Cidade da Praia, 28 Abr (Inforpress) – A alegada falta de transparência e legalidade na venda de terrenos dominou hoje o debate político na Ribeira Grande Santiago, com a oposição a denunciar irregularidades e a exigir maior fiscalização e cumprimento rigoroso das normas legais.
As declarações foram feitas à margem da IVª sessão ordinária da Assembleia Municipal da Ribeira Grande Santiago, que aprecia o relatório de actividades e a conta de gerência de 2025.
Em declarações à imprensa à margem dos trabalhos, o deputado municipal do MpD, Nilton Livramento, manifestou preocupação com alegadas irregularidades na gestão e venda de terrenos, afirmando que o plano de actividades “não está totalmente especificado” e que há procedimentos que, segundo disse, não respeitam pressupostos legais.
O eleito municipal apontou a falta de infra-estruturação, desrespeito por planos detalhados e medidas preventivas, defendendo que a Assembleia Municipal deve ser chamada a pronunciar-se antes de qualquer alteração.
Disse ainda que a bancada foi surpreendida com informações de vendas que atingem cerca de 89 mil contos, sem identificação dos beneficiários.
Nilton Livramento alertou, igualmente, para o nível de endividamento da autarquia, referindo a existência de um empréstimo de 75 mil contos e criticando o que considerou ser “engenharias financeiras”, sublinhando a necessidade de priorizar áreas como saneamento e apoio aos mais vulneráveis.
Por seu lado, o deputado municipal do PAICV, Hermelindo Correia, considerou que houve avanços, com “ajustes na ordem dos 95 por cento (%)”, destacando a conclusão e continuidade de obras como a estrada de Calabaceira à Cidade Velha, a orla marítima e infra-estruturas em Porto Mosquito.
Ainda assim, apontou a falta de transparência em alguns investimentos, afirmando que nem todas as acções da câmara municipal são publicadas, o que dificulta uma avaliação mais precisa.
“A autarquia faz muitos investimentos directamente com a população que muitas das vezes não são divulgadas”, declarou.
Já o presidente da câmara municipal, Nelson Moreira, fez um balanço “positivo” da execução orçamental de 2025, indicando uma taxa de execução de receitas de 76% e de despesas de 67%, considerando o período de reorganização pós-reeleição.
Relativamente às críticas sobre a legalidade na atribuição de terrenos, garantiu que a autarquia actua no quadro da lei, admitindo, contudo, que há margem para melhorias.
Explicou que o município recorre a parcerias com privados devido à escassez de terrenos disponíveis.
Sobre receitas, confirmou um aumento significativo proveniente, também, da venda de terrenos, passando de cerca de 13 mil para 89 mil contos, verba que, segundo disse, tem sido aplicada na melhoria das condições de vida das populações, nomeadamente em habitação e reabilitação.
Quanto ao endividamento, assegurou que a capacidade da câmara está enquadrada na lei e sujeita à validação de instituições financeiras e do Tribunal de Contas.
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