Caracas, 22 Jan (Inforpress) – A presidente interina da Venezuela e ex-vice-presidente de Nicolás Maduro, que foi detido pelos Estados Unidos em 03 de Janeiro, vai encontrar-se com Donald Trump, anunciou a Casa Branca, sem especificar uma data.
Ao falar depois deste anúncio com autoridades locais, Rodríguez, que permanece sob sanções dos Estados Unidos, declarou, sem mencionar directamente o convite: "Estamos num processo de diálogo, de trabalho com os Estados Unidos, sem qualquer receio para confrontar as diferenças, as dificuldades, tanto as mais sensíveis quanto as menos sensíveis, e resolvê-las por meio da diplomacia".
A acontecer esta viagem, escreveu a agência de notícias France-Presse (AFP), Rodríguez será a primeira líder venezuelana a visitar os Estados Unidos em mais de um quarto de século — excluindo presidentes que participam em reuniões das Nações Unidas em Nova Iorque.
O convite, anunciado na quarta-feira, demonstra mais uma vez que o Presidente dos Estados Unidos, que afirmou estar "a trabalhar" com Rodríguez, pretende adoptar uma estratégia pragmática com a Venezuela, não escondendo o interesse no petróleo do país, ainda de acordo com a AFP.
No entanto, Trump parece manter as opções em aberto. Na terça-feira, confidenciou querer envolver a líder da oposição venezuelana e vencedora do Prémio Nobel da Paz, Maria Corina Machado, na governação do país.
A última vez que um chefe de Estado venezuelano viajou até aos Estados Unidos para uma reunião oficial com um presidente norte-americano foi na década de 1990, quando Carlos Andrés Pérez se encontrou com George H.W. Bush (pai).
A viragem socialista sob Hugo Chávez (1999-2013) teve um impacto nas relações, que rapidamente se tornaram conflituosas.
Empossada em 05 de Janeiro, dois dias após o rapto do Presidente do país, Nicolás Maduro, pelas forças americanas, Delcy Rodríguez aparenta estar a fazer inúmeras concessões sob pressão dos Estados Unidos, escreveu ainda a AFP.
Donald Trump ameaçou a responsável com outro ataque, caso esta não responda positivamente às exigências dos Estados Unidos.
Rodríguez assinou acordos petrolíferos, prometeu a libertação de presos políticos, removeu Alex Saab, considerado um aliado de Maduro, de cargos de poder e prometeu reformas legislativas para facilitar o investimento.
Os voos de deportação que transportam migrantes dos EUA para a Venezuela também foram retomados.
Entretanto, a presidente interina nomeou 12 novos comandantes militares regionais na quarta-feira, depois de ter colocado um ex-chefe do serviço de inteligência (Sebin) no comando da guarda presidencial e contra-espionagem.
Paralelamente, o Governo venezuelano continua a exigir publicamente a libertação de Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cília Flores, e a criticar "a agressão" norte-americana.
O poderoso Ministro do Interior, Diosdado Cabello, negou os rumores de que se teria reunido com as autoridades dos EUA antes da captura de Maduro. "Não me reuni com ninguém", afirmou na televisão estatal. "Desafio qualquer um" a provar o contrário, acrescentou.
Para o cientista político Benigno Alarcón, Donald Trump está a tentar evitar repetir "os erros” do passado, como no Iraque, onde os EUA removeram membros do Partido Baath da administração, deixando o país ingovernável.
“Os chavistas”, apoiantes de Hugo Chávez que controlam os poderes executivo, legislativo e judiciário, e a administração “sempre estarão lá, mesmo que sejam minoria” no país, disse.
Na Venezuela, familiares de presos políticos ainda aguardam as libertações, que acontecem muito lentamente. Desde as promessas de libertação, apenas cerca de 150 pessoas, de um total de mais de 800 presos políticos, foram libertadas, segundo levantamento de uma ONG.
“O compromisso de libertar todos os presos políticos na Venezuela ainda não foi cumprido”, lamentou na terça-feira Diego Casanova, membro da organização Comité para a Libertação de Presos Políticos.
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