JPAI exorta Governo a abordar com “seriedade e urgência” a questão do suicídio em Cabo Verde

28-02-2024 13:29

Cidade da Praia, 28 Fev (Inforpress) – O presidente da Juventude do PAICV, Fidel Cardoso de Pina, exortou hoje o Governo a abordar com “seriedade e urgência” a questão do suicídio por considerar “alarmante” os casos que têm acontecido em Cabo Verde nos últimos anos.

Em conferência de imprensa concedida, esta manhã, na sede do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV – oposição), Fidel de Pina avançou dados que indicam que o país foi confrontado em média com um suicídio por semana o que resultou em cerca de quase 50 mortes por ano, sendo que a “esmagadora maioria” dos casos aconteceu nos homens.

“Segundo consta, 1,7% da população adulta cabo-verdiana já tentou o suicídio e 3,3% da população ponderou seriamente suicidar-se no último ano, de acordo com os dados do segundo Inquérito Nacional sobre os factores de risco de doenças não transmissíveis, com o foco na Saúde Mental”, disse.

Ainda segundo o presidente da JPAI, dados disponíveis confirmam que o país registou 49 suicídios em 2017 e 55 em 2018. Em 2019, sublinhou, registou-se 41 casos de suicídio e em 2020, 49.

Avança também que dados estatísticos registados na Direcção Nacional da Polícia Judiciária, indicam, um registo de cerca de 25 casos de suicídio só no primeiro semestre 2023.

“O suicídio entre jovens constitui motivo de grande preocupação em várias sociedades. Segundo os dados da OMS esta é a quarta maior causa de morte de jovens com idade entre os 15 e 29 anos a nível global, e compreende uma diversidade de factores e razões que podem levar uma pessoa a cometer tal acto”, referiu.

Conforme Fidel de Pina, dados de suicídio registados na Polícia Judiciária, a nível nacional, por faixa etária, do ano 2019 ao 1º semestre 2023, indicam um registo de sete suicídios de jovens com menos de 18 anos, sete suicídios de jovens com idade entre os 18 e 23 anos, 16 suicídios de jovens com idade entre os 24 e 29 anos e 26 casos de suicídio de jovens com idade entre os 30 e 39 anos.

“Um total de cerca de 56 casos de suicídio juvenil durante este período referido. Estes dados preocupantes interpela-nos a todos, especialmente agora que foi decretado pelo Governo como o ano [2024] da Saúde Mental, para se fazer uma profunda reflexão sobre este desafio que flagela o país e a juventude em particular”, acrescentou.

Para a JPAI, tal realidade deve-se aos desafios que a juventude cabo-verdiana tem enfrentando, começando com problemas socioeconómicos até questões de saúde mental.

Neste sentido, identificou como possíveis causas subjacentes a essa crise, os problemas de saúde mental, como a depressão, ansiedade, ou a esquizofrenia; o bullying; o abuso de substâncias tóxicas; os problemas de foro familiar; o desemprego juvenil; a falta de acesso a serviços de saúde mental adequados; a pressão social e familiar; a falta de perspectivas de futuro e a marginalização de certos grupos dentro da sociedade.

“Esses factores combinados podem criar um ambiente propício para o desespero e a desesperança, levando muitos jovens a verem o suicídio como a única saída. Assim a Juventude do PAICV pede ao actual Governo que reconheça a gravidade desta situação e tome medidas concretas e imediatas para abordar as causas subjacentes do suicídio, especialmente entre os jovens”, destacou.

Além do Governo, a JPAI apelou à sociedade cabo-verdiana como um todo para que se una nesta luta contra o suicídio, afirmando ser de “extrema importância” que haja uma sinergia entre os vários actores da sociedade no sentido de trabalharem juntos.

A crise do suicídio entre os jovens em Cabo Verde, reforçou, é uma emergência que não pode mais ser ignorada, daí a JPAI estar “comprometida e disponível” para contribuir para a busca de caminhos eficazes para o tema, sobretudo, em matéria de prevenção.

Neste âmbito, propõe ao Governo a realização de um estudo aprofundado sobre o suicídio no país, com enfoque especial nos jovens; aposta no reforço de técnicos e especialistas ligados à área; investimento no aumento do acesso a serviços de saúde mental, assim como um trabalho de prevenção de suicídio nas escolas, nas universidades e nas comunidades visando avaliar, identificar, gerir, orientar e acompanhar precocemente pessoas com comportamentos suicidas.

PC/ZS

Inforpress/Fim

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