Caldas da Rainha, Leiria, 28 Jan (Inforpress) - O mau tempo provocou até às 18:00 de hoje 649 ocorrências na região do Oeste, que envolveram 2.226 operacionais e 689 meios terrestres, havendo a registar, segundo o Comando sub-regional do Oeste, 43 deslocados, 14 desalojados e quatro feridos.
“Neste momento, temos 649 ocorrências que envolvem 2.226 operacionais e 689 meios terrestres” disse à agência Lusa o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Região Oeste, Carlos Silva, estimando que o “número venha a aumentar, muito por causa do concelho de Alcobaça”.
Ao longo do dia, os dois municípios com maior registo de ocorrências na sequência da passagem da depressão Kristin foram “Torres Vedras [no distrito de Lisboa], com 109, e Caldas da Rainha [no distrito de Leiria], com 100”.
Mas, segundo Carlos Silva, o serviço está agora “a receber grande parte das ocorrências de Alcobaça, da Benedita, de São Martinho do Porto e de Pataias”, o que deverá fazer deste o município que somará mais ocorrências, podendo atingir “provavelmente 200 ou mais”.
No que diz respeito à gravidade das situações reportadas, verificou-se, desde o primeiro balanço feito à agência Lusa pelas das 10:00, um aumento dos deslocados, que subiram de 41 para 43, e dos desalojados, que aumentaram de seis para 14, tratando-se de “pessoas que ficaram sem condições de habitabilidade nas suas casas”.
Quanto ao número de feridos continuam a contabilizar-se três feridos ligeiros, um dos quais bombeiro, e um ferido grave.
Além do elevado número de efetivos e meios no terreno, “sendo já noite escura”, Carlos Silva manifestou à Lusa “preocupação pelo facto de muito do território não ter eletricidade”, situação que se reflete “em serviços críticos, nomeadamente o abastecimento de água”.
Segundo o responsável, Alcobaça e Nazaré, ambos no distrito de Leiria, são “os mais afetados pela falta de água, com praticamente todo o município sem água”.
Por isso, acrescentou, operacionais dos corpos de bombeiros do sub-comando, “além de trabalharem na limpeza das vias e na remoção das árvores, estão também a fazer abastecimentos de água” à população.
O Comando sub-regional do Oeste abrange os concelhos de Alcobaça, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Peniche, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras.
Cinco autarquias (Lourinhã, Óbidos, Alcobaça, Nazaré e Torres Vedras) ativaram o plano municipal de emergência e “muitos municípios optaram por fazer o encerramento de todas as escolas”, disse ainda Carlos Silva.
A passagem da depressão Kristin pelo território português deixou um rastro de destruição, vários desalojados e causou quatro mortos, segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.
Os distritos mais afetados foram Leiria (por onde a depressão entrou no território continental), Coimbra, Santarém e Lisboa.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
A Proteção Civil está em estado de prontidão especial de nível 4, o máximo, em toda a orla costeira entre Viana do Castelo e Setúbal, e há avisos meteorológicos vermelhos (nível mais grave) em toda a costa do continente.
Inforpress/Lusa/Fim