
Mindelo, 06 Jan (Inforpress) – A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID, oposição) criticou hoje a falta de previsibilidade nos transportes marítimos e aéreos no país, considerando que o sector é gerido com “soluções reactivas, improvisadas e pouco sustentáveis”.
Esta posição da UCID foi partilhada com a imprensa pela deputada Dora Pires, ao fazer a antevisão do debate parlamentar que arranca na quarta-feira, 07, com a presença do ministro dos Transportes, José Luís Sá Nogueira, bem como de uma interpelação ao Governo sobre a Política Nacional das Pescas.
Segundo a deputada, durante o debate parlamentar, o seu partido vai vincar que no país existe “uma falta de visão estratégica integrada”, uma vez que os transportes são encarados como um problema conjuntural a resolver pontualmente, em vez de um serviço público essencial.
“No transporte marítimo de cabotagem, persistem problemas de frota, gestão, manutenção e organização das rotas. No transporte aéreo, continuam as incertezas quanto à estabilidade, à regularidade e aos custos das ligações inter-ilhas”, afirmou.
Conforme a eleita nacional, tudo isso tem impactos directos na vida dos cidadãos, na actividade empresarial, no turismo interno, no escoamento de produtos e na competitividade das ilhas menos centrais.
“O país precisa de políticas de transporte que garantam previsibilidade, regularidade, segurança e preços justos. Precisa de um modelo que funcione não apenas no papel, mas na prática, todos os dias”, acrescentou.
Relativamente à interpelação sobre a Política Nacional das Pescas, a deputada considerou que, apesar de as pescas serem um sector com “enorme potencial” para a criação de riqueza, emprego digno e desenvolvimento das comunidades costeiras, o país continua a enfrentar “desafios profundos” neste domínio.
Isto porque, explicou, Cabo Verde “ainda não conseguiu estruturar um sector das pescas forte, resiliente e competitivo, capaz de gerar valor acrescentado, reduzir a dependência externa e criar postos de trabalho estáveis e bem remunerados”.
“O Governo tem optado, de forma recorrente, por apostar em acordos de pesca com países terceiros e com a União Europeia, em vez de criar condições estruturais para o fortalecimento da pesca nacional”, considerou Dora Pires.
Por isso, adiantou que a UCID vai interpelar o Governo para “exigir clareza, resultados e uma mudança de rumo” no sector das pescas, que “não pode continuar a ser tratado como um parente pobre no País”.
CD/AA
Inforpress/Fim
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