Presidente do IEFP defende reformulação de políticas públicas para combater escassez de mão-de-obra no país

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Presidente do IEFP defende reformulação de políticas públicas para combater escassez de mão-de-obra no país
26/03/25 - 04:14 pm

Cidade da Praia, 26 Mar (Inforpress) - O presidente do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), Paulo Santos, defendeu hoje a reformulação de políticas públicas para fazer face à escassez de mão-de-obra no país, e aumentar a atractividade de determinadas profissões.

Paulo Santos falava em entrevista à Inforpress sobre a questão da escassez de mão-de-obra qualificada no mercado de trabalho nacional.

“Essa questão veio à tona por causa dessa mobilidade de mão-de-obra. A emigração é um processo normal e intensificou-se mais, dado à flexibilidade do processo de obtenção de vistos de trabalho. E, o cabo-verdiano é um povo que gosta de se aventurar. Temos é que reformular as nossas políticas públicas, perceber onde é que está errado e ajustar”, admitiu.

Segundo a mesma fonte, as condições laborais em Cabo Verde em alguns sectores de actividade, o factor remuneração salarial que também não é o mais adequado, associado à questão cultural, uma vez que o cabo-verdiano gosta de sair para o estrangeiro à procura de novas oportunidades, poderão estar na base dessa mobilidade laboral, pelo que há que promover um quadro para melhorar as condições de trabalho no país.

“Sentimos que houve um aumento de pessoas que tiveram vistos à procura de trabalho. É um facto e não podemos negar isto. Em Cabo Verde, cerca de 23,8 por cento (%) de jovens dos 15 aos 24 anos estão no desemprego, 155 mil pessoas estão no inactivo, mas se formos procurar os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), mais de 17%, dessas pessoas, estão na inactividade por causa da falta de emprego. Um contra-senso”, considerou.

Fazendo esta análise, Paulo Santos referiu que a IEFP tem formado, por ano, entre 4 a 5 mil jovens, destacando várias acções de formação em áreas com indícios de escassez de mão-de-obra qualificada, nomeadamente a construção civil, canalização, electricidade, entre outras.

“Nos últimos oito anos, passaram para as nossas estruturas de formação mais de 40 mil pessoas, em diversas áreas, desde construção civil, canalização, electricidade, temos apostado nas tecnologias de informação… estamos a fazer um conjunto de publicações de jovens em formação, até para publicitar, mostrar às empresas as áreas que estamos a formar. Há, portanto, várias acções de formação. Então, temos que perceber onde está a falha”, ponderou.

Ciente dessa escassez de mão-de-obra, Paulo Santos, para quem o IEFP ganhou “mais visibilidade e mais centralidade”, a instituição está a intensificar a formação para fazer face ao problema, compreendendo que o país dispõe de várias oportunidades.

“E temos aqui espaço para melhorar. Com certeza as empresas vão tomando, também, consciencialização da sua actuação, porque temos um sector da restauração que emprega quase 18 mil pessoas em Cabo Verde, mas o salário é baixo”, ponderou, defendendo a criação de “boas condições” para atrair a juventude cabo-verdiana, por forma a não se aventurar para a emigração.

SC/ZS

Inforpress/Fim

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