Cidade da Praia, 27 Mar (Inforpress) – A presidente da Organização das Mulheres de Cabo Verde (OMCV), Eloisa Cardoso, prometeu hoje que a associação vai continuar a trabalhar para que todas as mulheres cabo-verdianas tenham voz e oportunidades visando contribuir no desenvolvimento do país.
Eloisa Cardoso fez estas afirmações à imprensa, à margem da cerimónia de comemoração do 44.º aniversário da referida organização sob o lema "OMCV' 44 anos de Luta, Empoderamento e Igualdade" e o Dia da Mulher Cabo-verdiana celebrada a 27 de Março.
“O lema tem um significado especial porque a nossa organização começou a funcionar logo após a independência e desde essa altura, foi identificada a necessidade de afirmação da mulher, promoção do empoderamento feminino e a sua contribuição no processo de desenvolvimento do país recém-independente. Daí a necessidade de hoje reflectirmos sobre luta, empoderamento e igualdade”, afirmou.
Segundo a presidente da OMCV, passados 44 anos, a organização ainda não cumpriu na íntegra toda a missão que estabeleceu desde o início de sua criação, isto porque justificou, ainda existem muitos desafios a serem ultrapassados.
Apontou neste sentido a Violência Baseada no Género, violência sexual contra criança, empoderamento económico, falta de protecção social para mulheres chefes-de-família e que vivem na pobreza extrema, parentalidade responsável e participação da mulher na política como principais desafios.
“Apesar dos desafios, temos dado o nosso contributo de forma significativa no empoderamento de mulheres, no desenvolvimento do país, na luta contra a pobreza. Obviamente que iremos dar continuidade à nossa luta porque cada história de sucesso é uma inspiração para nós, cada mulher que conseguimos apoiar é também uma inspiração para nós”, salientou.
Considerou a questão do cuidado da saúde reprodutiva da mulher e o início do processo da alfabetização logo após a independência como “maiores ganhos” da OMCV, acrescentando que a mesma irá continuar a apoiar as mulheres na criação e desenvolvimento dos seus negócios.
Ao fazer um paralelo entre a mulher de 1981 e da actualidade, Eloisa Cardoso considera que o país evoluiu, o caminho trilhado pelas mulheres é “bastante positivo” e que há, no entanto, necessidade de trabalhar na implementação de políticas eficazes que impactam verdadeiramente as mulheres cabo-verdianas.
“Temos boas legislações a nível de protecção de famílias de promoção de igualdade de género, políticas de acesso ao crédito, de promoção de empreendedorismo, mas as mulheres que procuram a OMCV são as mulheres que ainda não foram beneficiadas com estas políticas por isso há necessidade de avaliarmos as medidas. O que tem falhado, por que é que ainda temos mulheres chefes-de-família na pobreza e na pobreza extrema”, frisou.
Confessou, por outro lado, que o maior sonho da OMCV é de construção de uma sociedade mais justa e igualitária em vários níveis, em que as mulheres ocupam lugar de destaque na sociedade cabo-verdiana, com direitos salvaguardados, salientando que este objectivo será cumprido com o engajamento de todos para o cumprimento deste desiderato.
Por seu turno, a coordenadora residente das Nações Unidas em Cabo Verde, Patrícia Souza, que presidiu à cerimónia de abertura da comemoração do aniversário da OMCV, destacou o contributo que a organização tem dano no processo de desenvolvimento de Cabo Verde e no empoderamento da mulher cabo-verdiana.
“É um momento de celebrar as mulheres cabo-verdianas, parabenizar a OMCV pelos 44 anos de existência, dedicados a promover a igualdade e a equidade de género, a igualdade dos direitos, e poder sempre ter a oportunidade de lembrar a importância e o papel da mulher ao longo do processo de desenvolvimento desse belo país insular na costa africana”, realçou.
Reconheceu a necessidade de reflexão sobre o papel que a mulher cabo-verdiana tem tido ao longo do processo, desde antes da independência, na luta pela independência, e também ao longo dos 50 anos de desenvolvimento.
“Quando olhamos para a história da mulher em Cabo Verde, vemos semelhanças com a história do país. Uma história marcada por desafios, persistência, coragem, tenacidade e conquistas. E nessas conquistas, é justo e um dever, eu diria até uma obrigação nossa prestar esta homenagem a todas as mulheres e meninas que deram e dão todos os dias a voz, o tempo, a lutarem todos os dias para um Cabo Verde mais justo, mais humano e mais envolvido”, afirmou.
A OMCV, criada oficialmente a 27 de Março 1981, conta com cerca de 12 mil membros inscritos e está filiada na Plataforma Nacional das ONG desde 1996.
Tem como foco o bem-estar social, económico e cultural da mulher, das famílias e da sociedade cabo-verdiana no geral, através da defesa e promoção dos direitos da mulher integrado numa perspectiva de género.
CM/ZS
Inforpress/Fim
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