
Díli, 19 Mai (Inforpress) – Um grupo de organizações de jovens de Timor-Leste apelou hoje ao Governo para votar a favor da resolução sobre justiça climática, que vai ser debatida na quarta-feira na Assembleia-Geral das Nações Unidas.
“Nós somos a geração que viverá com as consequências das alterações climáticas. Não fomos nós, em Timor-Leste, que causámos esta crise climática, são os países com maiores emissões de gases com efeito de estufa, as nações industrializadas, que mais contribuem para as alterações climáticas que hoje sentimos”, salientam as dez organizações de jovens timorenses numa carta enviada ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Bendito Freitas.
O Tribunal Internacional de Justiça divulgou no ano passado, na sequência de um pedido da Assembleia-Geral da ONU, numa iniciativa liderada pelo Vanuatu, uma opinião jurídica sobre as responsabilidades dos países relativamente às alterações climáticas.
Na opinião, o Tribunal Internacional de Justiça considerou que os estados têm responsabilidades jurídicas, ao abrigo do direito internacional, na proteção do clima, na redução de emissões de gases com efeito de estufas, entre outros.
“Em Timor-Leste, todos podemos constatar que o nível do mar já está a subir; as temperaturas tornam-se cada vez mais elevadas, e as cheias e as secas ameaçam a agricultura, a segurança alimentar e os meios de subsistência das nossas comunidades”, salientam os jovens na petição, enviada também ao Presidente timorense, José Ramos-Horta, e ao primeiro-ministro, Xanana Gusmão.
Questionado pela Lusa sobre o assunto, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Bendito Freitas, recusou prestar declarações.
“A votação desta resolução na Assembleia Geral da ONU não será uma mera formalidade diplomática poderá tornar-se um mecanismo que nos confere, a nós, o futuro de Timor-Leste, um instrumento para reivindicar o nosso direito a viver num país que não seja gravemente afetado pelas alterações climáticas, ou que tenha a capacidade de se manter firme e de superar os desafios que as alterações climáticas trazem”, acrescentam os jovens na petição.
A resolução da Assembleia-Geral da ONU visa afirmar que todos os países têm a obrigação legal, ao abrigo do direito internacional, de proteger o ambiente e que as alterações climáticas são uma ameaça aos direitos humanos.
Inforpress/Lusa
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