Música: Banda Pilon revisita quatro décadas de funaná e aposta na autenticidade cultural do arquipélago

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Música: Banda Pilon revisita quatro décadas de funaná e aposta na autenticidade cultural do arquipélago
19/05/26 - 10:23 am

Grão-Ducado do Luxemburgo, 19 Mai (Inforpress) – O grupo musical Pilon celebra 40 anos de carreira com uma digressão internacional que inclui actuações em Cabo Verde e vários países da Europa, assinalando quatro décadas de promoção do funaná junto da diáspora cabo-verdiana.

Fundado em 1985 no Luxemburgo por jovens cabo- verdianos filhos de emigrantes, o grupo actuou em Março no Festival des Migrations e, em Abril, no Festival Picos Nho Sior do Mundo, em Cabo Verde.

A banda participou ainda, a 09 de Maio, no Fête de l’Intégration, em Käerjeng (Luxemburgo), e, a 16 de Maio, no Festival des Cultures, em Differdange, igualmente naquele país.

A digressão prossegue a 12 de Junho, no Fête de la Musique, na Cidade do Luxemburgo, seguindo-se um concerto a 26 de Junho no B.Leza, em Lisboa (Portugal).

O programa inclui igualmente actuações a 04 de Julho, no Fête de la Musique, em Dudelange, Luxemburgo, e, no dia seguinte, no Dunya Festival, em Roterdão (Países Baixos).

Em entrevista à Inforpress, efectuada através da rede social Messenger, Antonino Gomes, conhecido artisticamente como Tony Furtado, baterista e responsável do grupo desde a fundação, explicou que Pilon surgiu numa altura em que os jovens cabo-verdianos no Luxemburgo dispunham de poucas opções de lazer.

Segundo o músico, os integrantes reuniam-se numa associação cabo-verdiana da Cidade do Luxemburgo, onde participavam em actividades culturais como teatro, dança e música, até surgir a proposta de criação de uma banda.

Tony Furtado indicou que o projecto foi iniciado por António Pedro Monteiro, ao qual se juntaram Ambrósio Gomes, Fefa Cabral, Emílio Borges e outros jovens cabo-verdianos.

O responsável afirmou que a inexistência de grupos cabo-verdianos no Luxemburgo e a necessidade de criar espaços de convívio estiveram entre as principais motivações para o nascimento do Pilon.

Relativamente à identidade musical do grupo, explicou que o funaná se impôs “de forma natural”, devido à origem santiaguense dos integrantes, apontando os grupos Bulimundo e Tulipa Negra como as principais influências da banda.

Sobre o primeiro álbum, “Tradição”, recordou que a gravação ocorreu numa fase em que o grupo ponderava encerrar actividades, após a saída de António Pedro Monteiro.

Segundo contou, a sugestão de gravar um disco partiu de Ambrósio Gomes, inicialmente como recordação do percurso do grupo, mas o trabalho alcançou “forte repercussão” junto da comunidade cabo-verdiana emigrada e nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), sobretudo em Angola.

Tony Furtado destacou igualmente “a forte ligação” do grupo com o público durante as digressões europeias, salientando que muitos estrangeiros apreciavam “o funaná dos anos 80” e identificavam o Pilon com “um som autêntico”.

O baterista apontou a primeira digressão a Cabo Verde, em 1995, como um dos momentos mais marcantes da carreira do grupo, recordando um concerto no Parque 05 de Julho, perante milhares de espectadores.

“Actuar em Assomada e Pedra Badejo foi muito emocionante para músicos criados na Europa”, afirmou.

Sobre a evolução da música cabo-verdiana, considerou que os anos 80 e 90 representaram uma fase de “grande criatividade”, observando que muitos trabalhos dessa época continuam a ser valorizados e reeditados internacionalmente.

Questionado sobre o papel do grupo na divulgação da cultura cabo-verdiana, Tony Furtado afirmou que os músicos sempre encararam essa missão como “um dever natural”, defendendo que a música cabo-verdiana merece reconhecimento internacional.

Em relação ao álbum “Nôs Meninos”, lançado em 1995, explicou que o disco representou uma fase mais madura do grupo, embora não tenha alcançado a mesma adesão popular do álbum “Tradição”.

O músico revelou ainda que a canção “Longi di Bô” despertou o interesse da editora norte-americana Ostinato Records, dirigida por Vik Sohonie, culminando, em 2019, na assinatura de um contrato discográfico em vinil.

Acrescentou que, em 2025, o grupo assinou igualmente com a editora espanhola Elpalmasmusic, do produtor Maurice Aymar, responsável pelo lançamento do quinto álbum em vinil, “Nu Sta Li”.

Ao fazer um balanço do percurso do Pilon, Tony Furtado considerou que o grupo conseguiu ultrapassar diferentes dificuldades e tendências musicais ao longo de quatro décadas, mostrando-se satisfeito com o renovado interesse internacional pela música da banda.

O responsável defendeu ainda que o funaná representa “o lado mais africano de Cabo Verde” e afirmou que o público estrangeiro continua a valorizar a autenticidade do género musical.

O grupo lançou recentemente o álbum “Nu Sta Li” e deixou uma mensagem aos jovens músicos cabo-verdianos da diáspora, incentivando-os a preservar as raízes e a autenticidade da música de Cabo Verde.

JMV/AA

Inforpress/Fim

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