
Lisboa, 04 Mar (Inforpress) – O primeiro dicionário de Inglês para Crioulo Cabo-verdiano, da autoria do cabo-verdiano Manuel da Luz Gonçalves, foi apresentado hoje no Centro Cultural de Cabo Verde (CCCV), em Lisboa, numa sessão conduzida por Ana Josefa Cardoso.
O autor, residente nos Estados Unidos da América, recordou que a obra, cujo prefácio foi escrito pelo Presidente da República, José Maria Neves, foi produzida ao longo de uma década “com muito sacrifício e sem apoio financeiro de ninguém, nem de instituições cabo-verdianas”.
“Esta noite não é apenas o lançamento de um livro, é também uma homenagem a uma língua que transporta história, música, memória e identidade. A língua é a alma do povo, e é o povo quem faz a língua”, afirmou Manuel da Luz Gonçalves.
Defensor da oficialização da língua cabo-verdiana, o autor sublinhou que a mesma “vive nas casas, nos bairros, na diáspora e dentro de todos os cabo-verdianos”.
Segundo o activista e defensor da língua cabo-verdiana, a obra, que é complementar ao “Dicionário de Crioulo para Inglês”, lançado em 2015, destina-se a aprendizes, educadores e à comunidade cabo-verdiana global.
Publicada pela editora Mili Mila, a obra inclui mais de 100.000 palavras e expressões em crioulo, com exemplos das variedades de Sotavento e Barlavento, e apresenta quase 14.000 termos em Inglês.
Manuel da Luz Gonçalves é educador, professor, conselheiro e activista da comunidade, dedicado a preservar e promover a cultura cabo-verdiana e a língua crioulo. Como conferencista distinto, ensinou crioulo em várias universidades.
É co-autor do manual de língua Pa Nu Papia Kriolu e foi fundador e presidente do Instituto do Crioulo Cabo-verdiano. É também fundador da Mili Mila Inc., que publica recursos linguísticos, incluindo o Dicionário Crioulo-Inglês (2016), e traduziu o primeiro livro infantil de Inglês para Kriolu, Tiagu e Vovo (2023), de Djofa Tavares.
Em 2024, lançou o aplicativo Speak Kriolu. O seu trabalho mais recente, o primeiro dicionário de Inglês para Crioulo Cabo-verdiano, será lançado em várias cidades dos Estados Unidos em 2025 e não só.
As suas contribuições valeram-lhe a Medalha do Vulcão e a Medalha de Mérito do Governo cabo-verdiano.
FM/JMV
Inforpress/Fim
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