Mindelo, 04 Fev (Inforpress) - O presidente da Liga Independente dos Grupos Oficiais do Carnaval de São Vicente (LIGOC-SV) afirmou hoje que o Conselho Deliberativo da liga “não tem poderes para o destituir” e negou a “gestão danosa” de que foi acusado.
Marco Bento falava à Inforpress, em reacção à deliberação do Conselho Deliberativo da LIGOC-SV, que decidiu cessar as suas funções como presidente da liga, por “violação dos deveres de lealdade” e “gestão prejudicial aos interesses colectivos”.
Mas, o presidente da LIGOC-SV reafirmou que se mantém legítimo nas suas funções, porque, segundo o estatuto da liga, quem faz a destituição, ou substituição e as eleições é a assembleia-geral.
“Não dei muita importância ao assunto, mas é um caso sério que temos de analisar com alguma atenção, porque o Conselho Deliberativo é um órgão idêntico à Direcção Executiva e não tem poder de destituição”, reforçou a mesma fonte.
O mesmo lembrou que a liga tem uma assembleia-geral soberana, que faz substituições e nomeia os órgãos, especialmente os do Conselho Deliberativo e da Direcção Executiva.
Daí, segundo Marco Bento, a deliberação do Conselho Deliberativo não ter validade.
Aliás, lembrou que isso já foi demonstrado nas instituições onde foi apresentada, especialmente nos bancos, que a rejeitaram por não ter validade.
“Os bancos foram notificados com esta deliberação para tentar bloquear ou eliminar a assinatura do presidente, mas isso foi rejeitado pelos bancos porque não tem validade”, declarou o presidente da LIGOC-SV.
Por isso, classificou esta situação como uma “tentativa de golpe às contas bancárias da liga” e de “bloquear os fundos que devem chegar aos grupos que vão desfilar”.
“As contas bancárias da liga, a 15 dias do Carnaval, não podem ser bloqueadas, porque é através delas que os grupos que se preparam para o Carnaval recebem os fundos, especialmente as subvenções do Governo”, argumentou.
Segundo a mesma fonte, a tentativa de “colar má gestão” ao presidente e à Direcção Executiva e de “prejudicar a colectividade é descabida”.
“Não cola, não faz sentido, porque a liga tem sido bem representada pela Direcção Executiva e tem-se dado muito bem com os grupos. Agora, houve diferenças de opiniões e uma discórdia em relação ao Carnaval de 2026, mas não é por causa disso que os grupos falam em gestão danosa”, acrescentou.
Conforme Marco Bento, essa discórdia vem directamente do apoio que a Direcção Executiva queria dar aos grupos Cruzeiros do Norte e Flores do Mindelo, que queriam desfilar no Carnaval de 2026.
Esclareceu que a liga apenas faz a gestão de uma competição que é realizada há muito tempo e cujo dono é a Câmara Municipal de São Vicente, fruto de um protocolo assinado em 2018.
Por isso, clarificou, “dizer aos grupos que não vão competir, que não há concurso, não é competência da liga, mas sim da câmara”.
Para o presidente da LIGOC-SV, a ameaça do Conselho Deliberativo de recorrer à justiça caso o regulamento, o material técnico e as marcas da liga forem usados “é prova de que os grupos não querem que haja um Carnaval, nem competição”.
Mas lembrou que a câmara tem capacidade suficiente para elaborar quais são as regras do jogo.
“Nós trouxemos esse tipo de regulamento ao Carnaval de São Vicente, que não existia quando a câmara organizou o Carnaval. Mas a autarquia também consegue elaborar esse tipo de regulamento e garantir continuidade”, finalizou.
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