
Nova Sintra, 21 Jan (Inforpress)- O neuropsicólogo Gabriel Fortes defendeu hoje a obrigatoriedade de uma avaliação neuropsicológica a todas as crianças no segundo ano de escolaridade, sem excepção, como forma de garantir um diagnóstico precoce de dificuldades de aprendizagem.
Gabriel Fortes fez estas declarações à Inforpress, à margem de uma conversa aberta realizada esta tarde na Escola Secundária Eugénio Tavares, sob o tema “Neurodivergência e o papel do professor”, iniciativa que reuniu docentes e técnicos da educação.
Segundo o especialista, por exemplo a dislexia é uma condição que se manifesta através de dificuldades na leitura e a escrita, e que, em muitos casos, explicou, a criança consegue progredir nos primeiros anos de escolaridade com algumas adaptações feitas em sala de aula, chegando por vezes até ao quarto ou quinto ano.
No entanto, alertou que, quando o problema não é identificado precocemente, acaba por gerar “muitos anos de trabalho infrutífero e elevado nível de stress” para a criança.
“Se identificarmos essas dificuldades logo no segundo ano, evitaremos situações em que o aluno chega ao quinto ano sem saber ler, o que obriga, em termos pedagógicos, a um regresso quase total aos conteúdos do segundo ano”, sublinhou.
Para o neuropsicólogo, uma avaliação adequada num momento em que a alfabetização já deveria estar consolidada permitiria descartar ou confirmar precocemente essas condições, contribuindo para um acompanhamento mais eficaz e inclusivo dos alunos no sistema educativo.
“O professor é a figura central neste processo, sobretudo num cenário em que o ensino é obrigatório. Uma das grandes necessidades é capacitar os docentes, dar-lhes ferramentas para lidar melhor com esses alunos dentro da sala de aula”, concluiu.
DM/JMV
Inforpress/fim
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