Cidade da Praia, 02 Abr (Inforpress) – A cidade da Praia acolhe, no próximo dia 09, quinta-feira, o primeiro encontro “Amar no Espectro”, reunindo famílias, profissionais e instituições para promover a inclusão, sensibilizar a sociedade e reforçar apoio às crianças com autismo.
A iniciativa “Amar no Espectro” surge da experiência pessoal de uma mãe que enfrenta, há dois anos, os desafios associados ao autismo, num contexto marcado pela escassez de apoio especializado, falta de informação e elevados custos das terapias em Cabo Verde.
Segundo a mesma mãe e promotora do projecto, Zuleika Rodrigues, a ausência de estruturas adequadas e de profissionais especializados motivou a criação de uma rede de apoio que una famílias, técnicos e instituições, com vista à construção de um sistema mais inclusivo no país.
“O projecto surgiu para criar uma rede de apoio, partilhar informação e aproximar pais, profissionais e instituições, com vista à inclusão em Cabo Verde”, anunciou Zuleika Rodrigues em entrevista à Inforpress.
O primeiro encontro pretende constituir um espaço de partilha e orientação, reunindo pais, familiares, profissionais de saúde e educação, bem como representantes institucionais, para debater o autismo e apresentar os objectivos da iniciativa.
A responsável ressaltou que o impacto esperado incide, sobretudo, na melhoria das condições de inclusão das crianças no sistema educativo e no reforço do conhecimento da sociedade sobre o autismo, ainda considerado limitado no país.
Neste sentido, apontou que muitas crianças permanecem fora de um acompanhamento adequado, devido à falta de preparação dos educadores e à inexistência de estruturas especializadas, o que compromete o seu desenvolvimento e integração social.
A iniciativa pretende, ainda, sensibilizar a sociedade para a importância da compreensão do autismo, combatendo o estigma e o julgamento, frequentemente associados à falta de informação.
O encontro será aberto ao público em geral, com especial enfoque nas famílias, e contará com a participação de profissionais que actuam na área, como neuropsicólogos, neuropediatras, psicólogos infantis e fonoaudiólogos, além de uma especialista internacional que abordará sinais, orientações e possíveis caminhos de intervenção.
A promotora, actualmente em formação avançada na área do Transtorno do Espectro do Autismo, defende a necessidade da capacitação contínua e de políticas públicas que assegurem apoio efectivo às famílias e às crianças.
A médio prazo, o projecto ambiciona evoluir para uma organização estruturada, capaz de intervir na definição de políticas públicas e na defesa dos direitos das crianças com autismo e suas famílias em Cabo Verde.
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