
São Filipe, 25 Fev (Inforpress) – A Comissão Política do Movimento para a Democracia (MpD) no Fogo rejeitou hoje as acusações do PAICV e classificou a alegada dívida do Estado à Águabrava desprovida de qualquer suporte factual.
Em conferência de imprensa o porta-voz da Comissão Política do MpD, Jelson da Silva, manifestou “profunda estranheza e firme discordância” relativamente às declarações proferidas pelo presidente da Comissão Política Regional do PAICV no Fogo, no passado dia 23 de Fevereiro.
O MpD considerou que as afirmações evidenciam “desconhecimento da realidade, falta de rigor e leviandade” na abordagem de matérias sensíveis para a ilha, como o abastecimento de água e energia, acusando o dirigente do PAICV de tentar gerar “ruído político” com base em alegados factos que “não correspondem à verdade”.
Em reação à alegada dívida de 400 mil contos do Estado à Águabrava, o porta-voz do MpD classificou a acusação como “falsa” e sublinhou que se trata de uma imputação grave, desprovida de qualquer suporte factual, legal ou contabilístico e que atinge injustamente a credibilidade das instituições públicas.
Segundo o político, o balanço da empresa referente ao exercício de 2024 indica que o total do activo não ultrapassa os 490 mil contos, valor que inclui investimentos, inventários, créditos a clientes e disponibilidades e, questiona como poderia existir uma dívida do Estado de 400 mil contos se o activo total da empresa nem sequer atinge 490 mil contos.
Do ponto de vista contabilístico, sustentou, tal cenário seria impossível sem que essa dívida estivesse registada no activo como crédito sobre o Estado, representando mais de 80 por cento (%) da estrutura financeira da empresa, o que não consta do balanço de 2024.
“A água é um bem essencial. A verdade também”, afirmou o porta-voz que desafiou o presidente da CPR do PAICV a apresentar qualquer documento comprovativo, seja contrato incumprido, fatura vencida ou reconhecimento formal de dívida, caso contrário trata-se de mera especulação.
Quanto ao alegado défice tarifário na água de rega, Jelson da Silva afirmou que não foi apresentado qualquer estudo técnico que sustente essa posição, e recordou que os contratos de fornecimento são celebrados directamente entre a Águabrava e os agricultores.
Quanto às perfurações, o MpD rejeitou a narrativa de inexistência de novos furos, indicando que foram realizadas intervenções em Chã das Caldeiras, no Ilhéu de Penha e noutras localidades, estando em preparação novo programa que abrangerá também Santa Catarina e Mosteiros.
A finalizar, o MpD garantiu que não existe clima de ruptura entre o Governo e os municípios do Fogo, destacando a assinatura de um protocolo entre o Ministério da Agricultura e Ambiente e a Câmara Municipal de São Filipe para criação de uma equipa técnica conjunta destinada a avaliar o sistema de distribuição de água aos agricultores.
Para a Comissão Política do MpD as declarações do PAICV além de precipitadas apenas contribuem para a desinformação e apela para serenidade e responsabilidade no tratamento de questões estruturantes para a ilha.
JR/CP
Inforpress/Fim
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