Língua materna: Escritor denuncia “simulacro” e “fraude” no processo de introdução no ensino da língua cabo-verdiana

21-02-2024 1:06

Cidade da Praia, 21 Fev (Inforpress) - O escritor cabo-verdiano José Luiz Tavares denunciou hoje, em entrevista à Inforpress, o que considera ser um “simulacro” e uma “fraude” no processo de introdução no ensino da língua cabo-verdiana.

“O processo de introdução no ensino é um simulacro e uma fraude à Constituição. Como é que é possível dignificar a língua cabo-verdiana colocando o seu ensino nos últimos anos do secundário, como matéria opcional, sem professores formados para tal?”, questionou o poeta e tradutor de Camões, Fernando Pessoa e da Declaração Universal dos Direito Humanos para a língua cabo-verdiana.

Para José Luiz Tavares, ao proceder-se dessa forma, dá-se a ideia que há um intuito de fazer com que os resultados alcançados não sejam satisfatórios e, desse modo, com base nisso, encontrar-se um “alibi para postergar para um futuro incerto a sua introdução plena no ensino”.

Em declarações hoje à Inforpress, Dia Internacional da Língua Materna, o mais premiado poeta cabo-verdiano considerou que em termos institucionais Cabo Verde não deu um único passo em frente.

“Pudera! se um dos conselheiros do primeiro-ministro é um dos maiores reacionários linguísticos em matéria da língua materna cabo-verdiana”, ironizou.

E prosseguiu: “Não se pode perguntar a um ser humano se ele quer aprender a sua língua, ou se ele quer ser livre: é uma pergunta ilegítima, porque o homem nasce livre, e a primeira manifestação dessa liberdade é capacidade de ele exprimir a sua mundividência por escrito ou oralmente na sua língua natural”.

O processo do ensino massivo da língua materna, acrescentou, tem que começar com a formação de professores e investigadores, e com a introdução em todos os cursos das universidades públicas cabo-verdianas uma disciplina de introdução aos estudos da língua cabo-verdiana ou cabo-verdiano elementar, e negociar com as universidades privadas também a sua introdução.

Defendeu que nos concursos para lecionação nas universidades devia haver o quesito do domínio formal escrito da língua cabo-verdiana, “que é uma forma de incentivar os professores” a aprender formalmente a língua cabo-verdiana.

“Aliás, a Universidade de Cabo Verde devia ter cursos de língua cabo-verdiana em horário pós-laboral para os seus docentes, cuja esmagadora maioria não domina formalmente a sua língua natural”, observou.

JMV/CP

Inforpress/fim

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