
Cidade da Praia, 02 Mai (Inforpress) – A maioria dos cabo-verdianos defende que o aborto deve ser permitido em casos de violação ou quando a vida ou saúde da mulher está em risco, mas rejeita a sua prática por razões económicas ou outras.
A conclusão é de uma pesquisa do Afrobarometer realizada em Cabo Verde, entre Agosto e Setembro de 2024, divulgado hoje na cidade da Praia.
De acordo com um comunicado do Afrobarometer, enviado hoje à Inforpress, o estudo revela também um amplo apoio à educação sexual nas escolas e à autonomia das mulheres nas decisões reprodutivas.
De acordo com os dados, 75% dos inquiridos considera que a interrupção voluntária da gravidez (IVG) é justificável em situações que envolvam risco para a saúde da mulher, enquanto 59% aceita essa prática quando a gravidez resulta de violação ou incesto.
Em contraste, a maioria rejeita o aborto por dificuldades económicas (61%) ou por qualquer outra razão (70%).
O estudo mostra ainda que quase três em cada dez cabo-verdianos (28%) afirmam que as mulheres ou raparigas das suas comunidades interrompem a gravidez “ocasionalmente” ou “frequentemente” e 42% considera que isso acontece “raramente” ou “nunca”.
Além do tema do aborto, o inquérito abordou questões relacionadas com a saúde sexual e reprodutiva.
A esmagadora maioria dos entrevistados apoia o ensino da educação sexual nas escolas (95%), bem como o acesso universal a métodos contraceptivos, independentemente do estado civil (90%) ou da idade (79%).
O estudo revela ainda uma forte defesa da autonomia das mulheres: 93% concorda que as raparigas que engravidam ou têm filhos devem poder continuar os estudos, 88% apoia o direito de as mulheres decidirem se e quando casar, e 86% defende que devem poder escolher se e quantos filhos querem ter.
Os resultados reforçam a importância dos serviços de saúde materno-infantil e de planeamento familiar em Cabo Verde, que têm contribuído significativamente para a redução da mortalidade materna, melhoria dos cuidados pré-natais e diminuição das taxas de natalidade.
A pesquisa foi conduzida pela Afrosondagem, parceira nacional do Afrobarometer, com uma amostra representativa de 1.200 adultos cabo-verdianos. A margem de erro é de +/-3 pontos percentuais, com um nível de confiança de 95%.
TC/HF
Inforpress/Fim
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