Lisboa, 30 Jan (Inforpress) – O presidente do PAIGC da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, será libertado no final do dia de hoje e ficará em prisão domiciliária, segundo o porta-voz de um grupo de dirigentes, que pede uma direção transitória no partido.
O anúncio foi feito hoje por Aladje Sano, que se apresentou aos jornalistas numa conferência de imprensa em Bissau, difundida pela comunicação social local, como “representante de um grupo de dirigentes e militantes” do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).
Aladje Sano diz que é também membro do Comité Central do partido e afirmou ter a informação de que o líder Simões Pereira “será libertado no final do dia de hoje” e que “fica em prisão domiciliária”.
Segundo disse, Simões Pereira “não pode dirigir o partido em prisão domiciliária”, pelo que o grupo que representa irá pedir uma direção de transição até ao congresso do PAIGC em Novembro, data em que termina o mandato da atual direção.
Sano, um dos assessores de João Bernardo Vieira, atual ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de transição e conhecido adversário de Domingos Simões Pereira no PAIGC, criticou a postura dos elementos da direcção do partido que, disse, “fugiram e se acantonaram” com o golpe de Estado.
“Faltou responsabilidade aos dirigentes do partido. Aqueles que deviam substituir o presidente do partido fugiram, acantonaram-se e deixaram os militantes à sua sorte”, observou Aladje Sano.
O político considerou “anormal” a detenção de Simões Pereira, mas deixou à consideração do Alto-Comando Militar, protagonista do golpe, uma explicação sobre os motivos da sua detenção.
Aladje Sano defende que os veteranos do PAIGC deviam “assumir as rédeas da situação”, através de uma direcção transitória com o mandato de preparar um congresso que pudesse eleger uma nova liderança.
“Um partido da dimensão do PAIGC não pode ser dirigido por um líder em prisão domiciliária”, disse Sano, que aponta o dedo à direcção do partido por não ter se aproximado logo dos militares aquando da detenção de Simões Pereira, afirmou.
A primeira tarefa da comissão liderada por veteranos seria contactar os militares para que permitam a reabertura da sede do PAIGC, que, disse, está fechada, sem que a direção tentasse saber os motivos.
Aladje Sano defendeu que será preciso que todas as sensibilidades se juntem e que os veteranos trabalhem no sentido de permitir que todos participem no próximo congresso.
“Juntemo-nos para fazermos uma frente única para salvar o nosso partido”, sublinhou.
O líder do PAIGC está detido desde o golpe de Estado de 26 de Novembro de 2025, quando os militares tomaram o poder e foi interrompido o processo eleitoral sem serem conhecidos os resultados oficiais das eleições gerais de 23 de Novembro em que o Presidente cessante e deposto, Umaro Sissoco Embaló, concorreu a um segundo mandato.
Afastados das eleições pelo Supremo Tribunal de Justiça, Simões Pereira e o PAIGC apoiaram o candidato Fernando Dias, que reclamou vitória na primeira volta e que se refugiou na embaixada da Nigéria, de acordo com o que tem sido divulgado na imprensa guineense.
A imprensa guineense dá hoje conta de Fernando Dias e o antigo primeiro-ministro e dirigente do PAIGC Geraldo Martins regressarão às suas residências, também, no dia de hoje.
Este desenvolvimento na crise político-militar da Guiné-Bissau resulta da mediação do enviado especial do Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Diakhar Faye.
O chefe de Estado senegalês enviou, na quinta-feira, a Bissau o ministro da Defesa Nacional do Senegal, General Birame Diop, com o acompanhamento da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).
Inforpress/Lusa
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