
Lisboa, 10 Abr (Inforpress) – A Comissão para a Diáspora Cabo-verdiana em Portugal promoveu hoje em Oeiras, uma conferência subordinada ao tema “Ligar, Investir e Transformar”, como o objectivo de reflectir sobre o contributivo da diáspora no desenvolvimento de Cabo Verde.
O encontro, que decorreu no Centro de Congressos do Taguspark, em Oeiras, contou com a participação de empresários cabo-verdianos e portugueses, e foi presidido pelo presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição), Francisco Carvalho.
No seu discurso de abertura, o organizador da conferência, Paulo Mendes, destacou a importância estratégica da diáspora cabo-verdiana dispersa nos três continentes, sublinhando que esta tem conhecimentos em várias áreas, desde o sector financeiro ao digital.
Por isso, defendeu que os cabo-verdianos que “estão mais fora do que dentro” não devem ser vistos apenas como fonte de remessas.
“Penso que a diáspora não deve ser vista só como uma fonte de remessas. É o maior activo para o processo do nosso desenvolvimento”, afirmou, questionando por que razão esse potencial ainda não foi plenamente aproveitado.
Dirigindo-se ao candidato do PAICV a primeiro-ministro nas eleições de 17 de Maio, Paulo Mendes manifestou a expectativa de que este evento possa contribuir para elevar a diáspora cabo-verdiana para "outro patamar".
Segundo o empresário, a diáspora não procura apenas discursos políticos, mas sim a criação de mecanismos concretos que permitam a sua participação efectiva no desenvolvimento do país, que mesmo estando longe o tem por perto.
“A diáspora quer contribuir, mas não quer contribuir apenas com remessas. Quer fazer investimentos com propósito. O primeiro, obviamente, é um acto de amor, e o segundo é um acto de parceria. Esse salto qualitativo de amor para parceria, que nunca foi concretizado que precisamos de facto fazê-la”, sublinhou.
Apesar de reconhecer a existência de vontade política, de mecanismos acessíveis de investimentos e de uma nova geração de diáspora disposta a comprometer-se de forma de diferente, Paulo Mendes apontou a falta de cativação como um dos principais desafios.
Em declarações à Inforpress, o presidente do PAICV afirmou que o encontro serve para auscultar o sector empresarial e recolher subsídios para a visão estratégica do partido para o sector.
Para o líder político, a questão do investimento da diáspora deve ser acompanhada por uma maior celeridade e abertura da administração pública, visando facilitar a integração dos projectos dos cabo-verdianos residentes no exterior na economia nacional.
FM/CP
Inforpress/Fim
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