/Fim

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