Cidade da Praia, 14 Jan (Inforpress) - A Comissão Diocesana Justiça e Paz (CDJP) lançou um apelo urgente às autoridades e sociedade civil, para a criação de infra-estruturas adequadas que protejam o país dos graves prejuízos que podem ser causados pelas tempestades e chuvas intensas.
O repto foi lançado na sequência dos fenómenos climáticos ocorridos em 2025 e do aumento significativo de eventos climáticos extremos, assistidos nos últimos anos, nomeadamente chuvas intensas que provocam inundações, destruição de bens, prejuízos económicos, perdas de vida e sofrimento humano.
Preocupada com esta situação, a Comissão Diocesana Justiça e Paz da Diocese de Santiago (CDJP), através de uma nota, lançou um apelo urgente às autoridades centrais e municipais, bem como à sociedade civil, para que todos se unam na criação de infra-estruturas adequadas que protejam os centros urbanos de Cabo Verde.
“As chuvas intensas e prolongadas caídas em Agosto e Novembro de 2025, com consequências trágicas já conhecidas, puseram, mais uma vez, a nu a vulnerabilidade das nossas cidades”, lembrou a mesma fonte, frisando que a tendência é que eventos climáticos extremos se tornem cada vez mais frequentes.
Por este motivo, pediu atenção particular e prioritária a este tema e, sobretudo, aos impactos desses eventos nos concelhos com maior crescimento da população.
A mesma fonte recordou que boa parte da população vive em áreas de risco, em bairros desordenados e habitações edificadas fora de quaisquer planos urbanísticos, nas encostas e leitos das ribeiras.
“O Governo e as câmaras municipais, juntos, têm de ter a coragem política para eliminar ou, pelo menos, diminuir os riscos de uma nova tragédia. Estes acontecimentos evidenciam a vulnerabilidade das nossas cidades e a necessidade de uma resposta conjunta e eficaz”, sugeriu.
Face a esta realidade do país, a Comissão Diocesana Justiça e Paz, inspirada nas palavras do saudoso Papa Francisco, na encíclica Laudato Si', apela às autoridades centrais e municipais a adoptarem políticas públicas que de forma eficaz eliminem ou, pelo menos, diminuam os riscos de uma tragédia ainda maior.
De entre as medidas, sugeriu a criação de mecanismos de alerta de eventos meteorológicos extremos, identificação das áreas de risco, criação de rotas de fuga e pontos de encontro que servirão de abrigo às pessoas, criação de infra-estruturas adequadas, nomeadamente sistemas de drenagem eficientes e eficazes de desobstrução dos caminhos da água.
Igualmente defendeu a construção de calçadas permeáveis que permitam a infiltração da água e consequentemente a redução do caudal das cheias, a arborização das encostas e a criação de espaços verdes que possam ajudar na retenção das enxurradas, assim como campanhas de conscientização junto da sociedade que promovam a cultura de responsabilidade partilhada na protecção do ambiente.
Para a Comissão Diocesana Justiça e Paz, é “fundamental” que o planeamento urbano seja orientado por critérios de sustentabilidade e respeito pelo meio ambiente, prevenindo, assim, os impactos negativos das chuvas intensas.
Reafirmou o seu compromisso com a justiça ambiental e social, e manifestou disponibilidade para colaborar em iniciativas de redução de riscos e protecção dos mais vulneráveis e do meio ambiente.
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Inforpress/Fim