CCS‑SIDA realça importância da coordenação multissetorial como eixo estratégico para intensificar resposta

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CCS‑SIDA realça importância da coordenação multissetorial como eixo estratégico para intensificar resposta
03/02/26 - 06:15 pm

Cidade da Praia, 03 Fev (Inforpress) – O secretário Executivo do CCS-Sida sublinhou hoje a importância da coordenação multissetorial envolvendo educação, justiça, acção social, municípios e sociedade civil, bem como a transição gradual do financiamento nacional, de forma a garantir a continuidade das acções.

Adilson de Pina falava em entrevista à Inforpress como novo secretário Executivo do CCS‑SIDA, apresentando a sua visão e projectos para o comité durante o seu mandato.

Para o líder do CCS‑SIDA, a descentralização das acções até ao nível municipal e comunitário, a gestão eficiente da informação epidemiológica e a mobilização sustentável de recursos, garantindo parcerias nacionais e internacionais são um conjunto de prioridades deste organismo.

Segundo este responsável, o reforço dos sistemas de dados, monitorização e vigilância epidemiológica são também essenciais para ajustar intervenções e assegurar que o país atinja plenamente as metas internacionais estabelecidas que visam eliminar a SIDA como problema de saúde pública até 2030, assegurando acesso equitativo ao diagnóstico e tratamento, reduzindo o estigma e consolidando a sustentabilidade da resposta nacional.

O secretário Executivo do Comité de Coordenação do Combate ao VIH/SIDA sublinhou o reforço do acesso equitativo aos serviços de saúde, fortalecimento do diagnóstico e tratamento, a melhoria da qualidade do atendimento com foco na equidade territorial e o combate ao estigma e à discriminação, como outras prioridades para melhorar as respostas a esta epidemia.

Adilson de Pina elegeu ainda como os principais eixos estratégicos para a prevenção, diagnóstico e tratamento, a intensificação da prevenção combinada, incluindo o uso de autotestes e profilaxia pré‑exposição (PrEP), em diversos concelhos do país.

Este responsável explicou que o autoteste de VIH,  como ferramenta de diagnóstico complementar, vai facilitar que as pessoas em risco testem de forma mais autónoma e discreta fora dos serviços tradicionais.

Esta iniciativa que está em curso, numa fase piloto nos municípios da Praia e em São Vicente, contribui para aumentar a cobertura da detecção precoce, especialmente em populações-chave (homens que fazem sexo com homens, trabalhadoras do sexo, usuários de drogas e reclusos) e grupos vulneráveis.

Para além dessa iniciativa, avançou que o CCS-SIDA tem promovido a implementação do profilaxia pré-exposição (PrEP) como prevenção dirigida a quem está mais exposto ao risco desta infecção, incentivando a adesão a medidas preventivas eficazes.

Nesse sentido, avançou que estão a ser planeadas acções como descentralização da testagem, distribuição de autotestes, brigadas móveis de saúde, integração do teste nos cuidados primários, teleorientação para aconselhamento e parcerias com organizações locais, para reforçar o acesso nas ilhas mais periféricas do país.

De acordo com o novo secretário Executivo da CCS‑SIDA, encontra-se em curso um conjunto alargado de intervenções que incluem programas de prevenção comunitária, expansão da testagem, reforço da educação em saúde sexual e reprodutiva, apoio psicossocial e melhoria dos sistemas de monitorização epidemiológica, com especial atenção às populações-chave e grupos mais vulneráveis.

De realçar que Cabo Verde encontra-se alinhado com as metas globais definidas pela ONU e pela OMS para 2030, incluindo o objectivo de eliminar a SIDA como problema de saúde pública e o cumprimento das metas 95‑95‑95, que preveem diagnóstico, tratamento e supressão viral para a grande maioria das pessoas que vivem com o VIH.

O país tem investido no acesso universal ao tratamento antirretroviral, na expansão da testagem e na eliminação da transmissão vertical.

Apesar dos avanços, Adilson de Pina, disse que persistem desafios consideráveis, sobretudo no controlo da epidemia entre populações‑chave, na garantia de adesão sustentada ao tratamento, na redução do estigma e na necessidade de assegurar financiamento contínuo.

Adilson de Pina declarou que o país tem apostado em campanhas de sensibilização, na distribuição de preservativos e na promoção de práticas sexuais seguras, reforçando simultaneamente a prevenção combinada com incentivo à testagem precoce.

Quanto ao diagnóstico e tratamento, assegurou que Cabo Verde expandiu os serviços de testagem voluntária e aconselhamento, capacitando centros de saúde para detectar atempadamente novos casos.

“Actualmente, cerca de 82% das pessoas diagnosticadas com VIH têm acesso ao tratamento antirretroviral, resultado de um esforço contínuo para garantir cobertura universal e melhorar a continuidade do cuidado”, sublinhou, avançando que nos últimos anos, o país realizou mais de 40 mil testes e apoiou mais de 7.200 pessoas‑chave.

Referiu-se ainda ao tratamento integral para grávidas seropositivas, consolidando a eliminação da transmissão vertical.

DG/ZS

Inforpress/Fim

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