Dia Internacional da Mulher: Jassira Monteiro diz que há machismo no masculino e feminino na política cabo-verdiana

08-03-2024 22:38

Assomada, 08 Mar (Inforpress) – A presidente da Câmara Municipal de Santa Catarina, Jassira Monteiro, considerou hoje que há machismo no masculino e feminino na política cabo-verdiana e que este não é a única barreira para a participação da mulher na política.

“Ainda há muitos desafios no que tange à participação da mulher na  política, sobretudo, porque ainda existem muitos cargos associados aos homens. Na política há machismo não só no masculino, mas também no feminino”, disse Jassira Monteiro aos jornalistas, em Assomada, Santa Catarina, à margem das actividades comemorativas do Dia Internacional da Mulher, assinalado anualmente a 08 de Março.

“Há machismo na política [cabo-verdiana], sem dúvida, mas, o que nós queremos é termos igual oportunidade porque a lei de paridade existe e é actual em Cabo Verde. Agora, o que é preciso é que nós mulheres tenhamos vontade e que também nos deixem assumir as nossas lideranças quando queremos”, reforçou a única mulher presidente de câmara no País. 

Questionada se a escolha de um homem, o actual vereador da Economia Local, Jacinto Horta, pelo seu partido, o MpD, como vem sendo ventilado na comunicação social se não é um acto machista, respondeu nesses termos: “O meu partido tem os instrumentos para decidir quem é o candidato, mas, reitero que ainda não fui comunicado oficialmente que não sou candidata pelo que vou desempenhar as minhas funções como presidente até o final do mandato”.

“Portanto, o partido é soberano, e é claro que tem voz em relação à escolha de candidatos, sou MpD acima de tudo e o futuro logo se vê”, acrescentou.
Relativamente às actividades do “Março - mês da Mulher” em Santa Catarina, Jassira Monteiro informou que as mesmas arrancaram hoje com uma feira de saúde, espetáculo musical com Tony Fika, Dulce Sequeira, Edmira Gonçalves e Princezito e alguns grupos de batucadeiras, um desfile de moda, na Praça Central de Assomada, e ainda uma exposição de artesanato e artes plásticas, na varanda do Centro Cultural Norberto Tavares, intitulada “Mulheres na Arte”.

“Este ano escolhemos o slogan para as actividades ‘o lugar da mulher é onde ela quiser’, para que até aquelas que não estão no lugar onde querem para refletirem sobre isso”, explicou.

Daí que, segundo ela, juntaram hoje na Praça Central de Assomada mulheres de todas as faixas etárias, cores politicas e de todos os municípios da ilha de Santiago, para que juntas possam defender a causa comum das mulheres.

“Até hoje estamos a lutar pelos nossos direitos e pelo lugar que gostaríamos de estar”, sublinhou.

“Mulher é pilar e motor da sociedade. É preciso que assumamos o nosso papel na sociedade e nossa liderança na sociedade, porque fazemos muito, mas é pouco visível. A nossa causa é comum e transversal, mas é preciso união, afirmação e termos uma única voz”, defendeu Jassira Monteiro.

Na ocasião, adiantou que além das actividades realizadas hoje, o município que lidera vai promover durante o “Março - mês da Mulher” encontros, rodas de conversas e reflexões com mulheres de santa Catarina, no âmbito da iniciativa “Roda de Mulheres”.

Pretende-se com esta iniciativa estimular na Rua Pedonal conversas, intervenções e depoimentos protagonizados por mulheres e homens alinhados com as reivindicações e a agenda feminina.

Em Santiago Norte, a Câmara Municipal de São Salvador do Mundo promoveu hoje uma palestra sobre o tema “desafios da mulher na sociedade de hoje, e em São Miguel, a edilidade realizou uma conversa aberta intitulada “Empreendedorismo e Amor” e de seguida procedeu à entrega de habitações a famílias chefiadas por mulheres, nas localidades de Achada Espinho Branco e Flamengos.

O Dia Internacional da Mulher, assinalado a 08 de Março, é uma data comemorativa que foi oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975. 

Essa data simboliza a luta histórica das mulheres por condições equiparadas às dos homens. Inicialmente, essa data remetia à reivindicação por igualdade salarial, mas, atualmente, simboliza também a luta contra o machismo e a violência. 

Suas sementes foram plantadas em 1908, quando 15 mil mulheres marcharam pela cidade de Nova York, EUA, exigindo a redução das jornadas de trabalho, salários melhores e direito ao voto. 

FM /JMV
Inforpress/Fim 

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