Legislativas2026/Fogo: Casimiro de Pina considera que vitória do PAICV “não é a vitória da democracia cabo-verdiana”

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Legislativas2026/Fogo: Casimiro de Pina considera que vitória do PAICV “não é a vitória da democracia cabo-verdiana”
18/05/26 - 01:48 pm

São Filipe, 18 Mai (Inforpress) – O jurista Casimiro de Pina, candidato da UCID pelo círculo eleitoral do Fogo nas legislativas de domingo, 17, considerou hoje que a vitória do PAICV “não é a vitória da democracia cabo-verdiana”.

Numa publicação feita na sua página pessoal na rede social facebook, Casimiro de Pina afirmou que o PAICV venceu as eleições e alcançou “a tal maioria absoluta”, ao mesmo tempo que considerou que o MpD “perdeu a sua alma” antes das eleições.

Segundo o jurista, que era uma figura próxima do MpD e antigo candidato presidencial, o partido liderado por Ulisses Correia e Silva passou a seguir “a cartilha ideológica de antigos ditadores e figuras da democracia nacional revolucionária”, situação que, no seu entender, retirou capacidade de mobilização política à formação.

Relativamente à UCID, Casimiro de Pina admitiu que o partido ficou “aquém dos seus objectivos” e não conseguiu “equilibrar o sistema”, apontando “desorganização gritante” na ilha do Fogo.

Na mesma publicação, o candidato independente criticou o discurso de vitória de Francisco Carvalho, considerando que o dirigente “não esteve à altura”.

O jurista denunciou igualmente alegadas irregularidades durante o processo eleitoral, acusando militantes do PAICV de pressionarem e condicionarem eleitores, particularmente no concelho dos Mosteiros, além da continuação da prática de “boca de urna”.

“Não se armem em espertinhos porque tenho fotografias e filmagens”, escreveu Casimiro de Pina, defendendo a preservação do Estado de direito democrático e da Constituição da República “acima de tudo, apesar dos sinais desagradáveis que pairam no horizonte”.

O escrutínio de domingo contou com 416.300 eleitores inscritos, dos quais 344.284 nas ilhas e 72.051 no estrangeiro.

Os eleitores foram distribuídos por cerca de mil mesas de voto no arquipélago e mais de 200 na diáspora, num escrutínio que decorreu das 08:00 às 18:00.

De acordo com os dados provisórios avançados pela Direcção-Geral de Apoio ao Processo Eleitoral (DGAPE) no seu 'site', suportado tecnologicamente pelo NOSi, quando estavam apuradas 98,2% das mesas, o PAICV contava com 33 deputados (46,7%), o MpD somava 30 (43,6%) e a UCID garantia dois assentos (5,1%), restando distribuir sete mandatos.

Contudo, o presidente do PAICV, Francisco Carvalho, já anunciou a conquista da maioria absoluta com 37 deputados, tendo já recebido os parabéns do líder do MpD, Ulisses Correia e Silva.

A abstenção situou-se nos 53,4%.

Nas eleições de domingo, cinco partidos políticos - PAICV, MpD, UCID, PTS e PP - concorreram aos 72 mandatos de deputado, distribuídos por 13 círculos eleitorais, dos quais dez no território nacional e três na diáspora.

JMV/CM//HF

Inforpress/Fim

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