
Cidade da Praia, 25 Fev (Inforpress) – O líder parlamentar do PAICV denunciou hoje “falhanços do Governo” em áreas como emprego, crescimento económico e serviços essenciais, afirmando que Cabo Verde precisa de mudança urgente e de um modelo inclusivo a partir de 17 de Maio.
O líder da bancada parlamentar do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Clóvis Silva, fez estas críticas durante uma intervenção parlamentar marcada pelo balanço crítico da última década, na última sessão plenária deste mês.
Considerou que o ciclo de dez anos do MpD “termina sem deixar saudades”, acusando o executivo de não ter cumprido promessas de crescimento robusto de 7% ao ano, criação de 45 mil empregos dignos, modernização do Estado e eliminação da pobreza extrema.
O deputado destacou dados sobre o mercado de trabalho lembrando que em 2016 havia 209.725 pessoas empregadas, número que caiu para 198.914 em 2025, representando uma perda líquida de 10.811 empregos. A população activa reduziu-se de 246.680 para 216.287, e a taxa de atividade caiu de 63,7% para 58,3%, enquanto o número de pessoas inativas subiu para 154.903.
No domínio financeiro, Clóvis Silva apontou que a dívida pública passou de 200 milhões de contos em 2015 para 317 milhões em 2025, e que o serviço da dívida absorve actualmente 33% das receitas correntes, mais de metade das receitas fiscais do país, comprometendo investimentos em educação, saúde e segurança.
O parlamentar criticou ainda o modelo económico baseado no turismo, sector que representa cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB), mas que, segundo ele, “continua como enclave, sem integração produtiva nem benefício direto para a população”.
“O crescimento médio anual entre 2016 e 2024 foi de apenas 3,33%, muito longe dos 7% prometidos. O crescimento registrado em 2024 foi pontual, dependente do turismo, e não altera a tendência estrutural do país”, afirmou.
Clóvis Silva acusou o Governo de priorizar números para agradar organizações internacionais e cumprir metas de acordos como o do Fundo Monetário Internacional (FMI), mas em detrimento do poder de compra dos cidadãos e do emprego jovem.
“O Governo apostou em números para agradar organizações internacionais, por isso o vosso discurso tem sido por estes números, mas esqueceu as pessoas deste país. Impulsionado por turismo, impostos e gastos públicos, o país cresceu, mas gerou pouca riqueza partilhada com os cabo-verdianos”, criticou.
Perante este cenário, o líder parlamentar do PAICV garantiu que o partido está preparado para apresentar um novo modelo de desenvolvimento, “inteligente, competitivo e inclusivo”, centrado no emprego digno, no reforço do setor privado nacional, na conectividade entre as ilhas, na água, energia, saúde e educação.
Clóvis Silva anunciou ainda que o partido se apresenta às eleições sob a liderança de Francisco Carvalho, prometendo uma governação que coloque “as pessoas no centro” e marque, a partir de 17 de Maio, o início de um Cabo Verde renovado, com mais oportunidades e justiça social.
“O país precisa de um novo modelo de desenvolvimento que seja inteligente, competitivo e inclusivo, que enfrente problemas estruturais da marginalização do sector privado nacional, abandono do sector primário, perda de competitividade, proliferação de empresas individuais e excessivos gastos com subsídios a transportes, falhanço na privatização aérea, endividamento cego, desemprego estrutural e desigualdade crescente”, declarou.
CM/CP
Inforpress/Fim
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