Cidade da Praia, 29 Ago (Inforpress) – O Presidente da República José Maria Neves considerou hoje fundamental que as autoridades atendam as preocupações da sociedade sobre o Monumento Nacional da Liberdade e apelou à serenidade e confiança nas instituições no processo das acções da CECV.
O monumento, orçado em 150 mil contos, está a ser erguido na Rotunda da Achada Grande Frente, na cidade da Praia, e deverá ficar concluído em pouco mais de seis meses.
Apesar do arranque das obras, o projecto tem gerado críticas de políticos e da sociedade civil, sobretudo nas redes sociais, onde muitos defendem que o investimento deveria ser canalizado para áreas como o combate à pobreza.
José Maria Neves, que falava aos jornalistas à margem do evento “MarAzul: Jornadas do Oceano”, sob o lema “Década do oceano: conhecer, viver, sentir, consciencializar e proteger”, afirmou que está a acompanhar o debate público e sublinhou que compete às autoridades competentes avaliar, com sensibilidade, as reivindicações da população.
“Tenho visto o debate, há posições contra e há posições a favor, quem está no poder deve ser sensível às demandas e às reivindicações das pessoas e, portanto, espero que as autoridades competentes sejam sensíveis ao que as pessoas estão a dizer relativamente a este monumento”, declarou.
Paralelamente, o chefe de Estado comentou o processo relacionado com a alienação de acções da Caixa Económica de Cabo Verde (CECV) que poderá implicar a investigação de altas figuras do Estado e do sector financeiro, conforme publicou o jornal A Nação, na quarta-feira, 27.
O caso, que já levou o antigo coordenador da Unidade de acompanhamento do sector empresarial do Estado (UASE), Sandeney Fernandes, a ser constituído arguido, poderá ainda abranger outras personalidades.
Perante a possibilidade de impactos na credibilidade da política nacional, José Maria Neves frisou que a justiça deve continuar o seu trabalho com independência e que todos os processos devem respeitar a presunção de inocência.
O Presidente da República recordou que a sua função é garantir a estabilidade institucional e manter o necessário distanciamento relativamente a estas matérias, de modo a assegurar que exista uma voz credível no momento em que o debate político atinja maior intensidade.
“A justiça está a fazer o seu trabalho. O Presidente da República deve garantir a estabilidade das instituições e deve respeitar as decisões de todos os órgãos constitucionais. Desde logo eu peço que se confie na justiça e que a justiça faça tranquilamente o seu trabalho e há a presunção de inocência, há que garantir que todo o processo decorra naturalmente e em função das decisões dos tribunais”, disse.
José Maria Neves ressaltou que tem sido interveniente activo, lembrando que muitas das questões actualmente em discussão já tinham sido levantadas nas suas intervenções públicas.
Considera, por isso, que não se pode esperar por crises ou tragédias para debater os grandes desafios nacionais, defendendo uma postura proactiva no acompanhamento dos problemas do país.
O chefe de Estado assegurou que continuará a analisar com atenção o que se passa na sociedade cabo-verdiana e que, sempre que o quadro institucional o exigir, fará as intervenções necessárias para salvaguardar a estabilidade e o regular funcionamento do sistema democrático.
TC/HF
Inforpress/Fim
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