Mindelo, 15 Jan (Inforpress) – A cidade do Mindelo acolheu hoje o lançamento do volume IV do livro “No Ofício do bem comum”, do Presidente da República, que se trata de “uma obra de pensamento, reflexão cívica e de compromisso ético”.
Uma leitura feita pelo apresentador António Tavares, coreógrafo e director do Centro Cultural do Mindelo, que considerou ser este “não é apenas um livro que se lê, mas um livro que se escuta”.
“Escuta-se o tempo, escuta-se o país, escuta-se o mundo e, sobretudo, escuta-se a consciência de quem sabe que a palavra pública, quando bem usada, é também um acto de cuidado”, sublinhou a mesma fonte, durante a apresentação no Centro de Arte, Artesanato e Design (CNAD).
Este volume reúne, ajuntou, um discurso, muito além do registo circunstancial da palavra presidencial.
“Trata-se de uma obra de pensamento, de reflexão cívica e de um compromisso ético”, sublinhou António Tavares, para quem ao longo da leitura das páginas percebe-se que a política “não é entendida como exercício de poder pelo poder, mas como serviço, como responsabilidade histórica e como construção do bem comum”.
O apresentador afiançou que logo no primeiro capítulo, dedicado ao Estado, à sociedade e à democracia, estabelece-se o eixo central de toda a obra, na qual a democracia é apresentada não como um dado adquirido, mas como “uma construção permanente, frágil e exigente”.
Fala-se, argumentou, do equilíbrio do poder, da liberdade de voto, da imprensa livre, da autonomia da sociedade civil, da fidelidade das Forças Armadas.
Também o co-apresentador, o sociólogo Graciano Nascimento teceu as suas considerações sobre o mesmo capítulo e disse ser neste que se tornam mais claras, que atravessam os discursos no livro reunidos e que ajudam a compreender a visão orientadora da acção presidencial
“Neste capítulo encontramos uma concepção de Estado que não se apresenta como uma entidade distante ou abstrata, mas como uma estrutura ao serviço da comunidade política”, sentenciou Graciano Nascimento.
Há neste, conforme a mesma fonte, um Estado que “se afirma pela solidez das suas instituições, pelo respeito, pelas regras democráticas e pela responsabilidade no exercício do poder, mas que nunca perde de vista o seu destinatário último, o cidadão”.
Ao mesmo tempo, garantiu o sociólogo, a sociedade surge nestes discursos não como mera receptora das decisões do Estado, mas como parceira activa da democracia.
Também presente no acto, o Presidente da República explicou que a intenção de publicar estas obras “No Ofício do Bem comum” é de “irromper na esfera pública as suas ideias, as suas opiniões e os seus posicionamentos sobre as questões essenciais que se referem à vida do país”.
No presente volume estão explícitas em mais de 450 páginas.
Referindo-se à um assunto em particular, o chefe de Estado mencionou o seu posicionamento sobre a diáspora, que acredita ser de dimensão estratégica sobre Cabo Verde.
“Dizer que devemos prestar atenção e cuidar e proteger os cabo-verdianos que estão lá fora, defender os seus interesses e fazer de Cabo Verde um porto seguro para todos”, advertiu José Maria Neves, ao fazer menção aos deportados e os que forem obrigados a voltar ao país.
O Presidente da República prosseguiu a sua intervenção fazendo alguns esclarecimentos sobre pormenores do seu cargo, entre os quais a necessidade de separação de poderes e a atribuição de indultos.
LN/JMV
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