
Nova Sintra, 30 Out (Inforpress) – O escritor bravense Nelson Miranda apresentou hoje, em Nova Sintra, um livro que retrata a passagem do ciclone Beryl pela ilha Brava, na noite de 28 de Agosto em 1982, visando preservar a memória histórica do acontecimento.
Em declarações à comunicação social, o escritor explicou que a obra surge da necessidade de perpetuar a história da ilha e evitar que acontecimentos marcantes do passado sejam esquecidos pelas gerações vindouras.
Segundo o autor, o ciclone deixou a ilha praticamente destruída, com um cenário de devastação que marcou profundamente a população bravense, razão pela qual decidiu transformar esse acontecimento histórico numa narrativa literária.
O escritor, que também se dedica à investigação histórica, considerou que existe uma lacuna no conhecimento dos acontecimentos do passado da ilha, sobretudo entre os mais jovens, que nem sempre demonstram interesse em conhecer a história da Brava.
Neste sentido, alertou para a importância de registar esses acontecimentos por escrito, tendo em conta o falecimento e a migração de pessoas que testemunharam o temporal de 1982, o que poderá dificultar a transmissão dessa memória no futuro.
Nelson Miranda assegurou que pretende continuar a investigar e a dar a conhecer outras histórias da ilha através da literatura, defendendo o livro como um instrumento importante para preservar a memória colectiva e divulgar a cultura bravense.
Relativamente aos desafios da produção literária na ilha Brava, o escritor apontou os elevados custos de edição e publicação como uma das principais dificuldades enfrentadas pelos autores, considerando que a falta de apoios financeiros compromete a produção e a comercialização das obras.
Na sua perspectiva, os valores obtidos com a venda dos livros nem sempre permitem recuperar os investimentos feitos na produção, pelo que defendeu a criação de subsídios e apoios por parte do Governo, da Câmara Municipal e de outras instituições.
Para Nelson Miranda, um maior apoio à literatura permitirá aos escritores continuar a produzir obras, preservar a história e contribuir para a divulgação da cultura cabo-verdiana.
DM/ZS
Inforpress/Fim
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