Ilha do Sal: III Fórum da Juventude e Ambiente debate conciliação entre turismo de massas e conservação ecológica

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Ilha do Sal: III Fórum da Juventude e Ambiente debate conciliação entre turismo de massas e conservação ecológica
22/05/26 - 07:13 pm

Espargos, 22 Maio (Inforpress) – O Salão da Câmara Municipal do Sal acolheu hoje a sessão de abertura da terceira edição do Fórum Juventude e Ambiente, evento organizado pela Associação Projecto Biodiversidade no âmbito do Dia Internacional da Biodiversidade, que hoje se assinala.

Sob o lema do envolvimento comunitário e da salvaguarda dos recursos naturais, o fórum reúne adolescentes, jovens e diversas franjas da sociedade civil com o propósito de debater os crescentes desafios ambientais da ilha e desenhar soluções sustentáveis para o seu desenvolvimento.

À margem do evento, em declarações à comunicação social, o presidente da Associação Projecto Biodiversidade, Albert Taxonera, alertou que o actual modelo de desenvolvimento do Sal, marcado pela crescente pressão do turismo e pela exploração excessiva dos recursos naturais, coloca em risco o ecossistema local e as comunidades que dele dependem.

"É desafiante, mas acho que há todos os ingredientes para demonstrar que o modelo de turismo que temos na ilha do Sal, que é um turismo de massas, pode ser sustentável e pode coexistir com a preservação ambiental”, sublinhou.

“A preservação ambiental, a biodiversidade, os espaços naturais têm de ser sempre uma prioridade e, com base nessa prioridade, temos de desenvolver as outras políticas", continuou o ambientalista.

Para o dirigente, o reforço da gestão das áreas protegidas assume-se como o pilar estruturante de qualquer estratégia, por concentrarem a maior riqueza natural da ilha.

Questionado sobre o papel da juventude nesta transição, Albert Taxonera defendeu que a principal mensagem a transmitir baseia-se na consciencialização de que o amanhã pertence aos mais novos.

A sessão ficou igualmente marcada pelo discurso incisivo da embaixadora ambiental Emely Spínola.

Num manifesto, a jovem activista justificou a escolha do vestuário do colectivo na cerimónia como um acto de afirmação e resiliência perante as ameaças ao ecossistema.

"Hoje, vestimo-nos de preto. Não por acaso, mas com um profundo sentido de protecção. Esta cor simboliza a nossa autoridade, a nossa liderança, o nosso foco e a nossa resistência inabalável. Estamos aqui para garantir que os animais, as plantas e os seres mais vulneráveis tenham o refúgio e a protecção que merecem”, frisou.

A embaixadora recordou o percurso histórico do grupo na ilha, capitalizando aprendizagens em debates e na linha da frente de acções comunitárias.

O colectivo, composto por dezenas de jovens, contabiliza já um portefólio com mais de 30 acções de limpeza de praias, intervenções assertivas em conferências, rodas de conversa e monitorização directa no terreno junto das áreas estratégicas de conservação.

Os trabalhos do fórum estendem-se ao longo do dia com painéis dedicados à análise do ecossistema do Sal, divididos em cinco eixos temáticos fundamentais.

Os Resíduos, a Limpeza das Praias e a Poluição do Oceano na Ilha do Sal; Juventude na Liderança do Turismo Comunitário; Juventude, Educação Ambiental e Oportunidades Profissionais Sustentáveis; O Meu Testemunho no Trabalho de Conservação Ambiental e Reflectindo sobre a Importância das Áreas Protegidas.

NA/ZS

Inforpress/Fim

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