
Espargos, 30 Set (Inforpress) – A falta de continuidade nas políticas de educação ambiental, a erosão na praia de Santa Maria, a crise de habitação e a gestão dos espaços públicos dominaram hoje as intervenções dos munícipes na Assembleia Municipal do Sal.
A abertura dos trabalhos contou com uma reflexão pela munícipe Maria Sousa, aluna do Colégio Letrinhas, que chamou a atenção para a necessidade de ir além do investimento em obras e infra-estruturas, apostando numa educação cívica e ambiental permanente.
A estudante questionou o executivo camarário sobre as estratégias em curso para ensinar a preservar o bem público e citou o exemplo do colégio onde estuda, em que os alunos cuidam diariamente de centenas de plantas e assumem a responsabilidade pela limpeza dos espaços.
"Depois de construir, inaugurar ou limpar, como se ensina a utilizar, a preservar e a respeitar", questionou Maria Sousa, desafiando a Câmara Municipal do Sal a apresentar compromissos concretos e planos continuados que envolvam escolas, famílias e empresas na mudança de mentalidades.
Por seu turno, o munícipe Patone Lobo alertou para as consequências das alterações climáticas na ilha, destacando a perda de mais de 80 metros de areia na praia de Santa Maria.
Lembrou que o turismo da ilha e do país depende daquela zona balnear, e defendeu estudos urgentes para travar a degradação da orla marítima.
Patone Lobo abordou também a situação da saúde na ilha, criticando a necessidade frequente de deslocação de doentes para Lisboa, devido a fraturas e lesões, bem como o problema da habitação em Santa Maria, frisando que há trabalhadores a dormir na praia por falta de moradia.
O munícipe sugeriu ainda a descentralização das sessões da Assembleia Municipal, propondo que se realizem reuniões periódicas em Santa Maria.
O munícipe Honório Martins, por seu lado, reforçou a necessidade de descentralizar os eventos do município, incluindo a Sessão Solene do Dia do Município, para permitir uma maior participação da população local.
Honório Martins denunciou ainda problemas de segurança, vandalismo e consumo excessivo de álcool na localidade de Preguiça, além da escassez de água para a rega de plantas e falta de sinalização do trânsito nas artérias e travessas.
O munícipe apontou igualmente falhas na manutenção da iluminação e dos espaços públicos na Praça 19 de Setembro.
No período da tarde, a Assembleia Municipal do Sal continua reunida para discutir e aprovar o plano de actividades e o orçamento municipal para o ano de 2027.
NA/AA
Inforpress/Fim
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