São Vicente/Carnaval: Mindelo pulsa entre a inocência das crianças e o vigor dos mandingas

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São Vicente/Carnaval: Mindelo pulsa entre a inocência das crianças e o vigor dos mandingas
15/02/26 - 09:12 pm

Mindelo, 15 Fev (Inforpress) – A cidade do Mindelo encheu-se hoje de cor, música e animação, reunindo centenas de pessoas nas celebrações de Carnaval, entre a ternura dos grupos infantis e a energia vibrante dos mandingas das diferentes zonas locais.

A abrir o cortejo esteve o Monte Sossego Mirim, que decidiu reeditar o tema “Um óne ne Soncent”, apresentado pelo grupo oficial em 2016.

Segundo a presidente, cuja direcção é independente da agremiação principal, a proposta foi adaptada ao universo infantil, com trajes que retrataram acontecimentos marcantes vividos ao longo de um ano em São Vicente.

Melissa Baptista sublinhou que o Monte Sossego Mirim funciona como uma verdadeira escola de Carnaval, “um Monte Sossego do futuro”, preparado para assumir a continuidade da tradição na Zona de Índio.

Pela 11.ª vez, o grupo saiu às ruas com cerca de 200 crianças, mesmo sem a participação do grupo oficial no Carnaval 2026.

Também dedicado ao público infantil, o grupo Alegria de Campim encantou com o tema “Mundo Encantado da Disney”, proporcionando às mais de 100 crianças um desfile repleto de fantasia.

Princesas, príncipes e heróis transformaram as ruas da cidade num autêntico conto de fadas, numa celebração marcada por imaginação e alegria.

Com o cair da tarde, o ritmo intensificou-se ao som dos mandingas de Fernando Pó, Espia, Ribeira Bote e Fonte Filipe.

Uns com participações mais modestas, outros arrastando verdadeiras multidões, caso de Ribeira Bote, todos partilharam a mesma vibração contagiante que caracteriza esta manifestação cultural.

Além da festa, houve espaço para mensagens de resiliência, como os Mandingas de Fernando Pó que evocaram a força de São Vicente, lembrando que a ilha “não apagou o seu brilho”, mesmo após a passagem da tempestade Erin, a 11 de Agosto de 2025.

Os desfiles contaram ainda com momentos de sátira e crítica social, nomeadamente do grupo Mama Gelód que trouxe à baila a polémica declaração do presidente da câmara municipal, após a tempestade, de que São Vicente é “feita só de ribeiras”.

Em tom humorístico, o grupo propôs que as ribeiras da ilha sejam classificadas como Património da Humanidade.

A encerrar as animações deste domingo esteve o grupo Bateria Ritmo do Norte, que reuniu dezenas de jovens numa vibrante demonstração de percussão, deixando o público ao som de batidas fortes e sincronizadas.

A programação prossegue na segunda-feira, 16, excepcionalmente, sem o desfile do Samba Tropical.

O dia será dedicado ao grupo dos Professores e uma apresentação conjunta dos Mandingas de São Vicente, que, pela primeira vez, contam com um espaço exclusivo.

Na terça-feira, 17, realizam-se os desfiles oficiais, este ano com dois grupos na competição, Flores do Mindelo e Cruzeiros do Norte.

LN/HF

Inforpress/Fim

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