Cidade da Praia, 07 Nov (Inforpress) – As Sociedades Electra reconheceram que a falta de investimentos estruturantes nos últimos anos tem contribuído para o desequilíbrio financeiro da empresa e a desmotivação dos trabalhadores, comprometendo a sua capacidade operacional e sustentabilidade.
Em comunicado público, o conselho de administração informou que a empresa regista receitas insuficientes para cobrir as despesas de funcionamento, manutenção e investimento, situação que a leva a recorrer frequentemente ao apoio do Tesouro Público, sobretudo para assegurar o abastecimento de combustíveis às centrais eléctricas.
Na Central Eléctrica de Palmarejo, na ilha de Santiago, das 70.800 quilowatts (kW) de potência térmica instalada, apenas cerca de 45.500 kW, correspondentes a 64,3 por cento (%), se encontravam disponíveis, estando três unidades indisponíveis devido a avarias e à degradação dos equipamentos.
Segundo a empresa, a central, maior centro de produção de electricidade do país, necessita de aproximadamente 43.500 kW para responder ao consumo da ilha nos períodos de ponta.
A administração explicou que, em condições normais, a capacidade instalada seria suficiente para assegurar o fornecimento de energia, com uma margem de reserva operacional.
Contudo, toda a capacidade térmica actualmente existente foi incorporada até 2015, sem investimentos estruturantes posteriores para a renovação, modernização e ampliação da produção.
Considerou que a insuficiência de capacidade disponível e de reserva operacional está na origem dos cortes de electricidade registados nos últimos dias, uma vez que o sistema não consegue compensar a saída inesperada de uma unidade de produção de dimensão significativa.
A Electra reconheceu que os constrangimentos também afectam, em diferentes graus, as centrais de produção das restantes ilhas, e perante este cenário, o conselho de administração informou que está a concluir um diagnóstico global da situação técnica, operacional, comercial, financeira e organizacional da empresa, para identificar os problemas e definir medidas de recuperação.
Como medidas imediatas, assegurou estar a mobilizar os meios disponíveis para reparar as unidades avariadas e recuperar a capacidade de produção, garantindo uma margem de reserva operacional segundo o princípio de segurança N-1, que permite responder à indisponibilidade de uma unidade sem comprometer o fornecimento.
No plano laboral, a administração manifestou preocupação com a desmotivação de muitos trabalhadores, alguns dos quais não dispõem de meios e condições adequadas para exercer as suas funções, considerando que a recuperação da empresa exige também uma maior mobilização dos recursos humanos.
A empresa reconheceu que o processo é exigente, tendo em conta os problemas acumulados, a falta prolongada de investimentos, as limitações financeiras e o elevado preço dos combustíveis.
A administração lamentou os transtornos e prejuízos provocados às famílias, empresas e à economia nacional, reafirmando que a normalização do fornecimento constitui uma prioridade, comprometendo-se a melhorar a qualidade do serviço, com o envolvimento dos trabalhadores, parceiros e apoio do Governo.
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