Professor Szymaniak propõe conversão das ruínas da Aeropostale em marinas para impulsionar turismo náutico e cultural (c/áudio)

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Professor Szymaniak propõe conversão das ruínas da Aeropostale em marinas para impulsionar turismo náutico e cultural (c/áudio)
10/02/26 - 09:12 pm

Cidade da Praia, 10 Fev (Inforpress) - O investigador Wlodzimierz Szymaniak defendeu hoje a classificação da antiga hidrobase da Calheta de São Martinho (Santiago) e do aeródromo de Morrinho (Maio) como património nacional, observando que as ruínas da Aéropostale podem inspirar novas marinas em Cabo Verde.

O professor Szymaniak falava à Inforpress a propósito do estudo que ele esteve envolvido sobre a história da construção de um aeródromo na localidade de Calheta de Morrinho, ilha do Maio, construído pelos franceses, em 1933, no momento em que a ilha também celebra Nossa Senhora de Lourdes, festa assinalada a 11 de Fevereiro.

Quase um século depois do primeiro voo transatlântico, novas investigações do professor Szymaniak revelam como as ilhas de Santiago e do Maio foram peças-chave no xadrez estratégico da aviação mundial, cujo estudo revela ruínas e documentos inéditos de 1933.

Segundo o professor, através de uma hidrobase na Calheta de São Martinho e de um aeródromo de emergência em Morrinho, a companhia francesa Aeropostale ligou a Europa à América do Sul na década de 30, um legado que acredita ser agora a “oportunidade ideal” para o desenvolvimento de infraestruturas de turismo náutico e cultural em Cabo Verde.

A história, resgatada em parceria com a associação Mémoire d’Aéropostale de Toulouse, remonta ao período pós-Primeira Guerra Mundial, e na época, a missão da companhia era o transporte rápido de correio, mas as limitações técnicas dos aviões impediam a travessia directa do Atlântico.

“Surgiu assim a Hidrobase na Calheta de São Martinho (Santiago), onde o correio vindo de hidroavião do Senegal era transferido para navios rápidos rumo ao Brasil”, explica Szymaniak, acrescentando que com a evolução tecnológica, a companhia sentiu necessidade de pontos de apoio em terra, levando à criação do Aeródromo de Morrinho, na ilha do Maio, aproveitando a topografia das salinas locais.

A investigação trouxe à tona provas que o tempo não apagou, pois no Maio, ainda existem ruínas dos edifícios construídos pela companhia, associadas à existência de fotografias raras de 1933, com quase 100 anos, que documentam o descarregamento de barris de gasolina na zona de Morim (Morrinho).

Segundo a mesma fonte, embora a base do Maio nunca se tenha consolidado como um aeroporto permanente, servindo apenas para voos de teste e emergência, a sua existência prova a centralidade de Cabo Verde nas rotas internacionais desenhadas por nomes como o engenheiro Raymond Vanier.

Considerando o potencial das marinas, o professor Szmyniak alerta para o facto de outros pontos da rota, como Saint-Louis (Senegal) e Tarfaya (Marrocos), já possuírem museus e percursos temáticos que atraem milhares de turistas, pelo que defende, que em Cabo Verde, a Calheta de São Martinho deve ser classificada como Património Nacional.

Mais do que nostalgia, diz o professor, o estudo aponta caminhos económicos.

“Aquilo que era inovador há cem anos continua atractivo hoje. Há espaço para o turismo náutico em todas as ilhas”, comentou.

Nisto, sugere que a recuperação desta memória histórica seja o motor para a construção de marinas, suprindo a carência de infraestruturas para navegação de recreio, especialmente no Maio e em Santiago, onde a oferta é ainda insuficiente para responder à crescente procura internacional.

“A recuperação da memória histórica da hidrobase da Calheta e do aeródromo de Morrinho, documentada em fotografias raras de 1933, é fundamental para atrair investimentos em marinas e preservar o papel das ilhas nas rotas atlânticas”, concluiu.

SC/JMV

 

Inforpress/Fim

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