Mindelo, 26 Mar (Inforpress) – O presidente da Câmara de Comércio do Barlavento (CCB), Jorge Maurício, alertou hoje que a transformação dos processos burocráticos físicos em digitais está a prejudicar o ambiente de negócios em Cabo Verde.
A declaração foi feita à imprensa durante a Assembleia Geral Ordinária da instituição, que teve como objetivos a aprovação do relatório e contas de 2025 e a apresentação do plano de actividades para 2026.
Segundo Jorge Maurício, a burocracia continua a ser um dos principais constrangimentos para os empresários, mesmo com o investimento do Estado na economia digital e na governação electrónica.
“O Estado tem feito um esforço enorme no comércio electrónico e na governação digital, mas não podemos transformar a burocracia física em burocracia digital. Isto é muito mau”, alertou.
O responsável acrescentou que, embora a digitalização permita uniformizar e democratizar o acesso aos processos administrativos, o problema mantém-se quando os centros de decisão permanecem concentrados.
“Se a decisão e os processos decisores não acompanham a mesma ideia de desburocratizar, descentralizar e desconcentrar, nós continuamos na mesma”, afirmou.
Na prática, explicou, a transferência de processos físicos para plataformas digitais ocorre sem autonomia de decisão nas diferentes ilhas, devido à concentração de poderes. Como exemplo, citou dificuldades enfrentadas por empresários fora da ilha onde se situam serviços centrais.
“Ainda hoje damos exemplos concretos. As pessoas em São Vicente não conseguem, em tempo útil, fazer o despacho aduaneiro de viaturas com isenção, em tempo normal, porque este processo é centralizado num certo ministério, numa certa ilha do país”, criticou.
Jorge Maurício afirmou que a situação transforma serviços locais, como delegações das Finanças e alfândegas, em meras “caixas de correio”, sem capacidade executiva para concluir processos, o que não beneficia o ambiente de negócios.
A CCB tem procurado levar estas preocupações ao Governo, sobretudo no âmbito da melhoria do ambiente de negócios.
“Temos trabalhado directamente com o gabinete do primeiro-ministro e com o Ministério da Promoção de Investimento para que o ‘business ready’ seja real. Há abertura, mas na prática ainda precisamos melhorar muito”, reconheceu.
No plano de actividades para 2026, a formação profissional surge como uma das principais apostas da instituição, especialmente para responder à crescente mobilidade de profissionais no país.
A CCB vai reforçar a oferta de formação através de uma plataforma ‘online’, financiada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), permitindo que pessoas em todas as ilhas tenham acesso a cursos em horários flexíveis.
“A formação ‘online’ será uma das bandeiras da Câmara de Comércio do Barlavento em 2026, porque precisamos de formar mais pessoas para responder às necessidades das empresas”, destacou.
Para 2026, a CCB prevê ainda a participação das classes empresariais em cerca de 13 feiras e eventos internacionais e planeia iniciar a construção das suas instalações próprias em Santo Antão e no Sal.
CD/JMV
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