Sal Rei, 19 Mar (Inforpress) – O projecto "À Volta do Barro" promove, durante um mês, intercâmbio cultural e preservação de técnicas tradicionais de cerâmica com a primeira residência artística na Boa Vista, da artista plástica luso-holandesa, Anna Nunes.
Em declarações à imprensa, Anna Nunes contou que a residência faz parte do projecto "À Volta do Barro", cuja ideia surgiu do assessor do Centro Cultural de Cabo Verde em Portugal, Ricardo Barbosa Vicente, da artista Virgínia Fróis, e as comunidades da ilha de Santiago de Trás os Montes, para unir forças e conectar a tradição de cerâmica com novas gerações e diáspora.
Segundo a artista, havia uma preocupação, porque há cada vez menos pessoas com o conhecimento e a tradição da cerâmica e que pode passar, então a comunidade juntou forças com Isabel Sanchez, uma das últimas oleiras que tem a tradição de cerâmica, e estiveram a organizar workshops em Lisboa, no último ano, para partilhar a sua tradição.
Anna Nunes indicou que agora tem oportunidade de continuar esse projecto também nos Países Baixos e em São Tomé.
“Mas como Cabo Verde não é só Santiago, e cada ilha tem diferentes tradições, fazia todo o sentido também conectar Boa Vista ao projecto, para estabelecer relações, juntar forças, e de também colaborar com o Rabil, para podermos fazer pontes com outras identidades e países”, afirmou.
A artista indicou que é seu papel no projecto, através das diferentes línguas, facilitar o intercâmbio cultural e a conexão entre diferentes comunidades, com workshops, residências artísticas, através de fundos, e juntar diferentes culturas e gerações.
Anna Nunes tem trabalhado em estreita colaboração com os ceramistas do Rabil, aprendendo e partilhando técnicas ancestrais. A artista disse estar “encantada” com a qualidade do barro local, destacando a sua “textura macia” e a diversidade de cores.
"É um luxo trabalhar com este material", afirmou Nunes, sublinhando a importância de preservar este património cultural.
Segundo a mesma fonte, a experiência está a abrir um outro mundo, como artista gosta de trabalhar com diferentes materiais, e também está a ser “muito rica” por ser uma técnica feita com poucas ferramentas, pelo que diz estar “muito feliz”.
O projecto "À Volta do Barro" tem uma abordagem inovadora, a artista está a trabalhar com o barro sob panos em cada residência, para que as telas capturem as interacções, como manchas, água, e a passagem de conhecimento entre a artista e os ceramistas. E com estes panos, juntamente com os sons do ambiente, pretende fazer uma exposição sensorial da experiência na Bienal de São Tomé, em 2026.
Para Alcides Morais, do Laboratório de Cerâmica 100% made in Boa Vista, que foi o primeiro mestre de cerâmica a receber Anna Nunes, é um prazer ter essa “grande artista plástica”, e trabalhar juntos para unir forças e não deixar essa tradição perder-se.
O mestre destacou ainda a importância do projecto para promover os oleiros na ilha e o seu trabalho além-fronteiras, e disse estarem sempre abertos para receber qualquer pessoa.
Durante a residência que se estende até inícios de Abril, Anna Nunes ainda vai passar pela Escola de Olaria, e também vai estar no ateliê da oleira Maria Alves.
MGL/ZS
Inforpress/Fim
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