
Ribeira Grande, 21 Jan (Inforpress) – Funcionários e pacientes do Hospital Regional João Morais manifestaram-se hoje contra a transferência de um médico internista para o Hospital Baptista de Sousa, alertando que a decisão agravará a sobrecarga dos serviços e comprometerá o atendimento.
Segundo fonte hospitalar, identificada pela Inforpress, mas que prefere não ter o seu nome divulgado, a transferência foi comunicada sem qualquer aviso prévio, apanhando de surpresa a equipa clínica, que actualmente conta com cinco médicos a assegurar o serviço de urgência, a medicina interna e as consultas.
“Com a saída do internista, o número será reduzido para quatro, aumentando a pressão sobre um corpo clínico já considerado insuficiente”, referiu.
De acordo com a mesma fonte, o Hospital Regional João Morais dispõe de, apenas, três internistas, enquanto o Hospital Baptista de Sousa conta com vários profissionais da especialidade.
“Sempre que Santo Antão solicita reforços, as lacunas não são colmatadas pelo Ministério da Saúde, situação que é do conhecimento da Direcção Nacional da Saúde, da Região Sanitária e do próprio Ministério”, afirmou.
A fonte acrescentou que os poucos reforços registados ao longo do tempo resultaram da boa vontade de colegas do Porto Novo e do Paul, e não de decisões institucionais.
“A escassez de médicos já teve impacto directo no funcionamento dos serviços”, recordou.
Segundo a mesma fonte, em períodos recentes, o Banco de Urgência chegou a funcionar sem médico até às três horas, numa altura em que dois ou três profissionais asseguravam escalas alternadas, até três vezes por semana.
“Houve dias em que nem sequer foi possível garantir consultas, porque somos poucos e temos de acumular a medicina interna com o Banco de Urgência”, referiu.
Segundo a mesma fonte, frequentemente, os profissionais trabalham doentes, acumulam férias por gozar e asseguram serviços de segunda a domingo, com turnos de 24 horas, ao contrário do que acontece noutras unidades do país, onde os turnos são de 12 horas.
“Em teoria, temos direito a descanso, mas na prática não o fazemos por falta de médicos”, sublinhou.
“Esta sobrecarga reflecte-se também nos pacientes, que, sem consultas regulares, acabam por descompensar e recorrer ao Banco de Urgência, aumentando a pressão sobre os serviços”, reforçou.
A fonte recordou ainda que o Hospital Regional João Morais já viveu situações semelhantes no passado, tendo ficado vários meses sem cirurgião, longos períodos sem ortopedista e com carências em ginecologia, sem que tenham sido garantidos reforços a partir do Hospital Baptista de Sousa.
“Retirar agora um médico daqui significa um retrocesso”, alertou.
A Inforpress ouviu igualmente um paciente que estava a ser acompanhado pelo internista agora transferido, que lamentou a decisão.
“Desde que este médico me acompanha, sempre me atendeu de forma clara, coerente e transparente, falando a verdade, olho no olho”, afirmou.
“Quando soube que seria transferido para o Hospital Baptista de Sousa, fiquei profundamente triste, porque em Santo Antão, sempre que temos um bom médico, acaba por ser enviado para outro lugar”, lamentou o mesmo paciente.
“Desconheço os critérios que estiveram na base desta decisão, mas acredito que poderiam tê-lo mantido aqui, porque faz muita falta. É um profissional muito activo e dedicado, e não sou apenas eu a pensar assim. Todos os pacientes internados comentaram que a sua saída deixará um grande vazio no hospital e na nossa comunidade”, acrescentou.
Entretanto, funcionários e pacientes recolheram assinaturas no Hospital Regional João Morais, expressando oposição à transferência do internista e advertindo que a medida coloca em risco a capacidade de resposta e a segurança dos cuidados de saúde.
LFS/HF
Inforpress/Fim
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