Dia Internacional do Enfermeiro: Alice Bentub – da vontade de cuidar da mãe à missão de uma vida dedicada à enfermagem

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Dia Internacional do Enfermeiro: Alice Bentub – da vontade de cuidar da mãe à missão de uma vida dedicada à enfermagem
12/05/25 - 05:55 pm

***Por: Lucilene Salomão, da Agência Inforpress***

Ribeira Grande, 12 Mai (Inforpress) – O percurso de Alice Bentub, enfermeira no PMI da Ribeira Grande é marcado por uma vocação precoce, desde criança sonhava cuidar da mãe doente, um desejo que se transformou numa vida inteira dedicada à enfermagem.

“Sempre quis ser enfermeira por causa da minha mãe, que estava sempre doente. Infelizmente, ela faleceu muito cedo. Eu tinha apenas 12 anos, mas continuei com o mesmo propósito”, recordou.

Formada em enfermagem entre 1998 e 2001, Alice Bentub iniciou de imediato a sua carreira no sistema nacional de saúde (SNS). 

Passou pelo PMI e, posteriormente, desempenhou funções durante seis meses na área de Medicina, seguindo-se igual período no serviço de Cirurgia e no Banco de Urgência do Hospital Regional João Morais.

Ao longo dos anos, conforme recordou, enfrentou diversas limitações ao nível de recursos humanos, situação que a levou a assumir turnos alternados na maternidade, de forma quase ininterrupta.

“Houve tempos em que trabalhava dia sim, dia não, à tarde, na maternidade, porque não havia pessoal suficiente”, explicou.

A profissional identifica a geografia acidentada da ilha como um dos maiores desafios na prestação de cuidados de saúde, sobretudo, em comunidades remotas como Figueiras.

“A orografia da ilha dificulta muito o acesso. Trabalhar em zonas isoladas implica deslocações longas e, muitas vezes, exaustivas. Mas fazemos o possível para garantir que ninguém fique sem assistência”, afirmou.

Alice Bentub salientou ainda que a escassez de profissionais é um problema recorrente.

“Somos poucos enfermeiros para dar resposta às necessidades da população. Isso exige de nós não só competência técnica, mas também um grande sentido de missão”, referiu.

Actualmente, trabalha de segunda a segunda, sem interrupções. Já ponderou deixar de exercer aos fins-de-semana, mas optou por manter o compromisso.

“Tentei parar, mas não consegui. Sinto que estaria a falhar com os utentes. Prefiro estar cansada do que deixar uma criança sem atendimento ou sem vacina”, disse.

Grande parte da sua carreira tem estado ligada à saúde infantil, embora sublinhe estar capacitada para actuar em todas as frentes da atenção primária.

Durante a pandemia da covid-19 integrou as equipas de triagem, sensibilização e vacinação, contribuindo, activamente, para que o concelho fosse um dos primeiros a atingir a taxa de cobertura desejada.

Um período que, segundo a própria, foi exigente, mas ao qual conseguiram responder com eficácia.

“Isso reforçou ainda mais o sentido do nosso trabalho”, frisou.

A enfermeira, que completará, brevemente, 25 anos de serviço, espera que a classe venha a ser mais valorizada no futuro.

“Houve tempos em que perdi a esperança, mas hoje acredito que as coisas vão melhorar. Continuo com fé”.

Questionada sobre o que mais a marcou na carreira, responde de forma simples:

“Cada vez que consigo garantir que uma criança é bem tratada, bem encaminhada, isso deixa marca. São muitas histórias. Ser enfermeira foi, sem dúvida, a melhor decisão da minha vida”, enfatizou.

O Dia Internacional do Enfermeiro celebra-se todos os anos a 12 de Maio, data que assinala o nascimento de Florence Nightingale (1820-1910), considerada a fundadora da enfermagem moderna.

Esta efeméride foi instituída pelo Conselho Internacional de Enfermeiros (ICN) com o objectivo de reconhecer e valorizar o papel fundamental dos profissionais de enfermagem na prestação de cuidados de saúde, na promoção do bem-estar das populações e na defesa do direito à saúde.

LFS/HF

Inforpress/Fim

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