
Sal-Rei, 03 Jun (Inforpress) – A Boa Vista ativou hoje a rede PlastiNetwork e o “Desafio Garrafas PET pela Mudança”, numa iniciativa para reduzir a poluição plástica, reforçar a reciclagem e promover a economia circular na ilha.
O projecto é promovido pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) e pelo Ministério da Agricultura e Ambiente, em parceria com a Caboplast, a Desplastificar Boa Vista e a Câmara Municipal da Boa Vista.
O representante da UICN, Iderlino Santos, contextualizou o projeto regional IslandPlas, que visa acelerar soluções circulares em pequenos Estados insulares africanos, e destacou que a Boa Vista é a primeira ilha de Cabo Verde a operacionalizar esta abordagem.
Sublinhou ainda as metas nacionais de recuperar 495 toneladas de plástico e valorizar pelo menos 198 toneladas até 2027, apelando diretamente aos resorts, hotéis e operadores económicos para integrarem esta plataforma colaborativa.
O coordenador do projeto Desplastificar Boa Vista, Carlos Morais, manifestou satisfação com o arranque da atividade e com o processo gradual de equipamento da unidade de reciclagem com a maquinaria prevista.
O responsável agradeceu publicamente a confiança e o apoio de todos os parceiros envolvidos, lembrando em particular que a Cavibel foi a primeira entidade a assinar um protocolo de cooperação com o projeto desde o seu início.
Em representação do setor privado, Danila Ferreira, da SCBC Cabo Verde Cavibel, defendeu que o plástico deve ser encarado como um recurso que pode e deve regressar ao ciclo produtivo, e não como lixo.
Referindo o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 17, destacou que a nova unidade simboliza uma mudança de paradigma, capaz de transformar um desafio ambiental numa oportunidade de desenvolvimento económico, criação de emprego e sensibilização comunitária.
Pela Câmara Municipal da Boa Vista, o vereador do Saneamento, Henrique Correia, e o diretor do pelouro, Fernando Rocha, apontaram a gestão de resíduos como uma prioridade, face ao impacto do plástico na paisagem, na biodiversidade e no turismo da ilha.
Os responsáveis avançaram que o plástico representa cerca de 11% das 20 toneladas de lixo produzidas diariamente na ilha, alertando que a nova maquinaria de compactação reduzirá o volume dos resíduos recolhidos para menos de 10% do tamanho original.
Ambos sublinharam que a medida vai prolongar a vida útil do aterro municipal e apelaram à participação ativa dos cidadãos e operadores económicos na separação e entrega dos materiais, que serão devidamente pesados e registados.
No encerramento do ato, o delegado do Ministério da Agricultura e Ambiente, António Andrade, classificou a Boa Vista como a ilha mais ambiental do país e alertou para as grandes quantidades de resíduos plásticos arrastados pelas correntes marinhas internacionais para as costas locais.
Sublinhou ainda o impacto destes resíduos na vida biológica, especialmente nas tartarugas que procuram as praias da ilha, concluindo que investir na conservação da natureza é salvaguardar o turismo, principal motor económico da região.
MGL/JMV
Inforpress/Fim
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