Irão ameaça retaliar contra EUA e Israel em caso de ataque norte-americano

Inicio | Internacional
Irão ameaça retaliar contra EUA e Israel em caso de ataque norte-americano
11/01/26 - 10:27 am

Dubai, Emirados Árabes Unidos, 11 Jan 2026 (Inforpress) – O presidente do parlamento do Irão avisou hoje que os militares norte-americanos e Israel serão “alvos legítimos” em caso de ataque por parte de Washington, tal como ameaçou o Presidente dos Estados Unidos Donald Trump.

Os comentários de Mohammad Bagher Qalibaf representam a primeira vez que Israel é incluído na lista de possíveis alvos de um ataque iraniano.

Qalibaf, um elemento da 'linha-dura' iraniana que já concorreu à presidência no passado, fez a ameaça enquanto os deputados invadiam a tribuna do parlamento, gritando: “Morte à América!”

Durante a sessão do parlamento, transmitida em directo pela televisão estatal iraniana, Mohammad Qalibaf fez um discurso aplaudindo a polícia e a Guarda Revolucionária paramilitar do Irão, particularmente os seus voluntários Basij, por terem “permanecido firmes” durante os protestos realizados no país contra a teocracia iraniana.

“O povo do Irão deve saber que lidaremos com eles da forma mais severa e puniremos aqueles que forem detidos", disse.

Qalibaf prosseguiu ameaçando directamente Israel, referindo-se-lhe como “o território ocupado”, e também as forças armadas dos EUA: “No caso de um ataque ao Irão, tanto o território ocupado como todos os centros militares, bases e navios americanos na região serão nossos alvos legítimos”, afirmou, acrescentando: “Não nos consideramos limitados a reagir após a acção e agiremos com base em quaisquer sinais objectivos de ameaça”.

A seriedade das intenções do Irão em relação ao lançamento de um potencial ataque ainda não é clara, especialmente após o país ter ficado com as defesas aéreas destruídas durante a guerra de 12 dias em Junho com Israel. Qualquer decisão de entrar em guerra caberia ao líder supremo do Irão, o ‘Ayatollah’ Ali Khamenei, de 86 anos.

As forças armadas dos EUA afirmaram no Médio Oriente que estão “posicionadas com forças que abrangem toda a gama de capacidade de combate para se defenderem, os parceiros e aliados e os interesses dos EUA”.

Entretanto, os protestos que desde há duas semanas decorrem no Irão que contestam o regime e que, segundo a Agência de Notícias dos Activistas pelos Direitos Humanos (HDRANA, na sigla em inglês), já provocaram pelo menos 116 mortos, levaram hoje manifestantes a inundar as ruas da capital e da segunda maior cidade do país.

Os protestos em quase todo o país começaram em 28 de Dezembro, inicialmente contra o custo de vida e a inflação galopante, num país sujeito a sanções económicas dos Estados Unidos e da ONU, mas têm vindo a intensificar-se e transformaram-se numa contestação política contra o regime.

Com a Internet e as linhas telefónicas cortadas, tornou-se mais difícil avaliar as manifestações do exterior, mas a HDRANA, sediada nos Estados Unidos, refere que o número de mortos nos protestos tem aumentado e que cerca de 2.600 pessoas foram detidas.

Trump ofereceu apoio aos manifestantes, dizendo nas redes sociais que “o Irão está a caminhar para a liberdade, talvez como nunca antes” e que “os EUA estão prontos para ajudar”.

O New York Times e o Wall Street Journal, citando funcionários anónimos dos EUA, disseram no sábado à noite que Trump recebeu opções militares para um ataque ao Irão, mas não tomou uma decisão final.

Inforpress/Lusa/Fim

Partilhar