
Espargos, 12 Jan (Inforpress) – O secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro destacou hoje no Sal o papel da rádio pública na consolidação da democracia cabo-verdiana e anunciou, para este mês, o reforço dos meios financeiros da RTC e a viabilização do novo PCCS.
Ao presidir à cerimónia de homenagem aos profissionais da Rádio do Sal, na cidade de Espargos, Lourenço Lopes considerou a Rádio de Cabo Verde (RCV) uma instituição de “grande prestígio e credibilidade” no panorama da comunicação social nacional.
O governante sublinhou que, num país arquipelágico, a rádio “assume-se como uma presença constante de proximidade humana”, capaz de encurtar distâncias, aproximar as ilhas e reforçar os laços de pertença, sobretudo em contextos de maior isolamento.
“A rádio nunca foi apenas um meio técnico, mas antes uma presença constante de proximidade humana, capaz de encurtar distâncias e aproximar ilhas”, afirmou Lourenço Lopes, acrescentando que foi através deste meio que Cabo Verde aprendeu a conviver com a pluralidade de ideias e a construir uma opinião pública responsável.
Segundo Lourenço Lopes, o percurso histórico da ilha do Sal está intimamente ligado à afirmação deste meio de comunicação, pelo que a homenagem hoje prestada, uma iniciativa da Câmara Municipal do Sal em parceria com a RTC, representa um “acto de justiça histórica” para com os pioneiros, os profissionais no activo e os reformados.
No que toca à gestão institucional, o secretário de Estado reafirmou o “compromisso inabalável” do Executivo com a liberdade de imprensa e a não interferência na linha editorial da rádio e televisão públicas.
Neste âmbito, anunciou que o Governo irá reforçar, ainda em Janeiro, os meios financeiros da RTC para aumentar a sua presença nas diferentes ilhas, manifestando igualmente a abertura para viabilizar o novo Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), que deverá abranger cerca de 250 trabalhadores da instituição.
Lourenço Lopes concluiu reiterando que a democracia é uma “construção permanente que se fortalece com informação credível e com o trabalho de profissionais exercido com ética e sentido de serviço público”.
Para o governante, o trabalho “silencioso e persistente” dos profissionais da rádio continua a ser um pilar essencial para a coesão nacional e para a formação de uma opinião pública responsável.
Por sua vez, o presidente da autarquia, Júlio Lopes, sublinhou que a Rádio do Sal não foi apenas um meio de comunicação, mas uma "ponte entre os poderes e o povo", tendo funcionado como uma escola para várias gerações.
O autarca recordou a "odisseia" dos pioneiros que, mesmo com meios escassos, acreditaram no poder da palavra livre e ética para formar a opinião pública e preservar a memória coletiva da ilha.
“A democracia não se constrói apenas com leis ou instituições, constrói-se com palavras livres”, afirmou Júlio Lopes, apelando ainda aos profissionais presentes para que coloquem as suas memórias em papel, visando a criação de uma coletânea sobre a história da rádio local.
Para o edil, esta homenagem é um reconhecimento público do "bom nome e dignidade" daqueles que deram voz aos anseios da população salense.
Em representação dos homenageados, Paulo Cabral expressou a emoção do grupo, recorrendo a uma citação para reforçar que "o nosso nome será sempre maior do que nós próprios".
Segundo o porta-voz, a grande responsabilidade dos profissionais é “honrar” esse legado em vida para que perdure na eternidade.
"A informação aumenta o conhecimento e tem o poder de transformar a vida das pessoas", afirmou, agradecendo o gesto da autarquia e da RTC em nome dos profissionais ativos e reformados.
NA/JMV
Inforpress/Fim
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