
Cidade da Praia, 07 Mai (Inforpress) –As centrais sindicais CCSL e UNTC-CS estão confiantes na resolução dos problemas relacionados com a implementação do salário mínimo nacional, a segurança social e os desafios ligados à fixação da mão de obra no país.
Em declarações à Inforpress, após reunião preparatória para o encontro de trabalho agendado para quarta-feira, 08, entre a Câmara de Comércio do Sotavento (CCS) e as duas centrais sindicais, ambas as entidades mostraram-se optimistas quanto à resolução das preocupações dos trabalhadores.
A secretária-geral da União Nacional dos Trabalhadores de Cabo Verde – Central Sindical (UNTC-CS), Joaquina Almeida, mostrou-se “optimista” com a reunião, e será acompanhada por um “grupo selecto” de sindicatos filiados.
O objetivo é, vincou, em conjunto, analisarem questões centrais relacionadas com o salário mínimo nacional, a segurança social obrigatória e as propostas de medidas para a fixação da mão de obra em Cabo Verde.
Além disso, Joaquina Almeida destacou que a formação contínua dos trabalhadores, conforme estipulado pelo Código Laboral, será outro ponto a ser discutido.
"Muitas empresas evitam cumprir essa obrigação, o que também está relacionado, claro, com a questão da formação", afirmou.
Segundo a mesma fonte, a UNTC-CS vai à reunião com boas expectativas, acreditando que, por meio do diálogo, será possível sensibilizar os empregadores a cumprirem suas obrigações legais.
"Vamos usar a nossa capacidade de sensibilizar os empregadores. Eles já demonstraram preocupação, e isso já é um bom sinal", garantiu.
Almeida também abordou a questão da fixação da mão de obra, um desafio crescente devido à migração de jovens em busca de melhores oportunidades.
Ela acredita que, para reter a mão de obra qualificada em Cabo Verde, é essencial que os salários sejam mais dignos e que os empregadores respeitem os direitos dos trabalhadores.
Por sua vez, o presidente da Confederação Cabo-verdiana dos Sindicatos Livres (CCSL) José Manuel Vaz, também manifestou “optimismo” em relação ao encontro.
Destacou que a reunião com a Câmara de Comércio do Sotavento será uma “oportunidade crucial” para discutir o incumprimento das obrigações legais, especialmente por parte das câmaras municipais e das lojas chinesas, que “não estão a cumprir” com o salário mínimo estabelecido.
Vaz ressaltou que, apesar dos esforços de sensibilização da CCSL e das outras centrais sindicais, ainda há resistência por parte de alguns empregadores, que não estão a aplicar o salário mínimo de 17 mil escudos, fixado desde Janeiro de 2025.
"Vamos para este encontro com a expectativa de chegarmos a um entendimento, por isso vamos com espírito aberto para dialogar, discutir em conjunto e ver o que podemos fazer para resolver a questão dos incumprimentos", frisou José Vaz.
Um dos temas centrais da reunião será a fixação da mão de obra, especialmente a dos jovens.
Ambos os representantes sindicais concordam que os baixos salários e a falta de oportunidades atraentes em Cabo Verde são fatores-chave para a migração em massa de jovens à procura de melhores condições de vida.
Vaz destacou que a melhoria salarial nos sectores da construção civil e turismo é fundamental para reter os jovens no país, e, nas políticas públicas, apontou que o Governo tem a responsabilidade de criar “condições adequadas” para a fixação da mão de obra no país.
"Sem uma política pública eficaz, que inclua melhorias nas condições de trabalho e aumento dos salários, Cabo Verde continuará a enfrentar o desafio da escassez de mão de obra qualificada, além de ver a migração de jovens aumentar", afirmou.
A reunião é vista como uma oportunidade para convergir os esforços entre empregadores e sindicatos, visando a construção de um ambiente de trabalho mais justo e sustentável em Cabo Verde.
JBR/AA
Inforpress/Fim
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