
Cidade da Praia, 09 Out (Inforpress) – A presidente do partido Pessoas, Trabalho e Solidariedade (PTS), Jónica Brito, considerou hoje que, apesar de os primeiros 100 dias serem insuficientes para resolver todos os problemas, o Governo revelou dificuldades em responder atempadamente às situações de emergência.
Em declarações à Inforpress, para fazer o balanço dos primeiros 100 dias do executivo liderado por Francisco Carvalho, Jónica Brito apontou os problemas relacionados com o abastecimento de água, a electricidade e o aumento dos preços dos combustíveis como exemplos das dificuldades de resposta do Governo.
“Este Governo teve a sua primeira prova e mostrou que precisa de trabalhar para dar respostas mais atempadas às situações de emergência que vão surgindo”, afirmou, considerando que os problemas registados no sector da água e da energia provocaram prejuízos às famílias, aos comerciantes e aos operadores económicos.
Relativamente ao aumento dos preços dos combustíveis, a dirigente partidária reconheceu que o primeiro-ministro já anunciou medidas, mas observou que o custo de vida continua a aumentar sobre os orçamentos das famílias cabo-verdianas.
“Nós vimos um esforço por parte do executivo de cumprir as promessas, principalmente as que foram bandeiras de campanha, o que é positivo, mas ainda não estamos clarificados relativamente à forma como vão financiar algumas medidas estruturantes para o país”, apontou.
Neste sentido, defendeu que o Governo deve explicar, de forma transparente, como pretende financiar e manter medidas como a gratuitidade do ensino superior, a eliminação das taxas moderadoras na saúde e a redução dos preços dos transportes, esta última contemplada no próximo Orçamento do Estado.
Para Jónica Brito, as políticas públicas devem ser acompanhadas de mecanismos que garantam que os apoios cheguem efectivamente às pessoas que mais precisam.
No domínio do ensino superior, embora reconheça a importância da gratuitidade das propinas, a presidente do PTS esclareceu que o partido defendeu, durante a campanha eleitoral, o alargamento das bolsas de estudo, tendo em conta a situação socioeconómica das famílias, através do Cadastro Social Único.
Segundo explicou, a isenção de propinas, por si só, não responde a todas as necessidades dos estudantes, sobretudo daqueles provenientes de outras ilhas, que também enfrentam despesas com alojamento, transporte e alimentação.
“Eu acho que faltou ao executivo ser transparente para com a sociedade cabo-verdiana e explicar onde ira buscar esses recursos para manter as medidas anunciadas”, acrescentou.
Apesar das críticas, Jónica Brito considerou que os 100 dias não são suficientes para resolver todos os problemas do país, reconhecendo que algumas soluções exigem tempo e planeamento.
A dirigente afirmou que o PTS continuará a apoiar as decisões do Governo que contribuam para melhorar as condições de vida dos cabo-verdianos, defendendo, contudo, que as medidas adoptadas tenham em conta as necessidades da população e sejam acompanhadas de transparência e estratégias de longo prazo.
AV/HF
Inforpress/Fim
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