Pedra Badejo, 18 Jan (Inforpress) – Com balões e cartazes nas mãos, vozes embargadas e um sentimento de revolta, familiares e moradores de São Cristóvão, no município de Santa Cruz, pediram hoje justiça pela morte de Wilson Costa, encontrado sem vida no passado domingo.
A concentração aconteceu precisamente no local onde o corpo da vítima, conhecida localmente como "Já", de 43 anos, foi localizado e, nos arredores de onde terão ocorrido as agressões fatais.
Entre abraços e lágrimas, a comunidade recordou um homem descrito como pai dedicado de cinco filhos – quatro deles menores –, trabalhador e sem histórico de conflitos.
Segundo o relato de Lucelina Varela, vizinha da vítima, o crime terá ocorrido por volta das 05:00 de domingo, 11, mas a família só tomou conhecimento cerca de duas horas depois.
A mesma ressaltou que o estado em que a vítima foi encontrada chocou até os mais próximos. “Nem os familiares conseguiram reconhecê-lo”, contou, visivelmente abalada.
Lucelina explicou que Já regressava a casa após ter passado a noite na residência de um parente recentemente falecido, quando terá sido surpreendido e que no local, foram encontrados apenas os sapatos, a calça, o cinto e a roupa interior.
A carteira, o relógio e outros pertences desapareceram. “É uma indignação muito grande. Queremos saber o que aconteceu com ele e onde estão as coisas dele”, afirmou.
De acordo com a moradora, a Polícia Judiciária esteve no local ainda no domingo e circulam informações de que dois suspeitos já se encontram detidos, mas os familiares queixam-se da falta de esclarecimentos sobre o andamento do processo.
“O nosso grito é um só: que se faça justiça”, reforçou.
À manifestação juntaram-se outras vozes da comunidade, como Cleidy Quebra, Pedro da Costa, Juliana Semedo e Wilson David, que recordam Já como um “homem simples” e “dedicado à família”.
“Da forma como foi assassinado, ninguém merece, nem mesmo um animal”, disseram.
O crime deixou a Ribeira de São Cristóvão em clima de medo e os moradores afirmam sentir-se inseguros e aproveitam para pedir uma maior presença das autoridades policiais e investimentos em infra-estruturas básicas na localidade.
Entre as preocupações apontam a estrada de acesso em más condições e falhas na iluminação pública, problemas que, segundo dizem, agravam o isolamento da zona, onde muitas famílias vivem da agricultura e da pecuária.
Enquanto a investigação decorre, a comunidade promete continuar a mobilizar-se para que a morte de Já não caia no esquecimento e os responsáveis sejam levados à justiça.
MC/CP
Inforpress/Fim