San Diego, Estados Unido, 11 Abr (Inforpress) - Os quatro astronautas americanos e canadiano da missão Artemis II amararam na noite de sexta-feira, 10, como previsto, ao largo da Califórnia, coroando com sucesso uma missão da NASA em torno da Lua, meio século depois da Apollo.
“Houston, aqui Integrity. Estamos a ouvir-vos perfeitamente”, anunciou o comandante Reid Wiseman após ter passado pela fase mais perigosa da reentrada na atmosfera a mais de 30 vezes a velocidade do som.
“Que viagem”, exclamou o astronauta norte-americano. “Todos os membros da tripulação estão bem”, apressou-se a acrescentar.
Partidos a 01 de abril da Flórida, Reid Wiseman e os seus compatriotas Christina Koch e Victor Glover, bem como o canadiano Jeremy Hansen, aventuraram-se mais longe no espaço do que qualquer outro ser humano antes deles. Trazem consigo centenas de gigabytes de dados da primeira viagem lunar desde a última missão Apollo, em 1972.
Transmitido ao vivo em várias plataformas, passaram por detrás da Lua na passada segunda-feira, imortalizando em alta definição a Terra a pôr-se por detrás de uma Lua majestosa, oscilando entre tons de cinzento e castanho.
A cápsula Orion aterrou nas águas do Pacífico, ao largo de San Diego, travada por enormes paraquedas, às 17:07 locais (23:07 em Cabo Verde), tal como previsto ao minuto pela agência espacial norte-americana.
O regresso dos astronautas sãos e salvos representa um sucesso para a NASA, após dezenas de milhares de milhões de dólares, anos de atrasos e muitas dúvidas sobre o interesse de relançar a conquista lunar.
“Isto é apenas o começo. Vamos continuar a fazer isto com frequência, até aterrarmos na Lua em 2028 para lá construir uma base”, exclamou Jared Isaacman, administrador da NASA nomeado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, reiterando o objetivo de seguir depois para Marte, mesmo que tal ainda não tenha qualquer financiamento até ao momento.
Também Trump apontou o objetivo Marte numa saudação que enviou à tripulação da Artemis II, em que elogiou a missão “espetacular”. “Parabéns à formidável e muito talentosa equipa da Artemis II. Toda a viagem foi espetacular, a aterragem na água foi perfeita e, como Presidente dos Estados Unidos, não poderia estar mais orgulhoso!”, escreveu na rede social Truth Social.
“Vamos recomeçar e, depois, passar para a próxima etapa: Marte!”, acrescentou.
Este voo foi, no entanto, e sobretudo, um teste para confirmar à NASA que o seu foguetão, o Space Launch System (SLS), a Orion e os seus sistemas estão prontos para o regresso dos norte-americanos à superfície lunar, antes de eventuais futuras missões a Marte.
A NASA prevê uma nova missão em 2027 que não chegará até à Lua, antes de enviar astronautas à superfície lunar em 2028, na 4ª missão da Artemis, no último ano do mandato de Donald Trump e, teoricamente, antes da China, que prevê enviar os seus astronautas à Lua em 2030.
Os especialistas duvidam, porém, que os módulos lunares, em desenvolvimento por empresas dos bilionários norte-americanos Elon Musk e Jeff Bezos, estejam prontos em 2028.
Um japonês e depois um alemão deveriam viajar a bordo de futuras missões Artemis, mas essas vagas já não parecem garantidas desde que a NASA alterou todo o programa Artemis, e a Agência Espacial Europeia reconheceu que terá de negociar para as manter.
O chefe da NASA, por sua vez, reiterou na sexta-feira à noite que os parceiros estrangeiros continuam a ser indispensáveis para o futuro do programa.
Entretanto, a agência espacial norte-americana pretende, através do Artemis, reavivar o interesse dos norte-americanos pelo domínio espacial. Já a tripulação da Artemis II esperava contribuir para “permitir, por um instante, que o mundo faça uma pausa”, nas palavras de Reid Wiseman esta semana.
Inforpress/Lusa
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