Presidente do Projecto Herança Judaica em Cabo Verde “desapontada” com “desleixo” das autoridades com cemitérios em Santo Antão (c/áudio)

12-03-2024 18:34

Mindelo, 12 Mar (Inforpress) – A Presidente do Projecto Herança Judaica em Cabo Verde diz-se “desapontada” com o “desleixo” das autoridades municipais na manutenção dos cemitérios históricos requalificados em Penha de França e Ponta do Sol, em Santo Antão.

Carol Castiel mostrou a sua indignação à inforpress, no Mindelo, na sequência de uma palestra feita hoje aos alunos da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) para falar sobre a herança judaica no arquipélago.

A mesma fonte lembrou que aquando da restauração dos cemitérios, um em Ponta do Sol e outro em Penha de França, em Novembro de 2018, foi também assinado um protocolo com a Câmara Municipal de Ribeira Grande para fazer a manutenção destes espaços.

“Mas, sinceramente, fiquei bastante desapontada com as condições dos dois cemitérios. Havia materiais de construção no de Ponta do Sol, precisava de mais camadas de cal, havia muita grama dentro de cemitério e as placas estavam completamente enferrujadas”, descreveu o cenário encontrado na visita feita na semana passada.

Carol Castiel considerou haver um certo “desleixo” em intervenções que poderiam ser “facilmente feitas”.

Mesmo assim, ainda guarda a esperança de que as coisas possam mudar após a sua visita e por terem nomeado agora um representante do projecto na ilha e, por outro lado, também pelas “reuniões sérias” tidas com o presidente da Câmara Municipal de Ribeira Grande e os vários vereadores.

“Porque não é uma vergonha só para Santo Antão, mas para o País e para o estrangeiro, porque eu sendo uma judia que gosta muito deste País, estou pronta para trazer muita gente dos Estados Unidos, Canadá, Europa para visitar e fazer o circuito da herança judaica, mas, eu não posso fazer isso agora”, lançou.

Daí, sustentou a mesma fonte, as autoridades e a própria sociedade civil deve dotar esses cemitérios de “melhores condições” por serem património histórico-cultural nacional desde 2017, quando foi aprovada a lei sobre a questão na Assembleia Nacional de Cabo Verde.

Mas, infelizmente, argumentou, “o Estado não está a cumprir a sua parte”.
Referindo-se mais concretamente a São Vicente, Carol Castiel disse que já tentou vários contactos para tentar saber e contabilizar a herança judaica ainda existente na ilha, por exemplo, de relatos de um cemitério inglês onde foram enterrados alguns judeus, túmulos judaicos que estão no cemitério cristão e mesmo de outras construções arquitectónicas, mas até agora não obteve resposta.

“Teremos todo o gosto em ter uma parceria, e estamos prontos a ajudar”, asseverou, apontando como exemplo os protocolos de cooperação que tem com as câmaras municipais de Santo Antão, Boa Vista e Cidade da Praia.

Carol Castiel afiançou ter toda disponibilidade para cooperar com os vários parceiros e “vigiar mais” o processo em Cabo Verde , ainda mais agora que se aposentou da sua profissão como jornalista do “Voz da América”, onde trabalhou por 24 anos.

Quer com "todo o empenho" fazer a nova geração e os descendentes do seu povo conhecerem a história dos judeus em Cabo Verde.

“Para verem que um pedaço do seu património está bem preservado. Estou sempre disponível, mas precisamos mesmo de um ´djunta mon´[união de forças] dos nossos parceiros”, exortou Carol Castiel, com a pretensão de estender a cooperação à São Nicolau, onde soube existir também herança judaica para ser preservada.

Perante estes objectivos, a presidente pediu também maior envolvimento do próprio Governo, especialmente do Ministério da Cultura e das Industrias Criativas e do Instituto do Património Cultural (IPC) para ajudarem a mostrar o legado dos judeus no arquipélago.

Mas, por agora, conta fazer isso com maior divulgação junto das livrarias cabo-verdianas da segunda edição do livro “Os Judeus Marroquinos de Cabo Verde - Século XIX”, cujo lançamento foi feito agora no mês de Março, na Cidade da Praia, publicado pelas Edições Colibri, de Portugal,  e que, segundo a mesma fonte, conta com outras fontes arquivistas que a primeira edição não tinha.

LN/JMV
Inforpress/Fim

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