
Santa Maria, 03 Fev (Inforpress) – As representantes das Nações Unidas e da CEDEAO defenderam hoje, no Sal, que o futuro da saúde em Cabo Verde passa “obrigatoriamente” por um financiamento sustentável, aceleração da transformação digital e uma maior resiliência face às alterações climáticas.
As sugestões foram proferidas durante a sessão de abertura do 1.º Encontro Nacional da Saúde, que decorre na cidade de Santa Maria, sob o lema “Proximidade e Qualidade – O Caminho para a Resiliência em Cabo Verde”.
A representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Cabo Verde, Ann Lindstrand, falando em nome das Nações Unidas, começou por destacar o "legado de resiliência" do país ao celebrar 50 anos de independência.
Segundo aquela responsável, Cabo Verde transformou o seu panorama sanitário de forma “profunda”, alcançando marcos como a declaração de país livre de malária e a eliminação do sarampo e da rubéola, figurando entre os três primeiros países da África Subsariana, a par das Seicheles e Maurícias, a atingir tal feito.
Contudo, Lindstrand alertou para os “desafios importantes” que persistem, nomeadamente o peso das doenças não transmissíveis, a desigualdade de acesso em ilhas mais remotas e as ameaças climáticas que afectam pequenos estados insulares.
Na sua intervenção, a diplomata deixou oito apelos estratégicos, com destaque para a consolidação de mecanismos de financiamento e a expansão da telemedicina para reduzir a necessidade de evacuações médicas.
"O fortalecimento do capital humano é um motor para o crescimento económico e ajuda a atingir todos os outros Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)", afirmou Ann Lindstrand, reiterando que a OMS, a Unicef, e UNFPA e o Banco Mundial permanecem “firmemente ao lado de Cabo Verde” para garantir que ninguém fique para trás.
Por seu lado, a representante interina da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), Kelly Lopes, apresentou a visão da Organização Oeste Africana da Saúde (OOAS) para o horizonte 2030.
Aquela responsável detalhou o “apoio crucial” da organização durante a pandemia da covid-19, que incluiu a mobilização de mais de 51 milhões de dólares e a formação de três mil profissionais de saúde na sub-região em áreas de diagnóstico e vigilância.
Kelly Lopes enfatizou que a prioridade agora é a “soberania farmacêutica” e a construção de sistemas de saúde robustos que possam enfrentar crises como o surto da varíola dos macacos, para o qual Cabo Verde recebeu recentemente um apoio de 100 mil dólares.
Um dos pontos fortes da sua intervenção foi a aposta na medicina tradicional.
“A OOAS tem contribuído para a institucionalização e integração da medicina tradicional nos sistemas nacionais de saúde, garantindo a segurança e eficácia dos produtos fitoterápicos através da investigação científica”, frisou.
A representante da CEDEAO destacou ainda a recente validação do Plano Estratégico Regional de Saúde Digital 2026-2030, que visa garantir dados de qualidade para a tomada de decisões em toda a África Ocidental.
Presente na sessão, o presidente da Câmara Municipal do Sal, Júlio Lopes, enalteceu as intervenções das parceiras internacionais, sublinhando que o Sal, enquanto ilha turística e de elevada mobilidade, beneficia directamente destas políticas de inovação e digitalização.
O autarca reforçou o compromisso da edilidade em colaborar com o Ministério da Saúde para que o capital humano da ilha seja valorizado e para que o Sal continue a ser uma “montra de saúde e segurança” para quem nela reside e quem a visita.
O I Encontro Nacional da Saúde, que decorre de 02 a 05 de Fevereiro na ilha do Sal, visa promover um diálogo transversal entre profissionais do sector, dirigentes, parceiros internacionais e sociedade civil, focando na sustentabilidade e inovação do sistema.
Durante os três dias de trabalho, o encontro debruça-se sobre cinco eixos prioritários, como as Perspectivas e Desafios do Sistema de Saúde; a Gestão e Organização; o combate às Doenças Não Transmissíveis (DNT); a Qualidade em Saúde e a Inovação e Tecnologia.
NA/ZS
Inforpress/Fim
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