
Espargo, 15 Jan (Inforpress) – O Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (CEMFA), afirmou hoje, no Sal, que o Dia das Forças Armadas se reveste de “elevado simbolismo e profundo significado histórico e institucional”, por evocar a génese da instituição militar.
Intervindo no acto central das comemorações do 59.º aniversário das Forças Armadas de Cabo Verde, sob o lema “59 anos de compromisso com a Nação: honrando o passado, protegendo o presente e inspirando o futuro”, o contra-almirante Manuel António Semedo, sublinhou que a data constitui um momento de memória colectiva, reconhecimento e reafirmação dos valores que estruturam a identidade militar cabo-verdiana.
Manuel Semedo prestou homenagem a todos os homens e mulheres que, desde a criação das Forças Armadas, serviram a Pátria “com coragem, lealdade e espírito de sacrifício”, muitas vezes em contextos difíceis e no anonimato, salientando que o seu exemplo representa um legado moral para as actuais e futuras gerações.
O Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas reiterou o compromisso solene da instituição com a Constituição da República, o Estado de Direito Democrático e o povo cabo-verdiano, frisando que celebrar esta efeméride é renovar o juramento de servir Cabo Verde com honra, disciplina e profissionalismo.
“Ao assinalarmos esta efeméride, reforçamos a coesão interna das Forças Armadas e estreitamos os laços de confiança entre a instituição militar e a sociedade que servimos, conscientes de que a legitimidade da nossa missão assenta no apoio incondicional da população e no escrupuloso cumprimento da Constituição e demais leis da República”, sublinhou.
No balanço das actividades desenvolvidas em 2025, o CEMFA destacou a participação das Forças Armadas em exercícios nacionais e internacionais, que contribuíram para reforçar a visibilidade e a credibilidade do país no plano externo, bem como o apoio prestado às populações, com especial destaque para a resposta aos efeitos da tempestade que afectou algumas ilhas, nomeadamente São Vicente.
A Guarda Costeira mereceu particular referência pela sua actuação no patrulhamento marítimo, fiscalização das pescas, segurança portuária, operações de busca e salvamento e evacuações médicas.
Segundo os dados apresentados, foram realizadas cerca de 210 operações e 195 patrulhas portuárias, correspondentes a, aproximadamente, 1.008 horas de navegação.
No mesmo período, foram efectuadas 30 evacuações médicas, das quais 18 asseguradas pelo destacamento da ilha Brava, e realizadas 24 operações de busca e salvamento, que resultaram no resgate de 285 pessoas.
Foram ainda investigadas ou abordadas, conforme o mesmo, cerca de 915 embarcações, tendo sido detectadas 111 em situação ilegal ou irregular, o que representa cerca de 12 por cento (%) do total.
O CEMFA salientou igualmente o apoio prestado às autoridades nacionais, designadamente ao Serviço Nacional de Protecção Civil e Bombeiros, à Polícia Nacional e à Polícia Judiciária.
Quanto às perspectivas para 2026, Manuel Semedo afirmou que o ano se apresenta “repleto de desafios, mas também de oportunidades”, apontando como prioridades o reforço da prontidão e da capacidade operacional, a continuidade dos exercícios e treinos operacionais, a operacionalização dos meios da Guarda Costeira, o reforço dos meios de transporte terrestre e a progressiva operacionalização dos meios aéreos e navais, considerados fundamentais para um país arquipelágico e de território descontínuo como Cabo Verde.
No domínio dos recursos humanos, reafirmou o compromisso com a valorização do capital humano, apostando na formação e capacitação contínuas, na meritocracia e no bem-estar dos efectivos, sublinhando que as pessoas constituem o principal pilar da eficácia operacional das Forças Armadas.
Reiterou ainda o empenho no reforço da cooperação com parceiros nacionais e internacionais e no apoio às autoridades civis, contribuindo para a segurança interna, a protecção civil, a resposta a situações de emergência e o desenvolvimento nacional.
Durante a cerimónia, procedeu-se igualmente à leitura oficial do despacho de atribuição da Medalha de Comportamento Exemplar, ao abrigo do Regulamento da Medalha Militar, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 66/2005, de 24 de Outubro.
Nos termos legais e sob proposta do Comando do Pessoal, após audição do Conselho de Disciplina, foram distinguidos com a Medalha de 2.ª Classe o Sargento Principal Délcio Germano Barros Costa Ferreira, o 1.º Sargento Nelson Manuel Fortes Joaquim e o Cabo-Adjunto Bruno Gabriel dos Reis Tutado.
A Medalha de 3.ª Classe foi atribuída ao 1.º Sargento Carlos Alberto Montengo Moreira e à 1.º Sargento Ariana Duarte Neves, em reconhecimento pelo “comportamento exemplar” e pelos serviços prestados às Forças Armadas de Cabo Verde.
No encerramento, o CEMFA garantiu que as Forças Armadas de Cabo Verde continuarão a cumprir as missões que lhes estão confiadas com profissionalismo, disciplina e elevado sentido de dever.
NA/HF
Inforpress/Fim
Partilhar